Gestão

Como o RH pode conseguir mais poder diante da Liderança?

Ricardo Devai
29 de Janeiro de 2014
Ricardo Devai, gerente de projetos da élogos Brasil

Uma empresa pode ter os melhores produtos, uma tecnologia impecável ou uma revenda fantástica. Estes são elementos importantes, mas nada é tão vital para o bom funcionamento de uma empresa quanto seus colaboradores. Hoje o relacionamento com os clientes é tido como peça chave para o sucesso de uma corporação, mas além dos clientes, acredito que o bom relacionamento com o seu funcionário também é fundamental.

Sem uma equipe eficaz todas as outras funções da empresa ficam prejudicadas. E quem melhor para entender e desenvolver uma equipe do que o profissional de Recursos Humanos? Este é um momento único para os profissionais de RH que agora têm uma oportunidade real de conseguir uma colocação de maior destaque frente à liderança das empresas.

E o que o profissional de RH deve fazer então? Estratégia é a palavra-chave. Analisando o cenário atual, encontramos na maioria das empresas um elevado turnover, pois a cultura dos trabalhadores mudou. Antes as pessoas sonhavam em passar 30 anos na mesma organização, hoje elas optam por trocar de emprego sempre que uma oportunidade interessante aparece. Isso é complicado para as empresas, que precisam de colaboradores realmente dedicados e satisfeitos com o seu trabalho.

O profissional de RH é quem fica mais próximo das equipes, ouve suas queixas, conhece suas rotinas, deficiências e qualidades, por isso seu trabalho pode reverter este quadro e ainda fazer com que os colaboradores sintam orgulho da empresa em que trabalham.

Para que esta mudança aconteça, a área de RH precisa assumir uma postura mais estratégica e menos responsiva. Muitas empresas enxergam o RH apenas como uma área de suporte. Se existe um problema entre funcionários, ou algo novo será implantado na empresa, é encomendado um treinamento ou uma resolução de problemas por parte da sua equipe. Dessa maneira, o RH só entra em ação quando existe uma solicitação. O RH precisa se tornar um setor estratégico, ficando atento aos acontecimentos do mercado e antecipando as possíveis soluções.

Esta é uma mudança cuja iniciativa deve partir dos profissionais de Recursos Humanos, mas que exige esforços também da liderança das organizações. Os líderes precisam enxergar no setor a possibilidade de conhecer melhor seus funcionários, entender suas demandas e corrigir falhas. Já o RH precisa tornar sua atuação muito mais proativa. A área não pode mais ser acionada apenas quando já existe um problema instalado.

Mais do que recrutamentos e treinamentos, a área de RH deve ter uma atuação para reter e desenvolver os talentos dentro da empresa. Sabemos que alguns gestores ficam até mesmo receosos de realizar treinamentos, pois acreditam que estão investindo em um funcionário que, pouco tempo depois, pode não mais fazer parte do seu quadro de funcionários. Este pensamento infelizmente tem a sua razão de ser: pesquisas mostram que 66% dos trabalhadores já entram em um emprego pensando no próximo. Esta é uma característica principalmente da geração Y, que é um tanto impaciente e busca uma rápida ascensão na carreira.

Se a empresa em que estão não representa seus ideais, eles costumam já pensar no próximo passo. Para reter estes profissionais – que muitas vezes são talentosos – é preciso entender suas necessidades. Pare e pense: o que minha empresa poderia fazer para os funcionários que represente um ganho real para eles? Se isso não representar uma perda para a organização, pode ser uma boa ideia.

Oferecer benefícios para seus colaboradores é um caminho inteligente. A tendência é que o RH passe a atender os funcionários de maneira personalizada, prevendo as suas necessidades e sugerindo novas ações. A empresa pode liberar uma verba para oferecer cursos para seus funcionários e o RH poderia desenvolver uma variedade de opções para que cada profissional escolha o que será mais interessante para o desenvolvimento do seu trabalho, por exemplo.

Hoje um dos maiores desafios das empresas é montar uma equipe de sucesso e fazer com que estes colaboradores acreditem no que estão fazendo a ponto de darem o máximo de si para continuarem a trabalhar ali. É preciso fazer com que a empolgação inicial não se perca nas primeiras semanas de trabalho. Um profissional que funciona no automático mostra que aquele é apenas mais um emprego, e não o trabalho ideal. Um profissional empolgado sente que faz a diferença dentro da equipe, e com isso, tem uma atuação muito melhor. Cabe ao RH desenvolver estes talentos.

Fazer as pessoas ficarem satisfeitas com seu emprego é um desafio. Segundo o IBGE, o trabalhador brasileiro é o segundo no mundo mais insatisfeito com o seu trabalho, perdendo apenas para o japonês. Este dado apenas reafirma a importância que o RH precisa ter nas empresas. Conseguir melhorar a sua tecnologia, seu maquinário, etc, depende muito dos investimentos feitos. Mas melhorar a produção, a comunicação, o ambiente de trabalho depende, e muito, dos funcionários. As pessoas são o principal capital que uma empresa pode ter e segurar estes talentos é um desafio constante.

Algumas pessoas arriscam dizer que o cargo de diretor de RH será, nos próximos anos, o segundo cargo mais importante dentro de uma organização. Não ouso afirmar isso, mas considerando a atual situação do mercado de trabalho, este pensamento faz muito sentido. A empresa que entender esta nova dinâmica, só tem a ganhar. E o profissional de recursos humanos que conseguir compreender as novas necessidades do cargo e adaptar o seu trabalho a esta realidade certamente terá um papel de destaque dentro das organizações.

*Por Ricardo Devai, gerente de projetos da élogos Brasil – empresa especializada em treinamento de colaboradores e reconhecida por aplicar metodologias inovadoras no processo de ensino-aprendizagem.

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