Até parece que foi ontem

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    Há quase dez anos, recebi do então editor desta revista, Paulo Jebaili, a tarefa de traçar o perfil do jeito brasileiro de ser RH. A pauta nascera de uma conversa com o nosso, também então, colunista José Emídio Teixeira, e seria a matéria de capa da edição do CONARH de 2002. Até parece que foi ontem: ao ouvir mais de uma dezena de profissionais e especialistas, foi possível comprovar o que opinara Sérgio Buarque de Holanda havia 25 anos no jornal Folha de S.Paulo: a contribuição brasileira para a civilização seria de cordialidade. “Daremos o homem cordial”, escreveu Holanda. Um dos traços marcantes desse perfil era a cultura do relacionamento, acompanhada pela capacidade de ser flexível e de se adaptar às mudanças. Também, pudera! Num passado não muito distante daquela época, nossos executivos eram postos à prova num dia a dia no qual tinham de exercitar permanentemente o jogo de cintura, a resistência à frustração e a capacidade de usar, também, a intuição nas tomadas de decisões.

    Quem não se lembra dos índices galopantes da inflação? Dos vários pacotes econômicos que apareciam tentando dar um jeito nisso? Quem chegou a usar o bottom de fiscal do Sarney? Eu não, confesso. Mas lembro-me de ver na televisão um grupo de pessoas fechando um supermercado ao som do hino nacional. Como me lembro, também, ainda na escola, de ouvir a expressão “gigante adormecido”. Olhando para trás, parece quase inimaginável o salto que demos no tempo. Se havia a forte tendência de nosso RH ganhar o mundo, agora mais que nunca isso é uma realidade. Não apenas vemos mais brasileiros ocupando postos-chave em multinacionais lá fora, como também vemos nossas empresas brasileiras se internacionalizando e levando para o exterior esse pessoal. Também, passamos da posição de devedor para de credor no mundo. É como bem lembra o consultor Augusto Gaspar em nossa matéria de capa desta edição: se um economista tivesse sido abduzido nos anos 1990 e tivesse retornado agora, teria a impressão de estar no planeta errado.

    Nesses anos todos em que nosso RH se transformou, MELHOR esteve sempre presente, registrando cada passo dessa evolução. E não apenas noticiando suas conquistas, mas auxiliando-o nesse processo, fosse por meio da antecipação de tendências, ou por meio da discussão de pontos ainda necessários à sua melhoria. Agora, completamos 20 anos, uma trajetória que teve início quando ainda a revista se chamava Ser Humano, nome com o qual a recebemos da ABRH-Nacional, aqui na Editora Segmento – na verdade, essa história vai mais além, encontrando ecos ainda no tempo das relações industriais, nos anos 70. Se nesse tempo que passou confirmamos a cordialidade e a competência brasileiras no campo da gestão de pessoas, apesar de alguns percalços, vamos acompanhar de perto as mudanças que virão nas duas próximas décadas. Serão vários os desafios para o RH. Para vencê-los, estaremos ao seu lado, fornecendo o melhor conteúdo para que ele seja, cada vez mais, um profissional melhor. Conte conosco!

     

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    Gumae Carvalho é editor de MELHOR – Gestão de Pessoas, revista oficial da ABRH. Antes, também trabalhou nas revistas Educação e Ensino Superior. Foi professor na Faculdade Cásper Líbero (onde se formou em 1993), assessor de imprensa, consultor editorial e um dos criadores do fanzine (e depois revista) Panacea.
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