Benefícios

A mesma força

Dum De Lucca
21 de setembro de 2009

As constantes notícias acerca de reduções de postos de trabalho em função da crise financeira mundial acenderam a luz amarela no setor de cestas básicas. Por se tratar de um segmento atrelado ao nível de emprego, era de se imaginar que, com o congelamento de contratações e um acréscimo nas demissões, o mercado sofreria um considerável revés. Mas o cenário não foi tão crítico – talvez um presente atrasado de Papai Noel, já que no fim do ano passado as cestas natalinas foram o item com maior queda em volume de vendas.

Hélio de Camargo, gerente comercial da CBA – Soluções em Benefício Alimentação, conta que a empresa começou a sentir o impacto da crise na campanha de Natal do ano passado, quando algumas companhias cancelaram seus pedidos. “Mas quando começaram as demissões, no primeiro trimestre do ano, não sentimos tanto, uma vez que nos planos de desligamento estava prevista a manutenção de benefícios, como as cestas”, lembra. Foi somente a partir do segundo trimestre deste ano que a CBA começou a perceber algumas perdas: primeiro, no volume das compras dos clientes; depois, no valor da cesta que, de 65 reais, passou a 62 reais.

Na Real Cestas, o cenário foi parecido, conforme relata o diretor comercial, Gustavo Defendi. Lá, a crise reduziu cerca de 9% o número de pedidos no primeiro trimestre de 2009. “Foi quando percebemos que havia muitas dúvidas em relação ao reaquecimento e à necessidade, ou não, de se contratar naquele momento. Mas o reflexo maior foi no Natal de 2008, quando muitos pedidos de cestas foram cancelados e a procura por cestas mais baratas cresceu, fazendo com que o faturamento ficasse bem menor do que em anos anteriores”, conta.

Segundo a diretora administrativa da Nostra Mamma, Cristiane Rolin, a diminuição do volume de cestas vendidas, pelo segmento, foi uma resposta natural dos clientes que tiveram, na época, de demitir funcionários e reduzir custos. “Notamos que alguns deles estavam tão assustados que ficaram paralisados, esperavam algo muito grave e seguraram as despesas. Por trabalharmos com um produto essencial para a alimentação do trabalhador, e por ser um benefício obrigatório para algumas atividades, conseguimos nos manter firmes.”

Como acrescenta Defendi, da Real, trata-se de um beneficio obrigatório por lei ou por convenção sindical, o que ajuda as empresas do setor a manterem-se em momentos de crise, além

de ser um segmento que consegue diluir as perdas mês a mês e com uma melhora no mercado, essas perdas são substituídas por novas contratações.

Enfrentando a crise

Defendi, da Real, conta que, diante das incertezas do mercado no pico da crise, a empresa entendeu que era necessário, num primeiro momento, reforçar a parceria com os clientes. “Com isso, flexibilizamos algumas ações: formas de pagamento que atendessem às necessidades de caixa deles; oferecer opções de outros modelos de cestas e outras marcas de produtos com valores mais baixos que atendessem aos anseios do cliente para que o benefício não fosse cortado.” A partir dessas ações, ele aposta em um crescimento entre 3% e 4%. “É uma meta acessível e, com certeza, poderá ser atingida até o quarto trimestre de 2009 pelas empresas do setor”, diz. 

Na Nostra Mamma, como ressalta Cristiane, não foi necessário aplicar nenhuma medida especial. Foram precisos coragem para continuar contratando profissionais e uma boa reserva no banco para não sentir a variação entre o otimismo e o pessimismo dos clientes. “Melhoramos nossa abordagem e atuação nos médios e pequenos clientes. Com isso, mantivemos as receitas sob controle”, conta a executiva, que espera ver um crescimento de aproximadamente 7% em comparação a 2008. “Fizemos grandes investimentos em tecnologia e recursos humanos em 2009, e esperamos colher os frutos em 2010”, aposta.

Embora não tenha pego o setor de forma contundente como em outras áreas da economia, a crise fez com que muitas fornecedoras de cestas reavaliassem seus procedimentos. Na CBA, por exemplo, foram reavaliados os custos e o orçamento. “Nosso mercado também teve problemas de crédito e precisamos refazer o capital de giro na ponta do lápis. Essa foi a nossa ação dentro de casa, e para as relações externas reorganizamos nossa área de vendas”, lembra Camargo.

 

Futuro

Defendi, da Real, concorda com a necessidade de oferecer, cada vez mais, qualidade no atendimento e nos alimentos fornecidos para buscar novas parcerias comerciais. E vai além: segundo ele, outras ações são necessárias para reforçar essa relação entre clientes e empresas de cestas, tais como oferecer maior agilidade e eficácia nas entregas e, principalmente, um preço justo e compatível com que o mercado está oferecendo. “Como o beneficio é dado mensalmente, nosso mercado não sofre tantas variações. Porém, temos, dentro do ano, grandes oscilações na lucratividade, uma vez que trabalhamos com commodities agrícolas, cujos preços variam quase diariamente e que
compõem muitos dos itens utilizados nas cestas de alimentos”, conclui.  

Crescer nesse mercado parece ser uma missão extremamente desafiadora. Como explica Camargo, trata-se de um segmento saturado. A saída para aumentar vendas e, a reboque, faturamento, é buscar clientes que estão com os concorrentes. Para isso, cada fornecedor deve fazer um trabalho de reestruturação interna forte, para reduzir custos sem prejudicar qualidade de serviço e produtos. Um outro caminho é apostar numa retomada de contratações, o que vai depender, e muito, do humor do mercado, “Talvez haja aumento no segundo semestre de 2010 e
m decorrência de uma resposta mundial à crise”, diz o gerente da CBA.

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