Gestão

A casa não caiu

14 de setembro de 2009

Quem são

Categoria Empresa
Melhor RH / Empresa de maior porte / Missão, visão e valores Caterpilar
Empresas com faturamento abaixo de 300 milhões de reais / R&S / Práticas para executivos / Comunicação Chemtech
Celebração / Destaque confiança Unimed Missões
Benefícios Mantecorp
Práticas para jovens McDonald´s
Hospitalidade Google
Reconhecimento Ambev
Práticas para mulheres Laboratórios Sabin
Remuneração Kimberly Clark
Envolvimento e novas idéias Marelli
Desenvolvimento de lideranças 3M
Educação e capacitação Boheringer Ingelheim
Qualidade de vida Accor
Diversidade Cisco

 

Depois de o banco de investimentos americano Lehman Brothers recorrer, em meados de setembro do ano passado, ao capítulo 11 da lei de falências dos EUA, o mundo passou a assistir a uma espécie de batismo de fogo para muitas empresas e grandes executivos. Até então, com uma economia global em “franca” expansão, qualquer deslize na gestão ou erro de estratégia era corrigido pela bonança que alimentava o mercado e, por que não dizer, elevados bônus. Com a crise instalada e suas ondas chegando a outros países, discutia-se até que ponto muitas das chamadas grandes organizações eram, de fato, grandes e eficientes e até que ponto seus líderes eram capazes de reverter um cenário que ameaçava milhares de postos de trabalho e a própria companhia no mercado.

Uma onda de demissões elevou-se num mercado cada dia mais perplexo. Em março deste ano, por exemplo, a fabricante americana de máquinas e equipamentos Caterpillar anunciava a intenção de cortar cerca de 2,5 mil postos de trabalho nos EUA em função de queda na demanda. Com a decisão, estimava-se em 25 mil o número de demitidos pela empresa até o final do ano, em todo o mundo – e sua unidade no Brasil não passara incólume: 380 trabalhadores já haviam sido dispensados e, em janeiro, a empresa negociava com o Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba acordos para redução de salários e de jornada de trabalho, além de já ter lançado mão de férias coletivas para tentar manter o restante dos empregos.

Como reflexo de tanto maremoto e tempestades no mercado, era de se esperar que muitos trabalhadores passassem a olhar as empresas com outros olhos, de forma mais crítica e menos complacente – e um tanto mais negativa. Porém, como diz um provérbio africano, mar calmo não faz bom marinheiro. E não apenas faz como também ressalta o bom marujo. Assim, foi em meio a ondas devastadoras que muitas empresas mostraram sua força e qualidade de gestão, mesmo tendo de tomar medidas extremas como demitir. E a Caterpillar é um desses exemplos.

Neste ano, ela figura em posição de destaque na lista de melhores práticas de gestão de pessoas feita pela revista MELHOR e pelo Great Place to Work (GPTW), a partir do ranking das melhores empresas para trabalhar elaborada pelo instituto e a revista Época. E não foi apenas na categoria de melhor RH que a Caterpillar se destacou: ela também levou os prêmios de melhor RH de companhia de maior porte e de melhores práticas de missão, visão e valores – sendo que nesta ela também foi o grande destaque na edição do ano passado da lista de MELHOR.

“As melhores empresas foram ousadas”, conta Ruy Shiozawa, CEO do GPTW. “Em momentos de crise, muitas poderiam ficar receosas de passarem pela avaliação de seus funcionários, uma vez que tiveram de demitir milhares de trabalhadores em todo o mundo. Mas as empresas que sempre valorizaram as pessoas não tiveram medo e participaram de nossa pesquisa”, acrescenta.

E a coragem foi tanta que, de acordo com Shiozawa, o número de companhias inscritas no levantamento feito pelo GPTW aumentou, bem como o número de funcionários totais e o de respondentes e, ainda, a nota média das 100 melhores empresas para trabalhar. “Tal resultado só aumenta nossa certeza de que, cada vez mais, as empresas estão preocupadas com a gestão de pessoas e que, ano a ano, levamos ao nosso leitor as práticas que fazem a diferença quando o assunto é capital humano”, revela Gumae Carvalho, editor de MELHOR.

