Gestão

As diferentes faces do trabalho a distância

12 de Maio de 2014
Wolnei Tadeu Ferreira
Wolnei, da ABRH-Nacional: atualização tímida de nossa legislação

A evolução tecnológica modifica e sofistica cada vez mais o ambiente de trabalho que, por sua vez, historicamente restringia-se aos escritórios tradicionais, com toda infraestrutura disponível para receber diariamente, no “horário comercial”, os funcionários da empresa. Além disso, as questões que surgiram com o ritmo acelerado dos grandes centros, como a mobilidade urbana comprometida e a consequente queda de produtividade, têm levado empresas e colaboradores a pensarem em modalidades alternativas de trabalho, o chamado teletrabalho.

Entretanto, a adoção do trabalho a distância, como é mais conhecido, implica questões de ordem cultural, um assunto que transpassa pelos diferentes departamentos das empresas e ainda possui poucos casos de sucesso como referência.

Isso sem falar do aspecto legal, uma vez que a legislação brasileira ainda deixa a desejar quando o assunto é trabalho a distância. “Nossa legislação sofreu uma alteração e atualização no final de 2011, mas muito tímida, pois apenas reconheceu que a tecnologia pode ser usada para caracterizar o controle e a supervisão do empregado. Em outros países, especialmente na Europa e nos EUA, já há legislação há mais de 20 anos”, diz Wolnei Tadeu Ferreira, diretor Jurídico da ABRH-Nacional. Como exemplos ele cita: Portugal, Espanha, EUA, Rússia e, mais próximo de nós, Colômbia, Venezuela, Costa Rica, Peru. “E até a Argentina, que, embora não tenha legislação a respeito, possui um programa muito bem desenvolvido. Enquanto isso, nós, brasileiros, seguimos com uma legislação antiga e tímida”, alerta.

Por isso, a associação, em parceria com a ABRH-SP e com o apoio da Sociedade Brasileira de Teletrabalho e Teleatividade (Sobratt), vão realizar, neste mês, o I Fórum ABRH-Nacional de Teletrabalho – Trabalho a distância e tecnologia inovando a gestão de pessoas. O evento acontecerá nos dias 29 e 30 de maio, no Auditório Abril, na capital paulista.
Para dar uma ideia do que foi preparado para o público, dois especialistas em mobilidade urbana, um dos principais problemas enfrentados pelas empresas e seus funcionários nos grandes centros e que vem fechando o cerco no binômio produtividade-qualidade de vida, estarão na palestra de abertura: os consultores Andréa Leal e Olimpio de Melo Alvares Junior.

Andréa é consultora em políticas públicas do Banco Mundial (BM) e do World Resources Institute (WRI). Ela atua na preparação e supervisão de projetos de transporte urbano do BM, incluindo os empréstimos para construção das linhas 4 e 5 do metrô de São Paulo, para a modernização do sistema da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e, no Rio de Janeiro, para a aquisição de trens para a Supervia – Trens Urbanos. Além disso, coordena o Projeto-Piloto de Mobilidade Corporativa, resultado de uma parceria do BM/WRI com empresas para buscar melhorias de mobilidade na cidade de São Paulo.

Já Alvares Junior, que é consultor ambiental e diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Sobratt, trabalhou por 25 anos na Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) em programas de controle de poluição atmosférica e transporte sustentável. Ele também fundou a Comissão de Meio Ambiente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP ) e é membro-fundador do International Council on Clean Transportation (ICCT), dos EUA.

Ambos participarão do painel O teletrabalho como alternativa aos problemas de mobilidade urbana, que terá Françoise Trapenard, diretora de sustentabilidade da ABRH-Nacional, como moderadora.

Liderar a distância e outros desafios
Para os gestores de equipes, o fórum levará à discussão a liderança a distância e todas a suas implicações, como supervisão e avaliação de performance, entre outros aspectos inerentes ao papel do líderes.

O painel terá a participação de Edson Mattos, consultor de coaching a distância, e Glaucimar Peticov, diretora de RH do Bradesco e líder da diretoria de trabalhos e estudos de liderança da ABRH-Nacional. Eles terão como moderador Cléo Carneiro, consultor em desenvolvimento organizacional, gestão de pessoas e teletrabalho, que também é conselheiro da ABRH-SP e diretor da Sobratt.

#L# Também estão confirmados Antonio Neto, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados e Tecnologia da Informação do Estado de São Paulo (Sindepd), maior representante sindical brasileiro dos profissionais de TI, e José Roberto Melo, ex-superintendente do Ministério do Trabalho e Emprego no Estado de São Paulo. Juntamente com Wolnei Ferreira, diretor jurídico da ABRH-Nacional, eles vão debater os aspectos trabalhistas e sindicais do trabalho remoto.

E, para tratar das tecnologias necessárias ao trabalho a distância, o fórum contará com um bloco de debates específico sobre o tema, com a participação de Sonia Boiarov, fundadora da Torres de Teletrabajo, empresa argentina especializada em implementação de teletrabalho para empresas.

Sonia participará por videoconferência e terá como parceiros, no palco do Auditório Abril, David O’Keefe, consultor em tecnologia; Thiago Paretti, diretor de negócios da Genesys Prime e diretor de TI da Sobratt; e o mediador Tawan Pimentel, sócio-diretor da HOM – Home Office Management.

> Confira a programação completa no site da ABRH-Nacional: www.abrhnacional.org.br
> Mais informações: Tel. (11) 3138-3420 / teletrabalho@abrhnacional.org.br

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