Conexão perfeita

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A gestão empresarial contemporânea já consagrou que uma das características dos líderes é inspirar as pessoas pelo exemplo e que a prática deve ser alinhada ao discurso. Caso contrário, afeta-se a credibilidade e, consequentemente, a capacidade de liderança – aquela que move as pessoas de forma espontânea e não imposta. Mas agir de acordo com o que fala não é apenas uma questão de coerência ou caráter. Segundo Marina de Mazi, consultora da Betania Tanure Associados, é comum esse tipo de inconsistência emergir no desenvolvimento de lideranças e dificultar ou até impedir o avanço das mudanças pretendidas na organização. “O feedback honesto ajuda o líder a rever suas atitudes e se abrir para mudanças rumo à consistência. O autoconhecimento é a chave desse processo”, diz.
Ela explica que a integridade é a conexão entre os três centros da consciência humana: o pensamento; o sentimento; e a ação. “O pensar é a manifestação de nossas crenças, valores e ideias. Estes atuam como um filtro sobre a realidade e são impressas em nossa consciência desde a infância”, conta Marina.

A consultora lembra que, geralmente, durante a adolescência, questionamos os valores que nos foram passados pelos pais, pela escola e pela sociedade e esse processo de ressignificação ocorre com nossos princípios básicos, que norteiam nossos comportamentos. “Existem, entretanto, alguns valores que não questionamos e ficam guardados em algum recanto da consciência, mas não são eliminados. Eles permanecem atuando como lentes, ainda que inconscientemente, sobre nossa percepção da realidade.” Marina cita o caso de um executivo que, para dizer aos funcionários que todas as ideias eram igualmente valorizadas na empresa, desenhou uma pirâmide, colocando-os na base, abaixo dos chefes. “Esse gesto demonstra um valor inconsciente, mas vivo e operante em suas ações. Tudo que é inconsciente, não conhecido, é o lado sombra. A pessoa age sem ter noção das consequências de suas atitudes. Em uma situação como essa, os funcionários captam a mensagem embutida no sentimento do chefe e decidem se compram ou não aquela história. Podem entender que o discurso serve apenas para disfarçar a vontade de manter os níveis da empresa separados. Entretanto, por razões sociais, profissionais ou de mercado, criamos um teatro com todos os atores envolvidos no faz de conta, mas sem se conectar de fato”, descreve.

Segundo a consultora, algumas questões derivam desse teatro organizacional. Como ter consciência de todos os seus valores, que agem sem que você saiba e podem te trair a qualquer momento e como “ressignificar” valores de acordo com aquilo que você quer acreditar, mas, intimamente, ainda tem dificuldade, são duas dessas perguntas que surgem. E fica outra: como você lida com elas? “Buscar evidências de que sua crença não condiz com o que pretende para si e, a partir de uma análise racional e consciente que pode contar com ajuda externa, trabalhar para promover a própria mudança, como aconteceu com o executivo citado, é um caminho. E assim o executivo poderá, finalmente, pensar e agir como um líder inspirador, que conduz as pessoas para transformar a sua empresa”, completa a consultora.

 

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