Outras companhias que também foram destaque no ano passado e estão presentes nesta edição são a Chemtech e o Laboratório Sabin. Na verdade, a empresa brasileira do setor de tecnologia da informação e ligada ao grupo Siemens participa da lista desde 2007, quando foi eleita a melhor empresa para trabalhar. Neste ano, a Chemtech conquistou quatro categorias: melhor RH de empresa com faturamento abaixo de 300 milhões de reais; melhores práticas de recrutamento e seleção; melhores práticas para executivos; e melhores práticas de comunicação. Já o Laboratório Sabin, de Brasília, reforçou suas práticas para mulheres, mesma categoria em que foi vencedora em 2008 (veja mais no boxe Elas também voltaram).

Mais que justa, ação estratégica
Shiozawa, do GPTW, conta que, ao fazer um balanço de todas as listas das melhores empresas para trabalhar, desde 1997, é possível perceber a presença crescente das mulheres no mundo corporativo. “Do total de funcionários das companhias pesquisadas este ano, 43% são do sexo feminino”, conta. Embora essa proporção seja muito próxima do ano passado, o consultor adianta outros dados que comprovam o avanço das executivas nas empresas. Mais precisamente nos cargos de liderança: no primeiro levantamento feito pelo GPTW, apenas 11% dessas posições nas companhias consideradas melhores para trabalhar eram ocupadas por mulheres. Neste ano, esse índice é de 36%. É uma grande vitória, sem duvida, embora, como lembra Shiozawa, elas ainda tenham de conviver, no mercado como um todo, com questões como salários menores em relação aos homens em cargos semelhantes. “Muitas empresas estão com políticas explícitas e agressivas para atrair esse público [mulheres]. A Microsoft, por exemplo, tem uma meta mundial de aumentar o número de profissionais contratadas”, diz Shiozawa.

E não é apenas por se tratar de uma atitude politicamente correta ou mais justa que as empresas estão oferecendo esses diferenciais para elas. As organizações perceberam que é uma ação estratégica, pois atrai um perfil de profissional, o feminino, que apresenta competências como facilidade de relacionamento, facilidade em estabelecer parcerias e delegar responsabilidades. Essas são, em síntese, as características de um líder.

E por falar em características, o CEO do GPTW, ressalta o impacto da chamada geração Y na gestão de pessoas. Esses jovens com pouco mais de 30 anos têm uma forte atração pelo mundo digital, possuem uma melhor formação e demonstram um compromisso com questões sociais elevado, além de saberem valorizar e exigir autonomia. Por outro lado, demandam a proximidade de líderes que, com sua experiência, complementem sua formação, e buscam (esses jovens) feedbacks constantes.

Essas características assemelham-se, conforme relata o CEO do GPTW, aos pontos que são avaliados num bom ambiente de trabalho. Em outras palavras, as organizações que se destacam como melhores para trabalhar e por suas práticas parecem bem antenadas com os anseios dessa geração. Seria o caso de chamá-las de empresas Y, independentemente das gerações que abrigam? Seja como for, confira nas próximas páginas as empresas com as melhores práticas de gestão de pessoas.

Elas voltaram

Eleita melhor empresa para trabalhar em 2009, a Caterpillar também foi destaque em edições anteriores da lista da revista MELHOR. Em 2006, foi a que apresentou as melhores práticas para aposentadoria e, no ano passado, as melhores ações para difundir missão, cultura e valores. Veja outras organizações que já fazem parte do seleto grupo de empresas com as melhores práticas de RH:

– Chemtech: nas edições de 2007 e 2008 foi destaque como melhor RH.

– Kimberly-Clark: na hora de cuidar do que vai no contracheque de seus funcionários, a empresa de produtos de higiene pessoal e doméstica possui práticas diferenciadas no mercado. Por essa razão, ela é destaque, pelo segundo ano consecutivo, na categoria remuneração.

– Laboratório Sabin: de Brasília sopram bons ventos. Ao menos no que se refere a empresas com melhores práticas para mulheres. E, nesse quesito, o laboratório se mantém imbatível há dois anos (2008 e 2009).

– Unimed Missões: em 2008, a cooperativa gaúcha mostrou que sabia cuidar da qualidade de vida de seus funcionários. Neste ano, ela volta como destaque nas categorias melhores práticas de celebração e destaque confiança.

– Accor: até ano passado, apenas três empresas haviam estado em todas as listas de MELHOR/GPTW. Desse pequeno grupo (Accor, Kaizen e Magazine Luiza), apenas a multinacional francesa se manteve este ano. Assim, por se destacar na categoria qualidade de vida, a Accor torna-se a única empresa a participar das quatro edições das melhores práticas de RH.

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