Balanço positivo

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    Quais as práticas e tendências de gestão de pessoas no setor bancário? Para responder essa questão, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) ouviu mais de 200 mil bancários do país e constatou, entre outros pontos, que o investimento em educação faz parte das estratégias de gestão da maioria dessas instituições e algumas também começam a incluir cláusulas de valorização da diversidade em contratos com seus fornecedores e parceiros.

    Segundo o levantamento, há uma notável mobilidade educacional dos bancários. Daqueles que tinham apenas o ensino fundamental quando foram admitidos, 51,94% atingiram o ensino superior e 8,46% fizeram alguma pós-graduação. Dos que tinham até o ensino médio, 64% chegaram ao ensino superior e 9% à pós-graduação. Além disso, em razão do significativo número de bancários no Brasil, que representam cerca de 1,5% da força de trabalho formal, e da capilaridade do setor, as ações de diversidade dos bancos têm grande capacidade de influenciar a adoção de iniciativas similares nos demais setores da sociedade. E entre as políticas de diversidade está a contratação de negros. Nos últimos anos, aumentou o porcentual desses profissionais com até três anos de trabalho no setor, atingindo 66,5%.

    Políticas de diversidade
    O diretor de relações institucionais da Febraban, Mário Sérgio Vasconcelos, explica que a pesquisa irá permitir um aprimoramento e aceleração de um trabalho que já está em curso no setor, uma vez que a maioria dos bancos inclui critérios de diversidade no recrutamento e já registra impactos positivos no rendimento dos funcionários e na percepção dos clientes. “O objetivo é utilizar os dados para saber qual o cenário real do setor e, a partir daí, implantar políticas que promovam a igualdade de oportunidades e a diversidade nas instituições financeiras”, completa Vasconcelos.

    A Pesquisa em recursos humanos, melhores práticas e censo da diversidade faz parte de um grupo de ações da Febraban para promover a educação e a renda de pessoas oriundas de grupos sociais vulneráveis, como o Programa Febraban de capacitação profissional e inclusão de pessoas com deficiência do setor bancário. A iniciativa começou em 2009 e atende 497 alunos bancários, que foram contratados por oito bancos – BIC, Bradesco, Citi, Indusval, Itaú Unibanco, Safra, Grupo Santander Brasil e Votorantim -, com direito a salário proporcional ao piso da categoria e aos benefícios dados por essas instituições aos seus funcionários. Todos passarão por um aprimoramento educacional e depois assumirão suas funções. Do total, 349 alunos terminaram a fase de qualificação profissional e começaram a trabalhar nos bancos no dia 1º de setembro.

    Além disso, há o programa Jovem aprendiz no setor bancário, voltado a jovens de 14 a 24 anos de idade, que estejam cursando ou já concluíram o ensino fundamental e estejam matriculados em curso de aprendizagem. O programa é regido pela Lei da Aprendizagem, dura dois anos e inclui aprendizagem teórica e prática. Depois disso, o aprendiz pode se tornar funcionário efetivo dos bancos.

    Elaboração e apoio
    O levantamento abordou aspectos como raça, escolaridade, idade e carreira, e foi elaborado pela Febraban com a cooperação de representantes da Organização Internacional do Trabalho (OIT), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), do Ministério Público do Trabalho e da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT). A iniciativa contou, ainda, com a assessoria do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert) e foi tema de várias Audiências Públicas na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

    Extrato de gestão

    Setor é o que apresenta maior número de profissionais com pós-graduação ou MBA, diz pesquisa

    > No setor bancário, 48,4% dos funcionários são mulheres e 51,6% são homens, porcentuais próximos aos da população economicamente ativa (PEA), na qual as proporções são de 50,8% e 49,2%, respectivamente. No estoque de empregos formais, (RAIS 2007) essa proporção é de 40,8% e 59,2% respectivamente.

    > Dentre os funcionários, 65,5% dividem-se em duas faixas etárias: de 25 a 34 anos (34,8%) e de 35 a 44 anos (30,7%), sendo que até 34 anos a predominância é de mulheres, atestando o forte ingresso delas nos bancos.

    > 19% dos funcionários são negros, enquanto na PEA somam 35,7% e no mercado formal (RAIS), 31,9%.

    > 66,5% dos bancários têm superior completo, pós-graduação ou MBA. No mercado formal, esse percentual é de apenas 15,5%.

    > Daqueles que tinham apenas o ensino fundamental quando foram admitidos, 51,94% atingiram o ensino superior e 8,46% fizeram alguma pós-graduação. Daqueles que tinham até o ensino médio, 64% chegaram ao ensino superior e 9% à pós-graduação.

    > Nos últimos anos, aumentou o porcentual de funcionários negros com até três anos de trabalho no setor, atingindo 66,5%. Isso reflete as políticas de diversidade já em curso nos bancos.

    > O crescimento da presença de negros nos bancos é relevante ao se constatar a baixa rotatividade dos empregados do setor: 9,1% têm até um ano de emprego. No mercado de trabalho formal esse percentual de rotatividade é de 33%, o que demonstra o elevado tempo de permanência da maioria dos bancários no setor.

    > 38,2% dos funcionários brancos tiveram três ou mais promoções. Entre os pardos, o percentual é de 35,8%; e entre os negros, de 28,8%.

     

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