Gestão

Buscar sorrisos atrás do trabalho

Karin Hetschko
14 de Janeiro de 2015
Patch Adams / Crédito: Gustavo Morita
Patch Adams: extinção de hierarquias para ambientes mais felizes / Crédito: Divulgação 

Empresários brincando com uma bola pula-pula enquanto recrutam seus colaboradores. Essa foi a cena inesperada que os primeiros empregados do Google encontraram ao serem entrevistados pelos recrutadores, Larry Page e Sergey Brin, donos da então incipiente empresa. Naquele momento, eles não sabiam, mas ali nascia uma nova cultura empresarial. Uma cultura que jogava fora a sisudez habitual dos ambientes de trabalho e abria espaço para um ambiente criativo. O mote era: quanto mais feliz o colaborador no exercício de sua profissão, mais criativo e produtivo ele se tornaria.

Apesar de o conceito da felicidade no trabalho ser algo muito abrangente e subjetivo, aparentemente, a receita deu certo no Google. De sua fundação, em 1998, até a abertura de capital na bolsa de valores, em 2004, o capital do buscador cresceu de uma forma inacreditável. A venda de parte das ações da empresa rendeu uma capitalização de 23 bilhões de dólares. A grande maioria dos 271 milhões de ações permaneceu sob o controle do Google e dos colaboradores do companhia, que se tornaram milionários de imediato.

Humanização na gestão
A julgar pelo fato apresentado, os funcionários do Google parecem bem felizes ao verem o fruto de seus trabalhos se transformar em cifras gigantescas. Mas para um dos defensores do amor e da felicidade no trabalho (talvez o maior), Patch Adams, o caminho não deve ser bem esse. Em visita ao Brasil no ano passado, a convite do Elsever Institut, para ministrar a palestra Humanização na gestão de pessoas, o palhaço fundador do Instituto Gesundheit falou sobre o tema para a revista MELHOR.

Adams, que é um crítico feroz do sistema capitalista, defende as relações mais humanizadas nos ambientes corporativos. Para ele, se presidentes e diretores ganhassem o mesmo salário de um encarregado de limpeza, esse nirvana de felicidade e alegria nas organizações poderia ser alcançado. “Se aqueles que estivessem no topo das organizações decidissem pela equidade, talvez os empregados pudessem ser tão felizes, tão alegres, que assim, criariam bons relacionamentos no trabalho”, afirma.
A proposta é ousada e Patch Adams sabe que enfrenta críticas pelas suas ideias. “O principal problema do mundo é a falta de amor. O ambiente de negócios nos faz acreditar que o acúmulo de riquezas é a felicidade, sendo que, na verdade, as relações de amizade é que deveriam pautar a nossa felicidade”, indica.

Seguindo a linha de pensamento do palhaço, uma organização sem hierarquias também ajudaria a alcançar a felicidade no trabalho. “Nada de chefes — essa é uma das minhas propostas”, destaca. De qualquer forma, comenta Adams, não há uma fórmula pronta para o sucesso em todas as empresas; esses são alguns mecanismos que poderiam ajudar. “Cada país é diferente e cada RH é diferente, não há como fazer uma afirmação que cubra toda essa área.”

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Wellington Nogueira / Crédito: Gustavo Morita
Nogueira, do Doutores da Alegria: profissionais motivados pelas qualidades de suas relações / Crédito: Gustavo Morita

Exemplo Google
Voltando ao exemplo do Google, digamos que eles conseguem cobrir, em termos, as soluções propostas por Adams. Por exemplo, todos os colaboradores têm o mesmo pacote de benefícios. O plano de saúde do presidente é o mesmo do funcionário que acabou de entrar no buscador para desempenhar a posição mais baixa dentro da hierarquia. E é assim para todos os demais benefícios. Não há distinções ou privilégios. Trata-se de um único pacote.

Mônica Santos, diretora de RH da Google, em entrevista para a revista MELHOR em outubro de 2013, disse que a empresa se esforça para criar um ambiente de trabalho saudável, feliz, colaborativo e produtivo. Já é famoso o diferencial do escritório, que além de local de trabalho é também um ambiente de lazer e inclui salas de jogos, de descanso, restaurante e “minicozinhas” temáticas, em que o funcionário pode “assaltar a geladeira” a qualquer hora. “Como nós queremos que as pessoas pensem de forma criativa e ultrapassem os limites, nossos escritórios são inovadores e com design divertido”, comenta Mônica.

