Diversidade

Como as empresas devem se adaptar aos profissionais trans

Segundo especialista em diversidade, não basta contratar, é necessário proporcionar ambiente e clima favoráveis

Da Redação
29 de Janeiro de 2018

No dia 29 de janeiro é o Dia da Visibilidade Trans, e o Brasil ainda é um dos países com o maior número de mortes na população trans. Esse dado é do estudo sobre mortes por motivo de transfobia da ONG Transgender Europe, que apontou mais de 868 mortes de pessoas trans entre janeiro de 2008 e julho de 2016, no Brasil. O triplo do México, que assume a segunda posição com 256 mortes. Se considerarmos os números da pesquisa, o Brasil infelizmente ainda está muito distante de ser um país que valoriza a diversidade.

Muito tem se falado de diversidade nas empresas, que estão cada vez mais se movimentando para adotar práticas mais inclusivas aos públicos diversos, em especial com a contratação de pessoas trans.

Aspecto realmente louvável, porém, não basta apenas contratar, é preciso saber o ambiente e o clima que será proporcionado aos profissionais trans. As empresas precisam se adaptar para receber de forma responsável esses profissionais. “São diversas questões a serem avaliadas antes da contratação em si. O uso do banheiro, a adoção ou não do nome social, minha empresa é pró-diversidade mas o meu cliente não é, como avaliar se a equipe que vai trabalhar com esse profissional não é transfóbica, entre outros pontos importantes que precisam ser levantados. De nada adianta as empresas contratarem pessoas trans e depois de um mês ter que demitir por falta de adequação do profissional à realidade imposta pela empresa”, explica Liliane Rocha, da Gestão Kairós, consultoria especializada em sustentabilidade e diversidade.

Além desses aspectos práticos tem uma questão ainda mais profunda que as organizações precisam estar preparadas: conhecer todos os aspectos que envolvem a questão da identidade. “Por ser um tema consideravelmente novo, as pessoas ainda confundem alguns termos no relacionamento pessoal com os transgêneros. É comum não saberem quando a pessoa é travesti ou transexual, geralmente as pessoas acham que são todos iguais. Portanto, o entendimento de todas essas questões complexas precisam ser lapidadas e esclarecidas antes mesmo da abertura da vaga”, complementa Liliane.

Para orientar as empresas sobre os diversos aspectos que envolvem o mercado de trabalho para a diversidade, Liliane Rocha lançou o livro “Como ser um líder inclusivo”, que tem um capítulo exclusivo para debater a questão da inclusão de pessoas trans.

Compartilhe nas redes sociais!

Enviar por e-mail