A vida em rede

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Mónica Gutierrez procurava informações sobre planos de sucessão. Deixou um recado num dos fóruns de discussão de uma rede social e, em pouco tempo, recebeu dicas de vários outros profissionais da América Latina. Responsável pela área de desenvolvimento da siderúrgica Altos Hornos de Mexico (AHMSA), Mónica teve a chance, graças a um fenômeno cultural suportado pela tecnologia, de ouvir relatos e experiências de executivos e consultores da Argentina, Venezuela e Brasil.

O ambiente de colaboração a que nos referimos pode ter vários nomes: Orkut, LinkedIn, Facebook, Hi5, MySpace etc., mas abarcam um único conceito: o de redes sociais. É a tradução do que a chamada Web 2.0 pode oferecer para nós, pobres mortais, e para as empresas – estas, ávidas por participar de comunidades nas quais seus funcionários, clientes e, por que não, concorrentes possam trocar experiências e informações com o objetivo de superar dificuldades do mercado ou problemas internos, de melhorar um processo ou até mesmo de identificar e recrutar um talento.

Não há como negar: cada vez mais o trabalho e o aprendizado andam juntos. Por essa razão, de acordo com Cláudio Minetto, coordenador do comitê de avaliação do Prêmio E-learning Brasil e diretor da Minetto Editora e Consultores, gerenciar o conhecimento dentro de uma empresa é uma ação crítica. “Normalmente, as organizações que trabalham com gestão do conhecimento precisam de uma plataforma para cuidar disso”, diz. E as redes sociais são um bom exemplo de plataformas.

De acordo com um levantamento da Nielsen, esses sites ocupam o segundo lugar no ranking de acessos à web. Ou seja, 66,8% dos internautas do mundo todo acessam a internet para entrar em redes sociais como o Facebook. Elas ficam atrás, apenas, dos acessos a sites de busca (85,9%) e na frente do e-mail (65,1%). “Isso mostra que muitas pessoas se comunicam por meio dessas redes sociais”, diz Minetto. E a tendência é que elas cresçam em ritmo alucinado. Quer um exemplo?

O número de “habitantes” do Twitter já é superior à população de alguns países: são sete milhões de usuários conectados atualmente a essa rede conhecida também como “microblog” – um aumento de 1.382% em relação a fevereiro do ano passado, quando havia 475 mil participantes. Outro dado importante para o mundo corporativo é que a maioria dos “tweeters”, nome dado a quem participa do site, pertence à faixa etária de profissionais atuantes no mercado. Cerca de 42% dos usuários têm entre 35 e 49 anos e 62% dos participantes acessam o Twitter durante o trabalho, contra 35% que usam a rede apenas de casa.

Conhecimento inesgotável
“Vivemos a era do conhecimento inesgotável”, avalia Luis Augusto Lobão Mendes, professor de estratégia e desenvolvimento organizacional da Fundação Dom Cabral (FDC). Ele explica que, para entendermos bem o que é colaboração, devemos separá-las em classificações.  Quanto à forma,  a colaboração pode ser interna (entre filiais ou mesmo entre colaboradores); feita em  cadeia (com fornecedores e o canal de distribuição); com consumidores (co-criando valor e experiências); ou em massa (aberta, sem restrição geográfica). E esses quatro tipos de colaboração podem gerar: conteúdo, negócios ou inovação. “Ou seja, podemos dizer que a colaboração pode impulsionar os negócios, identificando conhecimento e inteligência com eficácia nunca antes vista, permitindo conectar pessoas e organizações de forma global.”

Assim, participar de uma rede envolve algo mais do que apenas trocar informações a respeito dos trabalhos que um grupo de organizações realiza isoladamente ou mesmo dos seus participantes. Significa realizar  em conjunto ações que modificam as empresas para melhor e as ajudam a chegar mais rapidamente aos seus objetivos. “Dessa forma, implantar ou criar uma rede de negócios colaborativa requer, inicialmente, uma discussão sincera dos benefícios mútuos gerados”, diz Lobão. E, em tempos de crise, gerar um ambiente de colaboração por meio dessas redes sociais pode ser uma ferramenta de baixo custo para manter em dia, ou incrementar, a inovação e o aprendizado na empresa.

Isso porque elas têm um potencial muito grande de canalizar necessidades de aprendizagem que não são respondidas pelos métodos tradicionais de transferência de conhecimento e informação. “Pesquisas mostram que o aprendizado formal nas empresas responde apenas por 30% das necessidades de atualização. O restante acontece informalmente. É aí que tais redes podem ter um papel relevante”, afirma Miguel Niesembaum, diretor da consultoria Mapa de Talentos.