O objetivo da empresa ao oferecer isso tudo é garantir que a saúde, a qualidade de vida e a família estejam asseguradas para que os funcionários possam dar o máximo de seu talento para a organização. “Acreditamos que o que torna o Google uma ótima empresa são os googlers. As pessoas são o nosso recurso mais valioso e investir nelas impulsiona resultados de negócios relevantes, como inovação e retenção”, afirma Monica Santos, diretora de RH do Google.

Capital humano
Colocar as pessoas como estratégia do negócio rendeu boas cifras ao Google e aos colaboradores, que resolveram topar a aventura. No Brasil, a Acesso Digital, também uma empresa na área de tecnologia, resolveu investir na mesma tática. O presidente Diego Torres Martins conta que fundou a Acesso Digital em 2007 com o propósito de criar uma companhia onde ele e outras pessoas pudessem ser felizes no trabalho. “Naquela época eu trabalhava em uma empresa grande e não entendia nem aceitava que as pessoas fossem trabalhar todos os dias sem serem felizes”, afirma, em entrevista cedida à revista MELHOR em abril de 2013.

Fora do comum
Uma série de benefícios reforça o relacionamento entre os colaboradores e o Google, tais como folgas especiais (sem  prévia explicação ao chefe),  16 mil reais disponíveis em reembolso para educação continuada, verbas para decorar as mesas,  licença-paternidade paga de quatro semanas, com 100% do salário-base, entre outros.  

Diante dessa realidade, o empresário optou por inverter a ordem vigente: em primeiro lugar viriam as pessoas e, em segundo, o negócio. “Primeiro preciso acreditar em gente, e depois essas pessoas criam o negócio”, explica. Além de se preocupar com a qualidade do ambiente de trabalho, a Acesso resolveu investir na felicidade do profissional em outras áreas da vida.

Para tanto, a empresa criou programas voltados para diferentes aspectos da vida dos profissionais. Entre eles estão programas para desenvolvimento intelectual (cursos de idiomas, graduação e pós-graduação) com direito a intercâmbio nos EUA. Propostas de qualidade de vida, como corridas com orientação de personal trainer, massagem, manicure, locadora grátis de DVDs, campeonato de cart e cursos de gastronomia. E o programa mais badalado promove uma viagem para toda a equipe da Acesso para os EUA, dividida em dois grupos. Entre os destinos visitados estão Miami, Las Vegas e Disney.

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Felipe Queen / Crédito: Divulgação
Queen, da fmcom: não confundir felicidade profissional com a pessoal / Crédito: Divulgação

O custo costuma ser apontado como vilão por muitos empresários na hora de criar iniciativas como essas, mas Martins conta que todos os programas da Acesso não ultrapassam 2% do faturamento da companhia. “Surgimos do zero e hoje a empresa é avaliada em 100 milhões de reais. Somos uma prova de que para investir nas pessoas basta querer”, conta.

Não só no mundo da tecnologia
Em 1999, em Las Vegas, nasceu a Zappos, uma startup de e-commerce movida não tanto por incentivos financeiros, mas pelo desejo de ser reconhecida e apreciada, diziam seus fundadores. Seu principal trunfo, declaravam, seria o serviço de atendimento ao cliente. E não apenas aqueles serviço padrão que todo mundo conhece, mas muito acima do esperado, do tipo “faremos de tudo por você”.

Ora, vamos lembrar que os clientes da startup seriam “paparicados” por profissionais da área de telemarketing que, a princípio, não é um emprego muito desejado, principalmente pelo baixo retorno financeiro, vetor da alta rotatividade no setor. Contudo, a Zappos queria investir na cordialidade com os seus clientes. Para tanto, ela teve de mudar a estrutura da companhia e de seus colaboradores. E não foi a resposta simples — aumento do salário — que conduziu a estratégia; ela foi estruturada com duas palavras: divertimento e mais autonomia.

Os velhos scripts foram abandonados, o operador poderia dialogar com o cliente da forma e no tempo que bem lhe conviesse. Ademais, houve uma desconstrução dos ambientes tradicionais de call centers. Andar pela sede da Zappos parecia uma viagem de lazer ou mesmo uma festa, com músicas e jogos à disposição dos colabadores. Não por acaso, certa vez, quando a empresa anunciou 250 novas vagas de operador de telemarketing, ela recebeu 25 mil currículos de pessoas dispostas a ganhar 11 dólares por hora. O sucesso foi tanto que em 2009 a empresa foi adquirida pela gigante Amazon.

