Atrair (e reter) o talento quando jovem

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Liane Martinez Malabarba
Liane, da Braskem: formar a nova geração de profissionais

Buscar o talento ainda jovem. Em meio à guerra pelos melhores profissionais, empresas do Rio Grande do Sul apostam em programas de estágios, trainees e de aprendizes para vencer essa batalha. Multinacional brasileira presente em todos os polos petroquímicos no Brasil e no exterior, a Braskem implantou o Programa de Jovens, que está estruturado para recepcionar e formar jovens profissionais que estejam dispostos a se comprometer com a cultura da organização para carreiras locais ou globais. O programa é dividido em: Programa Jovem Parceiro, que forma trainees e estagiários universitários; Programa de Estágio Técnico; e o Programa de Aprendizes. Atualmente, a empresa conta com 31 trainees, 366 estagiários universitários, 197 estagiários técnicos e 36 aprendizes. “Acreditamos no talento e potencial dos jovens para formar a nova geração de profissionais da companhia”, diz Liane Martinez Malabarba, gerente de Pessoas & Organização (P&O) da Unidade de Insumos Básicos RS da Braskem.

O Programa Jovem Parceiro — estágio universitário — teve 44.898 inscrições no ano passado, o que representou um aumento de 53% em relação a 2012, devido principalmente à unificação do programa em conjunto com as demais empresas do grupo. Ele possui dois processos seletivos corporativos anuais. Em cada um, a empresa conta com o apoio de um parceiro nos processos de atração, recrutamento, triagem de currículos e comunicação com os candidatos.

Passado esse processo inicial, é feita a primeira etapa presencial que consiste em uma dinâmica de grupo, na qual os candidatos desenvolvem cases construídos com base em temas e processos da companhia. Nessa etapa, os integrantes da equipe de P&O avaliam se os candidatos possuem aderência às características esperadas pela empresa. Os aprovados nessa etapa passam para o Painel de Negócios, onde já estão divididos por áreas pelas quais optaram concorrer. Liane destaca que nessa fase há, também, a presença do líder da área requisitante da vaga e o P&O que o apoia. Os candidatos passam pela resolução de mais um case em grupo. “Ao final, passamos o resultado da etapa para todos e os que forem aprovados seguem para entrevista com o líder imediatamente, se encaminhando para o final do processo”, explica.

No programa Jovem Parceiro — trainee — a seleção é feita internamente. Em 2013, foram indicados 91 estagiários por meio de seus líderes. “Ao aproveitar os jovens que já estão integrados e aculturados pelo programa de estágio, acreditamos que isso gere resultados melhores e mais efetivos, trazendo uma construção de carreira de longo prazo na organização”, diz Liane. No programa de aprendizes, a seleção é feita de forma descentralizada em cada uma das unidades de negócio, considerando o número de vagas e tipo de formação.

Os programas têm duração de um a dois anos e todos possuem um módulo de integração para que os jovens conheçam a Braskem: onde ela está, o que faz, quais os principais produtos, clientes e a estratégia de crescimento dos negócios. Também há em comum o módulo de cultura, para apresentar os principais conceitos da Tecnologia Empresarial Odebrecht (TEO) – cultura que rege as empresas da Organização Odebrecht. “Além disso, temos módulos específicos para cada programa, que visam o desenvolvimento da visão de negócio, comunicação, espírito de equipe, capacidade de delegação, que são as competências de cultura que buscamos desenvolver ao longo do programa. Tudo isso acompanhado de muito aprendizado pelo trabalho, na realização das atividades diárias”, conta a executiva.

“Ao longo dos programas, desenvolvemos os jovens com base nas nossas competências de cultura para que possam assumir maiores desafios na organização. O líder tem um papel fundamental para o seu desenvolvimento, tanto no que diz respeito a conhecimentos técnicos quanto nos aspectos comportamentais e relativos à nossa cultura. É ele quem dedica tempo, presença, exemplo e experiência para acompanhar o desenvolvimento do jovem e orientá-lo no caminho de crescimento em sua carreira”, diz Liane. “Dessa forma, o jovem terá um suporte da organização para o seu desenvolvimento, mas sempre estimulamos que também sejam protagonistas no que diz respeito à sua carreira. Ainda temos nos nossos programas a oportunidade para os jovens complementarem sua formação acadêmica por meio da experiência prática.”

Nos 10 anos do programa de trainees, o índice de retenção é de 93%. Em 2013, os estagiários foram contratados em 56% para vagas de início de carreira na Braskem como, por exemplo, assistente, analista jr., engenheiro jr., operador trainee e técnico júnior. “Na pesquisa de ambiente realizada em 2013 pelo Great Place to Work, 86% dos estagiários avaliaram que tinham oportunidade de treinamento adequada ao seu desenvolvimento, 91% consideram que os líderes delegam tarefas e atribuições a eles e 97% deles têm orgulho de estar na Braskem, o que significa que estamos no caminho certo para o desenvolvimento dos jovens pelo e para o trabalho”, orgulha-se Liane.
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Acolhimento
Quem também aposta nos jovens é a Unimed Porto Alegre. Lá, são três programas voltados para esse público: Aprendiz Cooperativo; Programa de Estágio; e Programa Talentos. No total, são mais de 1,2 milhão de reais investidos nessas iniciativas.