Porém, para que isso aconteça, é fundamental a criação de um ambiente que permita a busca contínua por novos conhecimentos e que seja eficaz na resposta a essas necessidades. “Não se trata, necessariamente, de um especialista no assunto, mas de um facilitador de encontros”, diz Miguel. Ganha um perfil no Ikwa quem adivinhar quem seria esse facilitador… Isso mesmo: o RH. Ele poderá aproveitar e utilizar essas redes na medida em que promover na empresa a necessidade de “saber mais”, muito além do “saber atualmente”. “O ´saber onde e com quem´ estará substituindo o ´saber o que´ e o ´saber como´”, acrescenta o também diretor da Mapa de Talentos, Hugo Niesembaum.

Hugo participa da rede da revista mexicana Conocimiento y Dirección com o objetivo de trocar experiências sobre talent management. O grupo que discute esse tema foi criado em dezembro do ano passado. Eram cinco pessoas em janeiro e, atualmente, já somam mais de 50. “Ao longo de três meses, trocamos experiências com profissionais da Argentina, México, Peru, Bolívia, sempre abordando temas como instrumentos usados na identificação de talentos até planos de sucessão”, diz Hugo. E uma dessas pessoas que participa dessa rede e que estava interessada em dicas sobre planos de sucessão é a mexicana Mónica Gutierrez, do início desta matéria.

Ela conta que entrou na rede para compartilhar experiências e obter ajuda sobre outras questões. “Coloco em discussão assuntos sobre os quais tenho dúvidas sobre como proceder ou como implantar algum novo processo na empresa em que trabalho”, diz. Os comentários que recebeu serviram para que ela percebesse como outras companhias lidam com o planejamento de sucessores. “Atualmente, desenhamos um plano dessa natureza em nossa empresa, mas mais focado no pessoal de alta performance, buscando impactar diretamente para cobrir as posições-chave”, destaca Mónica.

Miguel e Hugo Niesembaum, da Mapa de Talentos: o “saber onde e com quem” vai substituir o “saber o que”

Bloqueio de web
A rede Conocimiento y Dirección foi criada por Marcelo Natalini e faz parte de uma iniciativa que engloba também uma revista (que leva o mesmo nome), conferências e consultoria, e cujo objetivo é desenvolver um conhecimento especializado sobre RH para a América Latina. Atualmente, ela conta com 650 membros de mais de 15 países. Já antevendo o futuro, Natalini adianta o que pode ser a Web 3.0: um ambiente que unirá todas redes em torno de uma única identidade por usuário – ou seja, sem a necessidade de fazer um cadastro diferente para participar de cada uma. Em meio a mais um avanço na tecnologia, uma pergunta se faz ao RH: o que ele poderá fazer para deixar de lado essas inovações? É um caminho sem volta e ele pode se beneficiar com isso, desde já, como diz Natalini: “O RH saberá muito mais dos interesses dos candidatos e poderá recrutar aqueles que não apenas tenham o perfil adequado, como também os interesses e contatos de que as empresas necessitarão”.

Parece claro que as redes podem (e muito) ajudar as empresas em momentos de crises como a que vivenciamos – seja para encontrar um profissional-chave, seja para buscar soluções em ambientes colaborativos. No entanto, muitas companhias ainda veem o acesso à web como algo que deve ser barrado ou controlado. Trata-se de uma batalha que, segundo Natalini, será perdida, porque as novas gerações não sabem como se comunicar sem a web. “O melhor que [essas empresas] podem fazer é embarcar na onda, antecipar-se às mudanças e aprender como utilizá-las”, aconselha.

Por outro lado, não se pode negar que, em alguns casos, o bloqueio à web pode ser saudável. Imagine tornar público um segredo industrial. Ou, então, pense naqueles funcionários (e sempre existem pessoas assim) que passam boa parte de seu tempo no escritório em sites que não o ajudarão em nada. Por essa razão, é fundamental existir um processo de conscientização sobre o uso adequado da internet, como aconselha Fran Winandy, consultora da Acalântis e criadora de um site de recrutamento baseado em redes sociais, o Alludere.