Por aqui, a AeC, uma empresa de call center, resolveu também motivar suas equipes de telemarketing e para tanto resolveu investir nos sonhos de seus colaboradores. Imagine entrar em um supermercado e comprar tudo o que quiser sem se preocupar com o preço. Ou, então, ganhar um guarda-roupa novo depois de perder quase 60 quilos. Quem sabe poder reaver as alianças de casamento penhoradas devido a problemas financeiros. Esses são alguns dos sonhos dos funcionários da AeC realizados pela empresa em 2014. 

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Warney Araújo / Crédito: Divulgação
Araújo, da AeC: ser uma empresa que faz a diferença na vida das pessoas / Crédito: Divulgação

O AeC Sonha com Você surgiu da vontade da companhia de desenvolver um projeto que envolvesse todos os seus 25 mil funcionários. “Por ter unidades em diferentes cidades do país e contar com um público interno de várias idades, interesses e valores, a AeC escolheu como tema do concurso a capacidade de sonhar”, explica o diretor de Recursos Humanos da AeC, Warney Araújo.

Acreditar na simplicidade
O conceito da ação foi desenvolvido a partir da expressão “acreditamos no simples”, que também é um dos dez princípios da empresa. O critério de seleção para a premiação foi a busca por histórias que evidenciassem que sonhar é simples. O executivo explica que no comitê multissetorial (de 10 a 15 pessoas) formado para avaliar as redações só participaram pessoas com coração forte. Para o diretor de RH, as histórias eram muito duras, mostravam a real dificuldade enfrentada por muitos colaboradores .
“Eu li três cartas e comecei a chorar. Não tenho coração para isso”, afirma. Por outro lado, observa Araújo, percebeu-se que a empresa possuía muitos guerreiros e guerreiras. No total, vinte e duas cartas foram escolhidas em referência ao 22º aniversário da empresa, comemorado ano passado. “Somos uma empresa que quer fazer a diferença na vida das pessoas. Isso é o que importa. Nada melhor do que possibilitar a realização de um sonho”, afirma Araújo.

Por sinal, o programa fez uma diferença danada na vida de Jailma Cabral, de Campina Grande (PB). A colaboradora da empresa, que sofria preconceito por toda a cidade, hoje virou pop star graças ao AeC Sonha com Você . Ela explica: “Antes de entrar na AeC, pesava mais de cem quilos e em todos os lugares que eu ia as pessoas me olhavam com prenconceito. No ônibus, o motorista me fazia entrar pela porta de trás. No hospital, certa vez, acharam que eu era avó do meu filho e, quando eu procurava emprego, as pessoas não me contratavam por conta do meu corpo”.

Mas a história tomou outro rumo quando Jailma foi recrutada pela empresa de contact center. Logo após a contratação, a colaboradora tratou de fazer um programa para emagrecer e reaver a autoestima e a felicidade. Em um ano, ela conseguiu emagrecer 57 quilos por conta própria e acabou perdendo todas as peças do seu armário. “Sonhava em ter roupas para meu novo corpo”, disse. A AeC a levou para um shopping onde ela renovou o seu look com a ajuda de uma consultora de moda.

Depois de ter o sonho realizado pela empresa, ela virou o centro das atenções de Campina Grande. “A TV e o jornal daqui já fizeram reportagens comigo. Eles queriam que eu contasse essa história para os demais”, explica em entrevista por telefone que, em diversos momentos foi interrompida pelo assédio dos colegas de trabalho, que perguntavam para qual veículo Jailma concedia a entrevista. “Agora, até o meu nome mudou. Todo mundo aqui me conhece por ‘Realiza’ porque eu fui atrás e realizei meu sonho”, conta, feliz da vida.

Diretor de Felicidade
O tema, felicidade nas organizações, é tão importante que algumas empresas já criaram até o cargo de diretor de Felicidade. Este é o caso da escola de inglês on-line Open English. O colombiano que ocupa esse cargo, Alain Lagger, explica que na sua rotina estão inclusas todas as atividades que envolvem a satisfação dos funcionários. Para cumprir essa missão, o executivo está sempre em contato com os RHs das sedes da empresa – Brasil, Colômbia, Venezuela e EUA. 

