Alquimista corporativo

10 de fevereiro de 2014
Leyla Nascimento
Leyla Nascimento

Há um termo grego que parece muito apropriado quando o assunto é gestão de pessoas. Trata-se da palavra phármakon, que pode significar tanto remédio quanto veneno. Na verdade, há mais uma acepção, a de cosmético, como nos diz Platão em Fedro (a linguagem é um phármakon quando ajuda a mascarar uma realidade). Mas qual seria o remédio ou o veneno no mundo corporativo? A resposta é simples: as pessoas.

Muitos dos estudos sobre gestão de mudança apontam o ser humano como um dos principais obstáculos ao sucesso de iniciativas dessa natureza. Esse é um exemplo de como esse importante ator pode ser encarado pelo aspecto mais negativo. E não é de estranhar, pois todo e qualquer processo de mudança traz, como tudo que é novo, uma dose de medo e uma pitada de ansiedade. Sair da zona de conforto não é fácil. Ao mesmo tempo, para outras pessoas, a possibilidade de mudanças desperta a expectativa de abrir novos horizontes, de vencer desafios. Assim, se por um lado encontramos quem represente o veneno na empresa, também vemos quem atue como remédio, ajudando a minimizar as dores de um processo de transformação. Em um mundo no qual as relações de trabalho estão cada vez mais complexas e os cenários mais inconstantes, fazer aflorar o lado remédio das pessoas tem sido uma das demandas mais urgentes de recursos humanos.

#L# Transformado em uma espécie de alquimista corporativo, cabe ao RH engajar as pessoas nos propósitos da organização, alinhar o que a empresa quer e o que o indivíduo almeja, criar um ambiente virtuoso a partir de um novo contrato social entre essas partes e entender (e muito) sobre o negócio da empresa e o dele – que são as pessoas. Essas são algumas das tarefas que se colocam de forma urgente diante de recursos humanos e que serviram para uma boa e acalorada discussão entre as pessoas que integravam os comitês executivo e de criação do CONARH 2014, no fim do ano passado. Esperamos, a partir desse e de outros debates, apresentar não uma receita pronta para o RH vencer seus males, mas os remédios mais indicados para que ele encontre o caminho e as ferramentas para ousar, inovar e performar.

Leyla Nascimento é presidente da ABRH-Nacional.

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