Gestão

Brasil, plano A para executivos

Laís Passarelli*
26 de julho de 2010

De país do futuro, o Brasil se tornou a “bola da vez”, mais presente do que nunca nas agendas de empresas e executivos de todo o planeta. Ao lado de outros emergentes, como a China e a Índia, chama atenção como oportunidade para o desenvolvimento dos negócios e da carreira executiva, especialmente após a crise mundial e seus efeitos nas principais economias. Um dos primeiros a vencer o tsunami internacional, traduzido localmente como “marola tropical”, o Brasil se transformou em alternativa segura e viável de crescimento, com perspectivas que atraem a atenção de organizações e executivos das mais diversas origens.

A realidade amplia os desafios para nossos profissionais. No país, os processos seletivos para posições estratégicas têm registrado crescente participação de executivos estrangeiros. Isso sem contar os de nacionalidade brasileira que, após experiências no exterior, buscam voltar para casa. Ainda que não haja estatística oficial, não é exagero afirmar que praticamente triplicou o número de pessoas nessas condições, inflando a concorrência para as vagas que surgem.

Observa-se, ainda, a intensificação dos esforços de networking com os headhunters, de forma a deixar uma porta aberta para, diante de uma oportunidade, viabilizar um possível retorno. Para uma nação que luta contra o traço cultural da baixa autoestima, ser a “bola da vez” é motivo de orgulho. A posição destacada, no entanto, enche não apenas os nossos olhos, mas também os de executivos de outros países, em especial os latino-americanos. Historicamente, o Brasil sempre atraiu mais do que repeliu os fluxos migratórios. A diferença agora é que deixou de ser um destino adicional, como um “plano B”, para se tornar uma alternativa prioritária.

Antes, éramos vistos como laboratório para os executivos estrangeiros em ascensão. Vencer os desafios do mercado brasileiro funcionava como um passaporte para ocupar cargos em localidades mais promissoras. Agora, a situação é inversa: a experiência em outros países serve de preparo para que profissionais das mais diversas nacionalidades se capacitem para atuar no Brasil. Quem chega traz na bagagem uma comprovada trajetória de sucesso. Para muitos, continuamos sendo um desafio, porém menos ácido em função da estabilidade econômica de quase duas décadas e do amadurecimento das instituições.

A maior proximidade cultural com as casas matrizes e a diversidade do país são fatores que ganham importância, uma vez que favorecem a adaptação de europeus, norte-americanos e latinos, ainda mais quando se levam em conta as opções asiáticas. Estamos diante da oportunidade de comprovar que nosso país não é apenas um destaque momentâneo, mas uma opção de longo prazo. O poder de atração se respalda nas perspectivas de setores como energia, petróleo, gás e biocombustíveis, além da forte demanda de infraestrutura para suportar o crescimento econômico esperado. Como alternativa promissora para investimentos nos próximos anos, o Brasil deve consolidar a posição de liderança que vem conquistando na região e no cenário global, tornando-se assim o “plano A” para executivos de primeira linha, brasileiros ou de qualquer parte do mundo.

* Laís Passarelli é presidente da Passarelli Consultores

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