“Há reuniões semanais com as equipes de RH de todas as unidades para falar sobre casos que precisam de atenção”, informa. “Também discutimos sobre atividades de desenvolvimento de equipes e nos certificamos de que estão de acordo com os valores da empresa.” Mas Lagger não se restringe apenas ao contato com a equipe de RH, ele também escuta os colaboradores da Open English. Ele explica que há funcionários que enviam e-mails sobre as coisas boas que acontecem e também encaminham o feedback dos clientes. Além disso, compartilham seus sentimentos de insatisfação no trabalho e na vida pessoal.

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A empresa tem como um dos valores a felicidade dos colaboradores. “A maioria das pessoas passa mais tempo no trabalho do que em casa, então se você está infeliz no trabalho significa basicamente que você está descontente com a maior parte de sua vida”, observa Andrés Moreno, presidente e fundador da empresa. “Há uma nova geração de empreendedores de sucesso e empresas, como Google e Zappos, que comprovam os benefícios de instituir valores numa cultura e tornar os funcionários felizes”, menciona.

Felicidade pessoal
Mas será que um ambiente mais acolhedor, onde o colaborador tem o seu sonho patrocinado, ou pode parar o que está fazendo para brincar e pegar uma comidinha na geladeira, resume a definição de felicidade no trabalho? Especialistas indicam que não necessariamente. Para eles, seríamos simplistas ao fazer essa afirmação. Não há uma solução pasteurizada para o tema, isso porque a felicidade depende de cada individuo.

“A felicidade está dentro e não fora”, observa o coach Carlos Medeiros, especialista em Psicologia Transpessoal. Para ele, os benefícios, os recursos, os treinamentos e a remuneração que uma empresa dispõe para um funcionário são importantes, mas o imprescindível é buscar a motivação interna. “O indivíduo deve parar para pensar um pouco: o que posso fazer para melhorar [meu desempenho] naquilo que faço? Conseguirei sozinho ou preciso de ajuda?”, diz.

Ao caminhar nessa trilha, a pessoa pode se deparar com o que chamamos de ditadura da felicidade. Uma busca constante e, por vezes, infrutífera do que a torna feliz. “É justo e lícito buscar caminhos para o bem-estar, para a saúde do corpo e da mente, para os bons relacionamentos e para o sucesso, porém, quem se esforça para ser feliz a ponto de tornar esse esforço uma doença está indo ao encontro da infelicidade, da angústia, do vazio existencial”, analisa Medeiros. “Buscar a felicidade intrínseca implica dois fatores: é uma luta e ao mesmo tempo uma arte.”

O especialista afirma que há de se ter coragem para o primeiro e um jeito próprio de ser e de viver para o segundo. E não raro a procura por uma vida de plenitude leva o motorista a direção oposta do desejado. “Assustadores são os registros do número de suicídios praticados por pessoas que não estavam fugindo da vida, mas buscando-a… estranho, não é?”, indaga.

A trajetória do ator Robin Willians pode se encaixar nesse perfil. Mais conhecido por suas atuações em comédias, seus personagens Daniel Hillard, de Uma babá quase perfeita, e Patch Adams, de Patch Adams – o amor é contagioso, entre outros, Willians produziu milhões de gargalhadas mundo afora. Mas a felicidade de fazer os demais felizes parece que em nada o ajudou a estar feliz no fim de sua vida. Em 11 de agosto de 2014, o ator deu um fim à angustia de buscar seu jeito de ser feliz. Ele se asfixiou em sua residência, deixando filhos, esposa, duas ex-esposas e o público perplexos.

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Entrevistados
Para chegar aos resultados divulgados na pesquisa foram realizados quatro grupos qualitativos e 200 entrevistas qualitativas nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Os entrevistados tinham entre 28 e 45 anos, formação superior e trabalhavam em empresas de 500 ou mais funcionários.  O estudo ainda se preocupou em não buscar iniciantes na carreira. Todos os entrevistados tinham de 8 até 25 anos de vida profissional. 

É possível ser feliz no ambiente de trabalho?
Dito isso, vamos voltar à trilha: é possível ser feliz no ambiente de trabalho? “Sim, é totalmente possível e deveria ser um objetivo de todo profissional. Mas isso é completamente diferente de a empresa ser responsável pela felicidade do funcionário”, diz Felipe Queen, sócio da consultoria de comunicação fmcom. Em junho recente, a fmcom em conjunto com o Ateliê de Pesquisa Organizacional divulgou a conclusão de uma pesquisa com o objeto dessa reportagem. Mais importante do que os resultados foi comprovar que a felicidade é algo subjetivo.

