Artigo

Como vai a saúde na sua empresa?

Luiz Edmundo Rosa
25 de julho de 2017

Pesquisa da ABRH-Brasil e da ASAP mostra que 54% dos entrevistados não trabalham com indicadores nessa área

Os custos com planos de saúde, individuais e coletivos, que atendem 48 milhões de brasileiros, vêm apresentando uma consistente alta nos últimos anos, superando de longe a inflação. Em 2017, quando a inflação esperada é em torno de 4%, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) definiu em até 13,55% o índice de reajuste aos planos de saúde médico-hospitalares individuais e familiares, no período compreendido entre maio de 2017 e abril de 2018. Por outro lado, o reajuste dos planos de saúde empresariais, cujo valor não é regulado pela ANS, varia caso a caso, e pode superar facilmente aquele índice de correção.

A necessidade de cuidar da saúde tornou-se uma das maiores demandas sociais e um dos problemas mais sensíveis no Brasil. Com a insuficiência da saúde pública, as empresas acabaram sendo obrigadas a oferecer para seus colaboradores planos de saúde, como condição básica para atrair, reter e engajar bons profissionais.

Hoje, cerca de 32 milhões de pessoas têm seu plano de saúde graças às empresas. Ao mesmo tempo que estas investiam em custear planos coletivos, as opções individuais se tornaram cada vez mais restritas e proibitivas para a maioria da população. Com isso, as iniciativas empresariais se converteram numa prática de difícil retorno. Como privar suas equipes de um bem tão precioso? Contudo, os custos desse investimento dispararam muito acima da inflação e, hoje, ocupam o segundo lugar nas despesas de pessoal, na maioria das empresas.

Não faltam explicações para tentar justificar essa alta progressiva. Uma das mais recorrentes coloca a culpa na medicina moderna, alegando que ela utiliza exames e tecnologias mais caras e sofisticadas, que vão se acumulando com as tradicionais, muitas vezes sem substituí-las. Tais argumentos são insuficientes para explicar a escalada de custos. Especialistas em saúde registram a existência de exageros: o elevado número de cirurgias, próteses, exames repetitivos e medicamentos desnecessários.

Dados da ANS mostram que, no Brasil, médicos de planos de saúde solicitam mais exames do que seus pares de países ricos e desenvolvidos. O número de ressonâncias magnéticas cresceu no Brasil 22,5% em apenas dois anos (2014-2016) e hoje supera em 153% o número de exames per capita dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Por desinformação e despreparo, as pessoas usam inadequadamente os planos de saúde, fazem consultas e exames em excesso, muitas vezes solicitados por médicos que não têm condições de fazer um diagnóstico adequado. Para complementar o desperdício, muitos exames, como os de imagem, depois de feitos, não são sequer retirados. E são as empresas que financiam a maior parte de tudo isso, muitas sem saber ou acompanhar o que está acontecendo. Simplesmente pagam.

Para agravar ainda mais esse desperdício, muitos empregados que utilizam intensivamente o plano de saúde não mudam seus comportamentos de risco: sedentarismo, sobrepeso, sono insuficiente, alimentação deficiente e descuido com doenças crônicas como diabetes, pressão alta etc. Sem atuar sobre as causas, os problemas se repetem e se agravam. E muitas empresas assistem a tudo isso sem fazer nada ou quase nada.

Um bom número delas ainda não utiliza a coparticipação, em que o empregado paga uma parcela das consultas e exames que realiza. Entretanto, nem mesmo esse mecanismo resolve por si só, pois, quando o médico prescreve, o paciente, pouco instruído, tem mínimos conhecimentos para questionar e evitar abusos. Nesse caso, empresa e empregado perdem dinheiro, tempo, produtividade etc.

Por tudo isso, há uma grande oportunidade para o RH aprimorar suas estratégias e gestão da saúde corporativa, visando reduzir a escalada dos custos e, acima de tudo, proteger a vida e a integridade das pessoas. O desperdício de recursos pode ser revertido em economia para a empresa, produtividade e satisfação para o colaborador. Qual o tamanho dessa oportunidade? O que de fato vem sendo feito e o que precisa evoluir? Onde estão os números?

Buscando saber como as empresas vêm atuando em relação à gestão da saúde de suas equipes e se estão adotando programas efetivos nessa área, a ABRH uniu-se à Aliança para a Saúde Populacional (ASAP) para desenvolver uma pesquisa.

Realizada online, nos meses de maio e junho de 2017, ela foi respondida por 668 profissionais de RH que, em suas empresas, mantêm aproximadamente 1,3 milhão de empregados e 3 milhões de beneficiários dos planos de saúde. A ordem de grandeza dos números é expressiva: perto dos 32 milhões de pessoas em planos de saúde pagos pelas empresas.

Na pesquisa, respondida por profissionais de gestão de pessoas, dos quais 50% eram os próprios líderes de RH, 71% afirmam que suas empresas trabalham com uma estratégia e programas voltados à melhoria da saúde de seus colaboradores. Se as estratégias e programas de saúde adotados estivessem funcionando bem, certamente, os resultados seriam muito superiores aos que a pesquisa revela:

  • Em 81% das empresas, os custos subiram acima da inflação dos últimos 12 meses, das quais em 55% mais do que o dobro da inflação;
  • Em 83%, acredita-se que os custos não vão abaixar.
    O que poderia estar faltando para que as estratégias e programas de saúde estivessem funcionando melhor? A ABRH-Brasil e a ASAP estarão, a partir de agosto deste ano, coordenando um grupo de estudo com profissionais de RH para aprofundar esse tema. Contudo, a pesquisa fornece várias indicações que podem explicar o que impede as estratégias e programas de serem mais efetivos:
  • 41% dos responsáveis pela gestão dos programas de saúde nas empresas pesquisadas eram analistas e coordenadores, posições com menores possibilidades de gestão e influência;
  • 40% não utilizam a coparticipação nas consultas e exames, pagando integralmente seu valor;
  • 51% não têm programas estruturados para gerenciamento de grupos de risco como diabéticos, hipertensos etc., os quais costumam ser usuários de maior custo para os planos de saúde;
  • 56% não adotam programas de alimentação saudável e apenas 20% contam com os serviços de nutricionistas;
  • 40% consideram o nível de estresse alto e muito alto em suas empresas e 80% acreditam que a tendência é não abaixar;
  • 61% têm na negociação com fornecedores sua principal ação para a redução de custos com a saúde na sua empresa;
  • 54% não trabalham com indicadores.

Conclusões
A Pesquisa sobre a gestão da saúde corporativa da ABRH-Brasil e da ASAP demonstra que há uma grande oportunidade de melhoria na gestão das empresas. A ABRH-Brasil e a ASAP uniram seus esforços para contribuir com essa positiva mudança, acreditando que as empresas podem alcançar patamares superiores de resultados com a adoção de modernas estratégias e melhores práticas na gestão de saúde e, além disso, podem influenciar e contribuir para o funcionamento do sistema de saúde como um todo.,

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