Gestão

Cenário positivo

17 de dezembro de 2010

Ao que tudo indica, 2010 acabará bem para os altos executivos brasileiros. Enquanto a remuneração no mercado norte-americano cresceu 10% nos últimos quatro anos, aqui, no Brasil, houve um aumento de quase 20%. Embora esse percentual não cause surpresa, uma vez que a remuneração dos executivos brasileiros acompanhou de perto a inflação acumulada no mesmo período, quando essa mesma análise é feita considerando a remuneração em dólares, a evolução do mercado local atingiu quase 50%, fruto da variação cambial positiva do real frente à moeda americana, como mostra a 8ª edição da Strategic Compensation Survey, Pesquisa de Remuneração Total conduzida anualmente pela Towers Watson.

Segundo o estudo, a forte demanda por profissionais qualificados e as boas perspectivas da economia brasileira para os próximos anos contribuirão para que esse cenário permaneça inalterado. Mas tal valorização do pacote de remuneração dos executivos brasileiros tem gerado frequentes discussões entre as áreas de recursos humanos das subsidiárias de empresas multinacionais e seus pares nas casas matrizes.

Como efeito prático, observa-se uma diminuição no processo de expatriação de profissionais brasileiros para outros países, já que o potencial de ganho aqui dificilmente é superado. E as expectativas para a próxima negociação salarial são boas: apenas 3% dos entrevistados acreditam que haverá reposição parcial da inflação. Os demais esperam um reajuste pleno ou acima da inflação – entre 1,1% e 2%, para a maioria. Considerando acordo coletivo, mérito e enquadramento, a previsão de crescimento médio da folha de pagamento é da ordem de 8,1% para todos os níveis profissionais.

O estudo, que envolveu 314 empresas, abrangendo cerca de 330 mil profissionais, distribuídos em 500 posições – do CEO ao menor cargo administrativo -, traz informações detalhadas sobre práticas, tendências e políticas em companhias brasileiras e estrangeiras, de diferentes segmentos, como energia elétrica; serviço de petróleo e gás; equipamentos hospitalares; farmacêutico; bens de consumo; e montadoras. Juntas, elas empregam 830 mil funcionários e possuem um faturamento total superior a 330 bilhões de dólares. A maioria delas tem sede em São Paulo (52%) e no Rio de Janeiro (32%), e em 38% dos casos, o capital tem origem europeia. Veja a seguir mais detalhes da pesquisa:

  • Aumentos concedidos x inflação
    Com o mercado cada vez mais acirrado, a demanda por mão de obra continua forte. De modo geral, em 2010 os reajustes salariais novamente superaram a inflação. Os acordos coletivos propiciaram ganhos reais entre 1% e 2,5%, e em alguns setores, os sindicatos obtiveram reajustes acima de 3% da inflação. A situação deverá ser a mesma nos próximos anos.
  • Evolução por nível hierárquico
    Entre junho de 2009 e maio de 2010, a média de reajustes salariais ficou acima da inflação: 6,2% contra um INPC de 5,8%. Porém, é preciso lembrar que muitos mudaram de posição e, portanto, receberam mais.  
  • Reajustes salariais entre indivíduos
    Os aumentos individuais foram elevados, mantendo um forte processo de movimentações horizontais e verticais (promoções). Tanto no nível profissional quanto no nível executivo, o aumento médio foi de 8,2% entre os não promovidos e de 24% entre os promovidos.
  • Remuneração variável
    Em 2010, as empresas distribuíram para seus executivos 1,15 bilhão de reais, considerando-se apenas as posições reportadas na pesquisa. Se todas as companhias e executivos tivessem alcançado plenamente todas as metas ( target ), o montante a ser distribuído giraria em torno de 1,2 bilhão de reais. No entando, pode-se concluir que o bônus foi pago a 97% do target . Em 2009, esse percentual foi de 96,2%. Os executivos que não receberam nenhum valor a título de bônus ou PLR somam apenas 4,5%. O setor automotivo pagou 66% do bônus target , enquanto no de petróleo esse índice foi de 97%. Por outro lado, segmentos como o de bens de consumo pagaram mais que o esperado, em torno de 135%. Em múltiplos de salário mensal, um CEO recebeu, em média, 15,5, enquanto sua meta era de 17,2. Já nos demais cargos, a diferença entre o recebido e a meta foi bem menor.
     
  • Incentivos de Longo Prazo (ILP)
    Há um aumento gradativo no número de empresas com programas de Incentivos de Longo Prazo. Atualmente, elas representam 42,4%. Entre as estrangeiras este porcentual atinge quase 50% e entre as brasileiras, 26%. Embora apenas uma em cada quatro companhias brasileiras possua um programa de ILP, nota-se um crescimento rápido deste tipo de remunerações entre as organizações nacionais, sobretudo nas negociadas na bolsa de valores. Houve um acréscimo na proporção de programas de Restricted Stock e Performance Shares, de 51 para 81, em relação ao ano passado.  
  • Benefícios
    Nos últimos 12 meses, nenhuma empresa cancelou benefícios significativos nem reduziu o nível oferecido. De modo geral, há uma manutenção dos esquemas de compartilhamento dos custos entre empresa e colaborador. Os benefícios mais praticados são assistência médica, seguro de vida, assistência odontológica, previdência privada e automóvel designado. Para contenção dos custos, continua sendo utilizada a negociação de contratos com fornecedores.

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