Vale lembrar que permitir o uso da internet no ambiente de trabalho, explorando todas as suas possibilidades, é uma das formas de atrair e reter talentos da chamada Geração Y. Como já nasceram num mundo marcado pela tecnologia, as ferramentas de comunicação e interação via web são, para eles, parte da vida. “Esses jovens querem conciliar trabalho e vida pessoal. Estão acostumados a viver numa economia globalizada e a usar o computador com uma habilidade fascinante. Basta olharmos o número de blogs e a presença maciça deles nas redes sociais pelo mundo”, analisa Fran.

O estudante de administração Alexandre Veiga orgulha-se de ser um exemplo da Geração Y e, numa rápida contagem, lista 11 redes das quais participa, de Orkut a LinkedIn. Ele visita todas pelo menos uma vez por semana, mas garante que algumas sempre contam com sua participação diária, como as duas já citadas e o Twitter.

Veiga acredita que as redes o ajudam ao aproximá-lo de pessoas com as quais teria dificuldade de encontrar em outros momentos, seja ao vivo ou até em comunicadores instantâneos. Por meio delas, ele diz para o mundo o trabalho que realiza e consegue encontrar parceiros para dividir conhecimento – não importando onde estejam. Isso porque o escritório, da maneira que conhecemos, com suas baias e a área do café, parece estar com seus dias contados. Notebooks, redes 3G e BlackBerrys são alguns dos exemplos de ferramentas que trazem uma nova mobilidade ao mundo corporativo. “A única coisa que prende as pessoas no escritório são suas lideranças. No futuro, ambientes colaborativos serão a melhor maneira para trabalhar, ampliando ainda mais os horizontes para o RH”, reforça Veiga que, ainda, diz fazer parte de uma nova geração, a F (leia mais abaixo) .

Para o professor Lobão, da fundação Dom Cabral, vivemos a era do conhecimento inesgotável

Marketing pessoal
Não é preciso ser da Geração Y para entender o real uso da web e das redes sociais. Para algumas pessoas, a internet não é uma vantagem, mas uma condição indispensável para o trabalho. Que o diga a tradutora e sócia da Universus Traduções Juliana Samel. Ela fez a tradução de um manual para a Unesco e de alguns livros a partir de contatos realizados por meio da comunidade Tradutores e Intérpretes BR, do Orkut. “Também já pedi, e consegui, ajuda de colegas pela mesma comunidade. Não é um local específico para postar ofertas de trabalho, mas, como congrega muitos tradutores e aspirantes, é um bom lugar para oferecer e receber oportunidades dessa natureza”, ressalta. E como acontece com a maior parte dos clientes dela, os quais ela só conhece virtualmente, usar os recursos da web é requisito básico. “Sem internet eu não poderia trabalhar.”

Eduardo Bertocco é outro exemplo de quem acredita no poder da web. No LinkedIn, por exemplo, Bertocco, que é consultor na DBACorp em projetos de BI, reencontrou um amigo. Mas ele espera mais do que rever amizades de longa data: tem interesse em encontrar uma oportunidade de emprego na região de Campinas (SP) e acredita que, por meio do network que o site permite, possa ter mais chances. “Escolhi o LinkedIn porque ele oferece a seriedade necessária para relacionamentos profissionais, sem a futilidade do Orkut.”

Mas há quem discorde disso, mais precisamente sobre a futilidade do Orkut. Luís Testa, sócio da Saber Comunicação e Design, participa ativamente de redes sociais desde 2006. Atualmente, está cadastrado em várias como Facebook, Via6, Ikwa e Hi5, além de acompanhar e de participar de alguns blogs. No entanto, o Orkut, devido ao número de usuários no Brasil, e o LinkedIn, em função da qualificação de seus usuários e do perfil voltado ao networking profissional, são as redes que ele acessa diariamente. E faz isso por duas razões. A primeira é profissional, já que seu trabalho está relacionado ao marketing de uma empresa da área de e-recruitment e essas redes oferecem imensas oportunidades de divulgação de serviços e produtos.

O segundo objetivo é pessoal: pelo Orkut ele encontra e mantém contato com amigos e colegas que, em algum momento, fizeram parte da vida dele. “Pelo LinkedIn reforço meu networking profissional e, por que não, meu marketing pessoal. Pelo Facebook e MySpace mantenho contato com amigos que fiz viajando pelo exterior. Já cheguei a realizar negócios para um amigo de colégio, cujo contato foi retomado graças a uma comunidade de ex-alunos, do Orkut.”

