Gestão

A coisa certa a fazer

Timothy Altaffer
17 de outubro de 2012
Neil Webb / Getty Images

Resultados de uma recente pesquisa desenvolvida pelos Institutos Akatu e Ethos revelam que o consumidor brasileiro não está entre os mais conscientes do mundo no que se refere à sustentabilidade. Dentre os entrevistados, 84% demonstraram não conhecer ou não saber definir corretamente o termo e 16% até conseguem definir, mas em geral suas explicações são relacionadas à questão ambiental. Ainda assim, 472 empresas nacionais fazem parte do Pacto Global, uma iniciativa da Organização das Nações Unidas para mobilizar a comunidade empresarial internacional na adoção de práticas sustentáveis. Mas o que isso realmente quer dizer no mundo dos negócios? Nos dias de hoje, pode significar o tempo a mais que uma empresa se manterá na ativa, pois sustentabilidade tem tudo a ver com rentabilidade. E ainda vai além. Ela requer uma série de valores e preceitos, uma visão mais sistêmica do total, na qual todos passam a perceber que fazem parte de algo muito maior, que não vivem apenas para si, mas para seus filhos, para seu país, para o mundo.

Sustentabilidade gera valores altíssimos de altruísmo, de inclusão e também de humildade. Por isso acredito que, atualmente, não é possível falar da cultura de uma empresa sem que se tenha a sustentabilidade como peça-chave para manter o bem-estar financeiro de um negócio, independentemente da área de atuação. Um não existe sem o outro. Ainda assim, inserir as premissas da sustentabilidade na cultura organizacional não é um processo fácil e rápido. Mas é totalmente necessário. De cara, é primordial ter gestores conscientes. O líder é a peça-chave no processo de mudança, pois se ele não fizer ninguém mais fará. Ele precisa apoiar e viver a sustentabilidade no dia a dia. É essencial que haja alinhamento entre o que a empresa deseja fazer e a postura de todos os stakeholders, incluindo acionistas, fornecedores, funcionários e a liderança. Só com isso é possível começar a desenhar os comportamentos, as crenças e os símbolos desejados. E, claro, olhar para os sistemas da empresa e ter certeza de que estão realmente valorizando e recompensando esses comportamentos. Nesse processo, torna-se fundamental considerar os modelos mentais das pessoas que fazem parte da companhia, que nada mais é do que a forma como veem e se colocam diante das situações diárias. “Win/Win” é um modelo muito importante nesse contexto de transformação da cultura organizacional. E explico por quê: no mundo empresarial, o modelo mental mais evidente é o de “Ganho/Perda”. 

Ganhar participação de mercado, ter o melhor produto, ser o melhor lugar para trabalhar. Porém, ser tudo isso tem a contrapartida de que alguém vai perder share, que o produto concorrente é ruim ou que aquela outra empresa não é boa empregadora. Se isso não mudar, e como demonstrado cada vez mais, cria-se um ciclo onde todos perdem: as empresas, as pessoas, o ambiente etc. Isso pode e tem de mudar. Assim todos podem ganhar. A natureza, a comunidade, a empresa e o governo. No geral, deve-se criar um ambiente consciente, no qual as pessoas entendam seu papel. Em que possam opinar, falar, ter conversas honestas e com muito respeito. Em que eles possam trabalhar juntos e que não haja o “indiscutível”. Também é essencial ter muita disciplina na execução, sem esquecer que uma mudança dessa não vem de um momento para outro, e sim com a aplicação consistente dos comportamentos, símbolos e sistemas criados. 

E é aí que as empresas sempre têm dificuldade. Na primeira crise é muito fácil retroceder. É um erro pensar que implantar a sustentabilidade na cultura organizacional trata-se de uma ação a curto prazo, ou de mandar um recado, ter um plano, fazer um esforço inicial e depois esquecer. Um processo como esse é uma mudança fundamental na companhia. Como uma criança que tem de aprender tudo desde o começo. Seu comportamento, suas crenças, seus relacionamentos e atitudes. Não considerar isso é levar todo o projeto ao descrédito e retrair os negócios no futuro.

 
Timothy Altaffer é presidente da consultoria Axialent do Brasil

  

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