“Ninguém é feliz o tempo todo, mas mesmo assim deve ser uma busca pessoal, sem delegar a responsabilidade pelo sucesso ou fracasso dessa busca a terceiros”, destaca Queen. Para o executivo, a empresa deve permitir que exista um ambiente saudável, onde as pessoas possam expressar suas ideias e desenvolver relacionamentos produtivos. Contudo, esse projeto não pode ser confundido com a felicidade pessoal dos colaboradores. “As pessoas hoje levam uma vida alucinante, com uma constante busca por conhecimento e desenvolvimento profissional. Isso nos deixa pouco tempo para olharmos para nós mesmos, o que gera uma série de frustrações por não podermos fazer coisas fúteis, mas que nos dão um imenso prazer”, analisa.

E qual seria a solução para esse impasse da vida pessoal? “É buscar a felicidade no ambiente sobre o qual temos um maior controle e para onde direcionamos a maior parte dos nossos esforços”, responde Queen. A julgar pelo resultado da pesquisa, aparentemente, os brasileiros estão trabalhando bem esse conceito, afinal 79% das pessoas responderam que estavam felizes em seus respectivos trabalhos. “Ainda que o estudo nos surpreenda com um universo de 79% das pessoas felizes no trabalho, não podemos deixar de olhar atentamente para os 21% que se dizem infelizes”, pondera.

Há ainda outro detalhe para o qual os responsáveis pela pesquisa alertam: um possível erro de interpretação dos entrevistados, certa confusão na definição do que significa felicidade”, observa Queen. Para ele , quando o item com maior peso para a felicidade é o salário — 78% responderam que remuneração é o principal motivo para a felicidade no trabalho —, é fácil perceber que a definição não é a mesma da filosofia, que busca a plenitude como ser humano. “Dinheiro é muito importante nos dias de hoje, pois nos permite ter acesso a uma vida de qualidade, mas fica limitado ao que é material, e isso é apenas uma das partes do todo”, relata.

Diego Torres Martins / Crédito: Divulgação
Martins, da Acesso Digital: é inaceitável ver as pessoas infelizes no trabalho / Crédito: Divulgação

Sentido no trabalho
De fato, as cifras são importantes na busca da felicidade no trabalho, mas outros motivadores vêm ganhando fôlego: crescimento pessoal e profissional e a realização no trabalho, que foram lembrados por 45% e 44% dos entrevistados, respectivamente.

Nessa linha de crescimento pessoal e realização no trabalho, esbarramos com um conceito muito em voga: o sentido no trabalho. Para Wellignton Nogueira, fundador do grupo Doutores da Alegria, a felicidade no trabalho está muito relacionada ao sentido da atuação do indivíduo no mercado de trabalho.
“O ser humano evoluiu antingamente ele queria a segurança que o trabalho e o dinheiro lhe propiciavam. Agora, os jovens não querem mais trabalhar numa mesma empresa o resto da vida porque eles percebem que nessas grandes estruturas eles não têm espaço para exercerem seus propósitos de vida; para alinhar o trabalho à felicidade à satisfação”, diz Nogueira, que ministrou no CONARH 2014 a palestra Alegria nas organizações, alerta que os RHs devem estar atentos a essa tendência. “Essa revisão está batendo à porta. Além de cuidar da carreira dos profissionais, o RH vai precisar garantir às pessoas que elas estão [trabalhando] no lugar certo e fazendo seu trabalho da melhor forma possível. É o que chamamos de alfabetização relacional: aprender a ler as pessoas, a entendê-las e a servi-las melhor”, destaca.

Segundo ele, estudos do centro Greater Good, da universidade de Berkeley, nos EUA, já sugerem que os jovens médicos americanos preferem clinicar nos hospitais a abrirem suas próprias clínicas. “Eles têm um trabalho ‘de cão’ para juntar toda a papelada [do sistema de saúde norte-americano] no computador, mas eles são muito mais felizes porque são motivados pelas qualidades de suas relações com as famílias de seus pacientes.” Dessa forma, Nogueira diz que os jovens médicos percebem mais de perto o papel importante que eles têm na vida dessas pessoas.

“Esta é a grande oportunidade para o RH. Finalmente a questão humana vai imperar dentro do ambiente de trabalho. As pessoas estão sacrificando tudo que elas têm para buscar uma vida de significados”, conclui o fundador do Doutores da Alegria.

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