Gestão

A nova arquitetura humana

2 de setembro de 2014
Leyla Nascimento / Crédito: Divulgação
Leyla Nascimento, da ABRH-Nacional: vivemos na sociedade da transparência

Já é comum no mundo corporativo afirmar que os novos tempos demandam novos modelos de gestão. Mas quais seriam esses modelos? Qual a nova arquitetura humana nas empresas daqui para a frente? Qual o papel do RH nesse processo e o que esperar dele? E quem serão os protagonistas dessa mudança? “Em primeiro lugar, precisamos compreender o contexto em que está inserido o mundo corporativo. Vivemos em uma sociedade que chamo de ‘sociedade da transparência’. Ou seja, estamos além de um real time da tecnologia, de conexão de informações de livre acesso em que tudo fica transparente”, diz Leyla Nascimento, presidente da ABRH-Nacional que estará debatendo o tema na abertura desta edição do Congresso Paranaense de Recursos Humanos (CONPARH), promovido pela ABRH-PR.

As mídias sociais são um exemplo dessa transparência, ilustra Leyla, onde tanto pessoas quanto organizações estão expostas nessas conexões globais – não importa se governo, empresa ou profissionais: o que é bom é visto e reconhecido, e o que não é também.

Dessa forma, Leyla acredita que os novos modelos de gestão terão de privilegiar essa transparência. “A empresa cuidará de sua imagem externa e interna, compreendendo que esse novo contexto exige uma arquitetura organizacional que dê espaço para a mobilidade, já que os profissionais de hoje são muito mais exigentes e seletivos”, diz. Ela acrescenta que não somente as organizações escolhem os seus profissionais, mas os profissionais também escolhem as empresas que entenderem essa nova ordem na sociedade. “Isso deixa claro que os valores e a cultura de uma organização devem criar espaços para uma comunicação clara e transparente de seu modelo de gestão”, conta.

Nesse novo cenário, o líder deve estar preparado para atuar com diferentes perfis de profissionais, lembrando que, por estarem em uma sociedade de conexões, o diálogo e o desenvolvimento profissional caminham lado a lado. “Menciono o diálogo não mais como o compreendemos até agora, como feedback, avaliação de desempenho ou criação de maiores vínculos com os colaboradores. O diálogo, hoje, entre o líder e seus colaboradores é para adequação constante das competências necessárias, a partir do entendimento de que cenários corporativos mudam em tempo real, pressionados pela sociedade da transparência”, explica Leyla.

Papel do CEO
Em meio a esse novo diálogo e à construção de modelos de gestão diferentes, a quem cabe apontar os caminhos do tema “pessoas” na organização? Quem é (ou ao menos deveria ser) seu principal sponsor? O empresário Ricardo Cipullo, que também é sócio no Paraná da Renaissance Executive Forums do Brasil, tem a resposta na ponta da língua: o CEO. “Nada é mais estratégico do que construir, manter e desenvolver o time que cuidará da implementação da estratégia definida para a empresa”, explica. Para ele, um CEO que não esteja atento às necessidades de sua equipe tem poucas chances de sucesso.

“A melhor forma de relacionamento entre as empresas e as pessoas é um tema muito extenso, mas os pilares são: respeito mútuo, clareza de objetivos, possibilidade de desenvolvimento, compreensão e aceitação de diferenças. Tudo isso deve ocorrer mutuamente”, conta Cipullo. “As empresas devem compreender e ser compreendidas pelo seu pessoal. Não há mais espaço para relacionamentos frios e distantes, nem tampouco para aqueles pretensamente familiares.”

Cipullo reforça que uma organização “antenada e conectada” é aquela que  ouve e entende seu pessoal.
“Nem precisa de internet para isso, embora a ferramenta seja fantástica. Melhor, é preciso que a organização fale com as pessoas, o CEO deve abrir espaços de diálogo para que todos compreendam as razões por trás das decisões tomadas”, diz. Quanto mais permeável a estrutura da empresa for a essa comunicação, maiores as chances de sucesso.

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Ricardo Cipullo / Crédito: Divulgação
Ricardo Cipullo, da Renaissance Executive Forums: Atuação do CEO / Crédito: Divulgação

Papel do RH
Nesse sentido, ainda na avaliação de Cipullo, o papel do RH é compreender e ser compreendido, ser claro na comunicação e muito ativo na escuta. Entender e divulgar o sentido do que a empresa está fazendo. “Em outras palavras, o que a empresa busca realizar por meio de sua estratégia e por que tem esse objetivo”, diz. Nem sempre isso está claro e na grande maioria das missões e visões são, segundo o empresário, bem fracas e insuficientes para explicar. “Mas sempre existe um propósito. O RH tem de procurar entender o que mantém a empresa em pé. Raramente será dinheiro ou lucro apenas”, conta.

Leyla, por sua vez, afirma que é preciso abrir a “caixa preta da área”. O que ela quer dizer? Simples: os processos de recursos humanos não podem mais estar somente nos muros da área de RH. “Não conseguiremos atrair e engajar os profissionais nesse novo modelo de gestão se não criarmos novas formas de seleção, de engajamento ou educação corporativa. Nossos processos necessitam ganhar vida e estar alinhados com a energia, o otimismo e a transparência que as mídias sociais nos ensinam”, explica. Ela conta que é preciso entender que o conceito, hoje, é desenvolver melhor as competências que os profissionais já possuem e não mais trabalhar nas competências ainda a desenvolver. “Não dá mais para continuar com o modelo de valorização dos iguais e não valorizarmos a diversidade que é fundamental nesse novo modelo. Estamos perdendo tempo quando não investimos naquilo que os profissionais fazem melhor.”

No maior evento sobre recursos humanos do Paraná, Leyla destaca a iniciativa da ABRH-PR, por meio desta edição do CONPARH, de ajudar as empresas do Paraná a criar o caminho em busca da construção de novos modelos de gestão. “Estou muito honrada em participar de um marco histórico que a atual gestão da ABRH do Paraná vem construindo ao trazer uma discussão que não somente leva a refletir sobre a urgência de rever conceitos, mas acima de tudo a destinar um novo olhar sobre a atuação das áreas de recursos humanos. O que está sendo preparado aqui transcende o estado e será uma referência para o país”, diz.

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