Rede de receios
Quando Fran era estagiária na área de seleção de pessoal num grande banco, em meados dos anos 80, não havia computadores no RH, nem banco de candidatos, nem fax, nem internet. “Hoje, se o computador para, ninguém trabalha”, diz. “A inovação tecnológica é um caminho sem volta”, acrescenta. E que, muitas vezes, pode assustar qualquer um – daí as inúmeras barreiras sobre a utilização da tecnologia pelo RH, certo? Em parte sim, em parte não. Neste último caso, Fran lembra que muitos profissionais da área usam o LinkedIn, participando ativamente dos fóruns de debates e usando essas ferramentas para networking. E não apenas para isso: para recrutar também.

Participante da rede HRM Today (ler mais abaixo) , a consultora Arzu Barské acredita que essas redes são eficientes para buscar novos talentos. Nesse sentido, ela destaca, além do LinkedIn, o Pronected. Mas como separar o joio do trigo, isto é, os perfis falsos dos verdadeiros? Esse é um dos motivos alegados por alguns RHs para não embarcarem nas redes sociais. “Um bom recrutador consegue identificar um perfil falso. Do total de perfis virtuais, entre 15% e 20% não são verdadeiros. As chances desses candidatos serem recrutados vão depender da forma com a qual eles reagem ao chamado da empresa”, diz Arzu, diretamente da Holanda, onde trabalha.

De fato, qualquer um pode escrever qualquer coisa em seu perfil, como ter participado de um curso que nunca existiu na Europa – o mesmo que pode ocorrer com o tradicional currículo impresso na “vida real”. Caberá sempre à empresa e aos profissionais terem o cuidado de checar a veracidade das informações. “É o que dizemos aos nossos filhos com relação ao Orkut: nem sempre o que você lê é a realidade e isso tem de ser checado em algum momento”, destaca Fran, que  dá outra dica para quem vai entrar nesse ambiente: você só deve mostrar o que lhe interessa e não custa ter cuidado com as informações e fotografias que coloca – pode haver alguém malintencionando acessando o seu perfil. Enfim, bom senso é fundamental.

 

Papo na rede

 

Para se relacionar bem no ambiente virtual é preciso, também, saber se relacionar no real

Quem não consegue se relacionar na vida real também não vai ter muito sucesso no mundo virtual. O aviso é de Lance Haun, um executivo de RH que, em parceira com Laurie Ruettimann, criou a HRM Today (http://network.hrmtoday.com). Ele acredita que as redes sociais de RH estão crescendo e que é cada vez maior o número de profissionais da área que navegam em busca de conteúdos para aplicar em suas atividades. No entanto, grande parte do valor dessas redes deriva do uso que cada um faz delas.

Por que criar o HRM Today?
Lance Haun –
O site surgiu em junho de 2008 como uma forma de reunir bons conteúdos de RH num mesmo local. Eu e a Laurie Ruettimann transformamos o network social que ela tinha na época no que o site é hoje. Basicamente, a ideia é ter um lugar de encontro entre profissionais de RH, no qual eles podem ler textos interessantes e interagir com os outros em um ambiente informal.

O senhor acredita que o HRM Today contribui, de fato, com o RH?
Haun –
Acho que tem, sim, impacto positivo na atuação desses profissionais. Tenho lido posts sobre nossa rede e sobre temas discutidos que despertam grandes debates. Acompanho as discussões interessantes que vêm ocorrendo nos nossos fóruns e nos perfis das pessoas mantidos no HRM Today. Temos um grupo bem diverso, com pessoas especialmente da América do Norte, Europa e partes da Ásia. Como essas redes sociais podem contribuir com o trabalho do RH? Haun – As pessoas usam essas redes para perguntar ou obter retorno sobre os programas que estão implementando ou sobre suas atividades. Há todo tipo de expert usando nossos fóruns e blogs para obter informações. Mas isso também depende da intensidade com a qual você quer participar. Parte do valor dessas redes deriva do uso que você faz delas.

A Web 2.0 pode ser uma boa ferramenta para as empresas que querem recrutar novos talentos?
Haun –
Claro que depende do setor em que a empresa se insere, mas acredito que a Web 2.0 é o melhor caminho para quem quer recrutar posições técnicas ou profissionais ligados a atividades criativas.

Sites como Mangofizz e Career Builder oferecem contato direto entre empregadores e candidatos a empregos ou projetos. No futuro, o conceito de contratação será substituído pelo conceito de colaboração?
Haun –
Não sei sobre o futuro, mas a tendência é que se tornem mais populares as colaborações a curto prazo em projetos em detrimento dos empregos a longo prazo. Eu não ficaria surpreso se em dez anos a gente passasse a ter de 10% a 15% da força de trabalho sendo utilizada como agentes livres.

