Gestão

A conexão que precisamos

Marcos Nascimento
17 de agosto de 2009

Talento, liderança e resultados: como conectar essas partes para que realmente façam sentido? Alinhar os dois primeiros com resultados é algo difícil. Como, então, demonstrar que uma empresa é saudável do ponto de vista de suas práticas de gestão? Não me refiro à medição de clima organizacional, mas à saúde das finanças, dos talentos e dos líderes da organização.

Ao longo de minha trajetória profissional, percebo que a conexão desses fatores ainda está pendente. Podemos encontrar muitas justificativas, até mesmo nas diversas definições que existem seja para talento seja para liderança. Para evitar qualquer desvio de conceitos, vamos assumir que liderança é o processo de conduzir as ações e influenciar o comportamento e a mentalidade de outras pessoas ( Eugênio Mussak ) e que talento é aquele que tem intelecto notável, que se firma por méritos excepcionais ( Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa ). A partir de uma base conceitual única, vamos aos fatos: a verdade é que nunca fomos demandados a fazer tais conexões. Os fins justificavam os meios e, uma vez tendo atingido os resultados, tanto fazia o “custo” deles, fosse econômico, financeiro, emocional, intelectual ou até mesmo físico. Quem se importava? Aliás, para que se importar, já que nossa forma de liderar e considerar as questões organizacionais foram baseadas em princípios cartesianos (que pregavam que “se você não conseguir verificar, analisar, sintetizar e enumerar alguma coisa, essa coisa logicamente não existe” ) e newtonianos (dos quais se destaca a afirmação de que “tudo se explica pela matemática” )?

Há anos busco uma forma de aplicar ao coeficiente humano essas duas afirmações – sem sucesso. E fico feliz por isso! A razão é simples: os princípios são genialmente corretos. Contudo, sua aplicação no mundo organizacional é que não faz sentido. Não sob o ponto de vista do coeficiente humano. Aí paira o grande engano e, claro, a impossibilidade de estabelecer a conexão entre talentos, liderança e resultados. Esses conceitos são aplicáveis a coisas! Por décadas consideramos o coeficiente humano como um simples recurso, uma “coisa” a mais. E aplicamos toda nossa experiência e bons resultados com coisas em pessoas!

O resultado disso tudo foi o massacre do intelecto, da inovação, da criatividade. Foi a criação de déspotas organizacionais que se perpetuaram até há pouco tempo. Os escândalos corporativos da última década serviram para alterar a forma pela qual empresas sérias fazem negócios interna e externamente. Serviram para colocar o holofote nesses chamados déspotas e tirá-los de cena (pelo menos uma boa parte). Serviram para que essa conexão começasse a chamar a atenção de organizações que querem deixar sua marca por muito tempo, que visam a sustentabilidade.

A conexão de que precisamos está prestes a iniciar. Mas, como disse Maquiavel, “nada é mais difícil de realizar, mais perigoso de conduzir, mais incerto quanto ao seu êxito, do que iniciar a introdução de uma nova ordem de coisas”. Temos uma boa caminhada até termos a de conexão que precisamos: talentos, liderança e resultados.

Marcos Nascimento é consultor organizacional da McKinsey e educador

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