ABRH cria diretoria de pesquisa

12 de Janeiro de 2011

Dentro de sua missão de estimular o desenvolvimento da área de recursos humanos no Brasil, a ABRH-Nacional encerrou 2010 com a criação da diretoria de pesquisa, liderada pelo especialista em educação corporativa Eugenio Mussak. Confira a seguir uma entrevista com o executivo.

Qual é a sua avaliação a respeito do universo das informações levantadas hoje sobre RH no país?

Eugênio Mussak: Há uma grande carência. O Brasil tem pouca tradição em dar tratamento estatístico para as informações em todas as áreas. Trata-se de uma prática que precisaremos desenvolver, pois um conjunto de dados consistentes e confiáveis é uma imensa ajuda na tomada de decisões, seja pelas empresas ou pelo poder público. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) disponibilizam dados a respeito da situação do emprego no país. Se bem utilizados, podem ser muito úteis para as estratégias de expansão empresarial, pois, a partir deles, é possível fazer projeções bastante elucidativas. É possível avançar muito na criação de uma cultura que inclua uma visão mais crítica da antropologia do trabalho em nosso país.

Que contribuição a diretoria de pesquisa pretende dar para as organizações?
A ABRH é o órgão de referência no segmento, dotado de legitimidade, representatividade, respeito e influência. Suas ações e manifestações ganham caráter praticamente oficial, são copiadas e servem de parâmetro e orientação. Assim, justifica-se que possua um órgão interno competente para prover a sociedade de informações adequadas e confiáveis, capazes de aprimorar os processos de planejamento e tomadas de decisão. Não podemos imaginar um país rico e desenvolvido que não conheça sua realidade em todas as áreas. A diretoria de pesquisa pretende ter uma atuação bastante ativa junto às empresas, que passam a ser, ao mesmo tempo, provedoras de dados e consumidoras de informações.

Quais são as principais barreiras a serem vencidas para realizar esse trabalho?
A principal delas é o modelo mental do profissional brasileiro, acostumado a trabalhar com base em suas percepções e intuições, que são muito boas, mas, na maioria das vezes, não suficientes para esclarecer os dados da realidade. Além disso, há o fato de que, não raramente, as empresas se negam a divulgar dados internos com medo da exposição à concorrência. Precisamos evoluir em nossa mentalidade de pesquisa. Os livros de autores americanos de gestão, por exemplo, costumam apresentar muitos dados empresariais que os ajudaram a chegar às conclusões publicadas. Para dar uma ideia, o último livro do Jim Collins ( Como as gigantes caem ) é consequência de uma pesquisa que tomou oito anos, segundo o autor. Quase um terço do livro é dedicado a apresentar sua metodologia. Autores assim ganham credibilidade, pois não partem de “achismos” ou de ideias sem consistência.

Quem são os parceiros que a ABRH busca para esse trabalho?
Os parceiros serão todos os integrantes do mundo do RH no Brasil, mas algumas parcerias estratégicas deverão ser estabelecidas, principalmente com universidades e escolas de gestão, que já estão sendo contatadas. Há, também, órgãos de outros países, como a SHRM (Society for Human Resource Management), congênere norte-americana da ABRH que publica pesquisas produzidas por instituições ou profissionais de RH, que atualizam o setor com novas visões. Estou bastante interessado em conhecer a metodologia utilizada por eles.

Quais são as suas expectativas?
A curto prazo temos de trabalhar na estrutura da nova diretoria. Espero que já tenhamos para o próximo CONARH, em agosto, alguns resultados de nossos trabalhos. Minha expectativa passa por aspectos como: conferir à ABRH o status de fonte confiável de informações e dados qualitativos e qualitativos sobre o RH no Brasil; criar uma base de dados para consubstanciar previsões e suportar planejamentos de RH e ações organizacionais públicas e privadas e da própria ABRH; colaborar com a imprensa e órgãos de comunicação oficiais e privados; dar origem a trabalhos científicos elaborados por profissionais do setor, formandos, mestrandos, doutorandos e pesquisadores; alertar os órgãos oficiais responsáveis pelo planejamento de ações sociais a respeito de necessidades, problemas emergentes, distorções regionais, dificuldades futuras no segmento; e entender as demandas, obstáculos e desafios que RH deve enfrentar em um futuro próximo, especialmente para fazer frente ao surto de crescimento que o Brasil deve experimentar.

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