Gestão

CONGREGARH Conexão 2014 – Buscar a essência

2 de setembro de 2014

Para alguns, como Thomas Friedman, o mundo é plano. No livro que escreveu, e que tem essa definição como título, ele faz uma análise crítica da globalização, buscando traduzir cenários econômicos e políticos para entender o que foi e para onde pode caminhar o processo de quebra de barreiras das nações, sem deixar de lado seus êxitos e benefícios. Para outros, o mundo é simplesmente complicado – ainda mais quando se fala do corporativo.

Fatores parecem não faltar para justificar essa visão: a complexidade decorre do advento da tecnologia, das novas plataformas de relacionamento entre as pessoas, do empoderamento de cada uma delas, do aumento de concorrentes em um mercado cada vez menor. Decorre ou proporciona? A questão também esconde essa complexidade.

Tecnologia
Para muitos, ela é uma espécie de vilã do mundo contemporâneo. Afinal de contas, a tecnologia tem mais atrapalhado ou facilitado a vida? Para a vice-presidente de desenvolvimento humano e inovação da ABRH-RS, Crismeri Delfino Corrêa, ela exige outras habilidades e deixa o mundo mais veloz e propício às mudanças. “Muitas vezes, são as pessoas que fazem o mundo ficar complexo. Há muitos itens subjetivos que não temos como medir, que não envolvem tecnologia — devemos entender a tecnologia como ferramenta e não como causa.”

“Nunca vivemos em um mundo com tanta liberdade”, diz Crismeri Delfino Corrêa, vice-presidente de desenvolvimento humano e inovação da ABRH-RS. “Passamos de uma sociedade industrial para uma sociedade do conhecimento e, agora, para uma sociedade em rede. Onde se fala em rede, falamos de confiança e colaboração. Como percebemos que muitas vezes esses comportamentos não são gerenciados, nem ao menos exigidos, origina-se a complexidade do controle e dos processos, causando mais complicação. Dessa forma, é possível ajudarmos o mundo a ficar mais simples se trabalharmos mais em colaboração”, acrescenta.

Com base nessa transformação por que passam sociedade e empresas, a ABRH-RS promove, nos dias 4 e 5 de setembro, o Congresso de Gestão de Pessoas – CONGREGARH CONEXÃO 2014. Com o tema central Simplicidade na era da complexidade, o maior evento da área do Rio Grande do Sul será realizado na Universidade de Passo Fundo (UPF), em Passo Fundo. Mas qual a importância de discutir esse tema no atual cenário brasileiro? “Temos uma herança do ‘jeitinho’, de povo alegre, o que pode necessitar do controle para amarrar e controlar o que se pode fazer. No entanto, como estamos crescendo como país, podemos criar uma nova cultura de crença de que podemos fazer diferente”, conta Crismeri.

Em termos de produtos e serviços, por exemplo, há sempre a necessidade de serem reinventados, de incorporarem inovações. Para tanto, lembra Crismeri, as empresas necessitam de outras expertises, buscando competências distintas em novas organizações e serviços. “Essa aquisição/fusão ou mesmo parceria entre empresas gera novos modelos de atuação e de solução no mercado. Internamente, permite novos rearranjos com pessoas e processos. A maioria das empresas necessita de outras empresas, o que pressupõe novos relacionamentos de colaboração e confiança – temas mais complexos esperando líderes que possam simplificar o complicado”, diz.
#Q#
Na opinião da vice-presidente, buscamos, nos dias de hoje, mais a essência e a simplicidade, o entendimento. “O maior desafio é o engajamento com resultado”, afirma. Para isso, é necessário acessar o que é significativo para as pessoas. “E o significativo é o simples, o que é entendido, o que desejam, a sua causa.”

Em um mundo em que resultados cada vez maiores (e melhores) são exigidos, em que se percebe uma produtividade em baixa, em que se demanda um maior empenho dos colaboradores para produzir mais com menos, é fácil entender a quantidade de esforço que cada trabalhador tem de despender para dar conta do resultado final. “Isso muitas vezes deixa as equipes insatisfeitas. Os líderes ficam envolvidos demais com a burocracia e em reuniões operacionais, não sobrando muito tempo para as pessoas – o que causa maior insatisfação no trabalho. Diante desse cenário, vale refletir como os líderes estão trabalhando com as pessoas, como estão envolvendo seu grupo, engajando-se em causas e celebrando resultados”, destaca.

Mas como lidar com a busca do simples em ambientes em que a burocracia parece emperrar essa jornada? A resposta está em como encarar essa burocracia. De acordo com Crismeri, toda empresa necessita de controles e burocracia, desde que não seja para atuar sobre o controle, apenas para gerenciá-lo. “Se você tiver clareza sobre o que tem de ser feito e acreditar que as outras pessoas também o farão, pode diminuir, e muito, a burocracia, deixando os processos mais velozes e fluidos”, conta, acrescentando que a complexidade só é boa quando traz correlações de aprendizados e inovações.”Quando ela gera desgastes de desconfiança e controle, torna-se ruim”, finaliza.

 

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