Gabriela Pezzi
Gabriela, da Unimed Porto Alegre: responsabilidade social

O Programa de Estágio foi criado em 2012, atendendo à Superintendência de Marketing e Vendas. Na época, foram contratados 15 estagiários dos cursos de administração, relações públicas e economia. Desses, 50% foram efetivados no primeiro ano de estágio. Naquele mesmo ano, a cooperativa também implementou o Programa de Talentos. Inicialmente ele contava com 30 profissionais.

O programa mais antigo é o de Aprendiz Cooperativo, que está indo para sua sétima edição e que tem o objetivo de proporcionar a formação técnico-profissional. Contou com a participação de 60 jovens, possibilitando o desenvolvimento e a inserção no mercado de trabalho em cooperativas.

De acordo com a cooperativa, o Programa Aprendiz colabora com a formação profissional dos jovens, dando oportunidades para que eles mostrem suas potencialidades durante o início de sua vida profissional. “Também acreditamos ser uma responsabilidade social abrir  portas a esse grupo em evidente estado de desenvolvimento, que muitas vezes não possui condições sociais, econômicas e culturais propícias para o crescimento”, diz Gabriela Pezzi, gerente de RH da cooperativa.

Ainda segundo a executiva, o programa propicia não apenas o desenvolvimento do jovem por meio do aprendizado, mas também da equipe de colaboradores que o recebe. “Mais do que cumprir com a lei, queremos o desenvolvimento, crescimento e bem-estar dos aprendizes nas nossas áreas. O diferencial dele é o acolhimento, o respeito e o carinho destinado a cada um”, destaca Gabriela.

Paula Cortez Karkow, aprendiz que participou do programa em 2013, conta que foi uma ótima oportunidade. “Nunca tinha trabalhado antes, estava saindo do ensino médio e procurava emprego, mas a maioria pedia experiência, que eu não tinha. Até que meu pai ficou sabendo do Programa por meio de um colega de trabalho e me perguntou se eu não queria me inscrever”, lembra. Depois de pesquisar sobre o programa, resolveu se arriscar.

Ela conta que as lições não ficaram apenas na área de auxiliar administrativo, que é a proposta do programa. “Ele também me ensinou a trabalhar, a como me portar em uma entrevista e dentro do ambiente de trabalho. Uma das cadeiras do curso é a de cooperativismo, e foi a que mais me interessou, tanto que fiz o vestibular para cursar gestão cooperativista”, conta. Quando terminou o contrato dela no programa, a jovem teve a oportunidade de continuar trabalhando na Unimed, como operadora de call center. “Dar oportunidade para o crescimento dos profissionais, tendo como premissa a identificação com os valores praticados na cooperativa, é acreditar que podemos fazer a diferença. Esse é o sentimento que move a área de recursos humanos”, diz Gabriela.

Programa Talentos
Além dos programas voltados para aprendizes, estagiários e trainees, a cooperativa implantou o Programa Talentos para identificar jovens que possam ajudá-la em seus desafios estratégicos. A iniciativa tem como objetivo integrar as competências nas diversas áreas de trabalho, desenvolvendo nos colaboradores selecionados novos comportamentos, com foco na carreira de gestão.

“A importância [desse programa] para a cooperativa está diretamente relacionada com a continuidade da mesma, já que os desafios e o crescimento da cooperativa demandam a formação constante de novos líderes e profissionais com visão sistêmica do mercado em saúde. O foco da formação está relacionado ao negócio e à gestão de pessoas e a resultados e, por esse motivo, entendemos que o programa é uma ‘fonte’ de recursos que poderão suprir nossos desafios.”

#L# A seleção para esse programa foi feita em etapas eliminatórias. A primeira era composta por dinâmica de grupo; a segunda, por prova de redação, interpretação de texto, ortografia e gramática; e a terceira etapa foi composta por assessment, uma vez que todos os candidatos já fazem parte da cooperativa. Consultorias específicas foram contratadas para cada etapa desse processo, oportunizando, a cada fase, feedback  aos participantes. Gabriela lembra que esse programa proporciona a participação em todas as ações de treinamento e desenvolvimento que compõem a Matriz de Capacitação da cooperativa, bem como a possibilidade de participar de projetos estratégicos. A duração é de um ano e meio.

Já o Aprendiz Corporativo tem duração de dois anos (em conformidade com legislação vigente) e carga horária total de 1.148 horas. “Após as 92 horas iniciais, com aulas teóricas ocorrendo durante três dias por semana, o programa passa a ser executado com um dia de aula teórica e dois dias de aulas práticas na cooperativa, a cada semana; no último mês de programa, o aprendiz fica três dias por semana em aulas práticas na cooperativa cotizadora”, explica Gabriela, que comemora os bons resultados dessas iniciativas no que se refere à retenção. “Até o final do Programa Aprendiz tivemos 80% de retenção dos jovens. Desses, 20% foram aproveitados em vagas efetivas e de estágio. No de Estágio, o índice de efetivação dos estagiários é de 50%. E no de Talentos é de 93%”, finaliza.

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Gumae Carvalho é editor de MELHOR – Gestão de Pessoas, revista oficial da ABRH. Antes, também trabalhou nas revistas Educação e Ensino Superior. Foi professor na Faculdade Cásper Líbero (onde se formou em 1993), assessor de imprensa, consultor editorial e um dos criadores do fanzine (e depois revista) Panacea.
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