No Brasil, temos poucos casos de pessoas que conseguiram empregos em sites como LinkedIn ou Facebook. Como é nos EUA?
Haun –
Minha filosofia é que as pessoas só conquistam trabalhos a partir de relacionamentos. Facebook e LinkedIn, por exemplo, são plataformas para a construção ou a manutenção de um relacionamento. Pessoas que não são boas em se relacionar com certeza não serão contratadas nesse sites.

 

Mais uma geração

 

Agora é a vez do Facebook

Temos a X e a Y e, agora, contamos com mais uma geração: a F, de Facebook. Quem avisa é o professor de estratégia e gestão internacional da London

 

Business School Gary Hamel em sua coluna no The Wall Street Journal . Cofundador da consultora internacional Strategos e diretor do Management Innovation

 

Lab, Hamel lista as principais características relacionadas ao trabalho que esse contingente que se relaciona por meio de redes sociais irá exigir das empresas.

Confira algumas:
1 – Todas as ideias competem no mesmo patamar.
2 – Contribuição conta mais do que a credencial.
3 – Hierarquias são naturais, não impostas.
4 – Líderes servem, não presidem.
5 – As tarefas são escolhidas, não impostas.

Saiba mais em http://blogs.wsj.com/management/2009/03/24/the-facebook-generation-vs-the-fortune-500/

 

Exemplo de colaboração

Farmacêutica investiu, em 2008, 6,5 milhões de dólares na rede Innocentive

Com o slogan “onde o mundo inova”, a rede social Innocentive (www.innocentive.com) se define como uma comunidade inovadora de pessoas inteligentes e criativas, que fornece soluções para problemas difíceis no mundo dos negócios, da ciência, do desenvolvimento de produtos etc. A rede foi criada em 2001 pela farmacêutica Eli Lilly, que resolveu expor na internet seus projetos em busca de profissionais que desenvolvessem soluções para os problemas apresentados.

No entanto, o Innocentive acabou se expandindo e hoje é utilizado por pelo menos 50 das 500 maiores empresas dos EUA. A rede conecta companhias, instituições acadêmicas e organizações do setor público e sem fins lucrativos, reunindo mais de 160 mil pessoas com “as mentes mais brilhantes do mundo.” “Os pensadores criativos – engenheiros, cientistas e profissionais da área de negócios, com expertise em ciências humanas, engenharia, química, matemática, informática e empreendedorismo – se unem na comunidade”, afirma o site.

Só no ano passado, a Eli Lilly investiu 6,5 milhões de dólares para melhorar a plataforma do Innocentive e expandir seu network de “solucionadores”, pessoas que submetem suas ideias às empresas e instituições. O dono da solução que for escolhida recebe um pagamento, que pode variar de 10 mil a 1 milhão de dólares, após transferir os direitos autorais da mesma para a companhia. Todos os dias, um novo problema é publicado e cerca de 40% conseguem uma solução viável em até seis meses.

 

Importância crescente

FHC, que fará palestra de encerramento do CONARH, destaca papel das redes sociais

Para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, representações sociais, como partidos políticos e sindicatos, estão mais frágeis, enquanto a internet, por meio de suas redes sociais e ferramentas de interação, como os blogs e o Twitter, por exemplo, se fortalece dia após dia.

A afirmação foi feita em reunião com dirigentes da ABRH-Nacional, quando FHC confirmou que fará a palestra de encerramento do CONARH, no próximo dia 21 de agosto, debatendo o tema Da realidade que temos para o futuro que queremos: oportunidades e tendências.

Segundo FHC, muitos podem imaginar que a modernidade trouxe o fortalecimento do indivíduo, mas isso é apenas uma ilusão, pois mesmo nos tempos atuais o indivíduo precisa agir em conexão com outros: “É fato que as instituições coletivas, por meio das quais as pessoas se faziam representar, como partidos políticos e sindicatos, não têm mais tanto poder quanto no passado, mas o indivíduo não pode agir sozinho. O que estamos vendo é que, hoje em dia, organizações sociais, como governos e empresas, não precisam mais de intermediários para conversar com a população, podendo fazê-lo pela internet”, assinala.

Assista ao vídeo com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no Blog da ABRH-Nacional: http://abrhnacional.org/2009/04/01/fernando-henrique-cardoso-no-conarh-2009/

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