Gestão

A Greve dos Pneus da Empilhadeira

Heli Gonçalves Moreira
13 de outubro de 2014
Heli Gonçalves Moreira / Crédito: Divulgação
Heli Gonçalves Moreira é fundador e sócio-diretor da HGM Consultores / Crédito: Divulgação

Durante uma paralisação de trabalhadores em uma das unidades de uma grande empresa, o diretor industrial resolveu acompanhar de perto o desenrolar dos fatos e as negociações com as lideranças sindicais. Na análise da greve, constatou-se que a principal causa decorrera de uma ação gerencial que centralizou em uma única área a movimentação interna de matérias-primas, insumos e produtos por meio de empilhadeiras. Assim, os motoristas passaram a reportar-se à área de serviços industriais, visando aumento da produtividade e redução de custos.

Antes dessa iniciativa, os supervisores informaram os motoristas sobre a transferência de área e as novas condições de trabalho, entre as quais a adoção de pneus maciços para as empilhadeiras. O desconforto provocado pelo novo equipamento seria compensado com a pavimentação das vias de tráfego interno e instalação de bancos com amortecedores.

Sob o comando de uma nova chefia, os motoristas sofriam forte pressão por resultados rápidos, mas conviviam com a troca dos pneus com câmaras por maciços, mas sem as demais condições combinadas, o que gerou enorme insatisfação dos mesmos. Sabendo da situação, a liderança sindical interna reuniu os motoristas no fim de semana. Na segunda-feira, no primeiro turno, os motoristas não assumiram suas funções, indo direto para o pátio principal. Após poucos minutos, o pátio foi tomado por centenas de operadores em solidariedade aos colegas.

Minutos depois, antes de o sindicato chegar, já tinham uma pauta com 19 reivindicações de todas as áreas, entre elas, os amortecedores e a pavimentação das vias. Após duras negociações com a concessão de vários dos itens reivindicados e com um prejuízo de dois dias de produção, a greve foi encerrada.

O diretor industrial, avaliando o movimento, disse ter feito uma das mais importantes descobertas de sua carreira: que os ativos físicos são de propriedade exclusiva dos acionistas, mas o ambiente de trabalho é de propriedade de todos que o compõem. A grande meta das empresas é contar com uma capacidade produtiva e autossustentável que mantenha seus negócios competitivos e garanta a sua continuidade, e o ambiente de trabalho é dos principais fatores para que isso aconteça. Esse fator, negligenciado por inúmeras empresas que deixam de aproveitar seu enorme potencial, está sustentado no relacionamento com os seus colaboradores.

O bom relacionamento, por sua vez, se sustenta em dois requisitos implícitos: respeito e confiança, que caminham juntos, um apoiando o outro. Um terceiro requisito explícito são os benefícios que ambas as partes devem usufruir da boa relação. Contar com boas políticas de recursos humanos é igualmente fundamental, mas a prática desses requisitos no cotidiano do ambiente de trabalho é que irá torná-lo produtivo e autossustentável.

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