Competências intercultural e global para um mundo em transformação

Sophia Lopes
4 de setembro de 2017

Segundo especialistas, nos encontramos nos primórdios da quarta revolução industrial – na qual começam a convergir as tecnologias digital, física e biológica, ampliando ainda mais a importância da computação cognitiva e da inteligência artificial.

A quarta revolução industrial produzirá transformações radicais, inclusive na forma em que vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Nesse contexto, várias atividades que hoje são desenvolvidas por pessoas serão automatizadas, trazendo desemprego.

Até Stephen Hawking e outros cientistas advertiram sobre a aplicação da inteligência artificial a longo prazo em “Uma carta aberta sobre Inteligência Artificial”. E o CEO do LinkedIn, Jeff Weiner, estima que o avanço da tecnologia deixará 5 milhões de desempregados até o ano de 2020. Ao mesmo tempo, surgirão áreas altamente especializadas que demandarão mão de obra qualificada, criando-se também novas oportunidades de emprego.

Para o especialista Orlando Ashford, estamos diante do surgimento de um novo ecossistema humano, entendido como a forma em que várias comunidades funcionam e considerando as estruturas sociopolíticas e os fatores psicológicos, biológicos e ecológicos. Nesse novo ecossistema, o talento passa a ser o fator fundamental do capitalismo, suplantando o capital.

Em uma análise das características do novo sistema, o autor explica que serão cada vez mais comuns o trabalho virtual e a mobilidade da mão de obra. Por sua vez, a capacidade de construir um sólido networking e de cooperar dentro e fora da empresa será essencial.

A tecnologia facilitará, cada vez mais, a comunicação e a interconectividade entre indivíduos que se encontrarão em diversas partes do mundo, trabalhando no mesmo projeto.

Assim, as organizações basearão cada vez mais suas atividades em torno de projetos, o que permitirá atrair os melhores talentos. O desafio será atraí-los e gerenciá-los, com políticas específicas de retenção.

A tudo isso, soma-se a ameaça do desemprego, as mudanças nos sistemas de previdência, adiando-se a idade da aposentadoria e a volta ao mercado de trabalho dos já aposentados, que procurarão formas de complementar a renda. Dessa maneira, o mercado de trabalho será cada vez mais diverso, intergeracional, multicultural e virtual.

Diverso e multicultural porque será natural contar com equipes compostas por pessoas de diferentes culturas. Intergeracional porque trabalharão juntas várias gerações (Baby Boomers, geração X, Y e Z) que percebem o mundo e se relacionam com a empresa de formas diferentes. Por exemplo, uma pessoa da geração Y mudará mais frequentemente de cidade e de emprego do que os baby boomers ou os da geração X. Os da geração Z, são ainda mais voláteis, pois procuram a evolução e crescimento constante.

Diante desse cenário tão desafiador, o que podemos fazer para sermos competitivos?

Em primeiro lugar, devemos compreender que a sociedade do talento traz o protagonismo para o indivíduo e suas capacidades, sobretudo a criativa e de relacionamento interpessoal. E no mundo globalizado, multicultural, interdependente e interconectado, o desenvolvimento de networking nacional e internacional é essencial.

Isso quer dizer que além do aprendizado e aprimoramento constante das competências técnicas, fundamentais para o exercício da atividade profissional, as pessoas deverão desenvolver o que chamamos de competências intercultural e global, pois o campo de atuação não se restringirá mais à cidade ou ao país de origem, passa a ser internacional.

Ou seja, referimo-nos – segundo a pesquisadora Darla Deardorff – à “capacidade de se comunicar eficiente e apropriadamente em situações interculturais, baseando-se no conhecimento, habilidades e atitudes interculturais desenvolvidas pelo indivíduo”. O que significa diferentes níveis de habilidades em idiomas, compreensão cultural e geográfica, habilidade no e-commerce e internet, conhecimento sobre os diversos sistemas políticos e econômicos e familiaridade com as questões globais.

*Lourdes Zilberberg é diretora de Internacionalização da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) e especialista em Competência Intercultural e Global

Compartilhe nas redes sociais!

Enviar por e-mail