Gestão

Conquistar e engajar

Núbia Matos
25 de junho de 2012

Um estudo elaborado pelo ManpowerGroup sobre o desemprego entre os jovens revela que entre as causas disso estão a pouca experiência, a falta de informação e o (baixo) networking, além das crises econômicas que acabam tirando esse profissional do mercado. Para melhorar esse cenário, o levantamento faz propostas simples, destacando a participação das empresas no processo de aproximação dos jovens e do mercado de trabalho, além de promover o empreendedorismo juvenil. E o que o RH tem a ver com isso? Riccardo Barberis, CEO da Manpower Brasil, mostra alguns caminhos em sua entrevista a MELHOR.



Que tipo de ação as empresas podem priorizar para auxiliar o jovem a ingressar no mercado de trabalho?

Atualmente vivemos um momento onde a escassez de talentos é muito acentuada e sem previsões de mudança no futuro. Dentro deste contexto, surge a “Era do Potencial Humano”, na qual o diferencial para uma empresa crescer deixa de ser o capital, o maquinário ou a tecnologia, que pode ser facilmente copiada, e passa a ser o talento.
A primeira ação que a empresa deve priorizar é o investimento na marca. Muitas vezes, o jovem entra no mundo do trabalho baseando-se no quanto uma marca é atraente ou conhecida, o quanto essa marca transparece os valores e a cultura de uma empresa ou produto, criando um padrão em que o jovem se reconhece, não apenas profissionalmente, mas pessoalmente também. A segunda coisa que a empresa pode desenvolver é inovar sua estratégia de recrutamento e seleção. Isso quer dizer deixar o mundo do trabalho em conexão com os jovens, principalmente neste mercado no qual a competição passa a não ser mais na mesma cidade ou no mesmo país, mas, sim, uma competição global. Temos muitos dados que mostram a tendência da internacionalização dos talentos em diferentes países do mundo. Tendo isso em vista, as empresas podem criar esta relação estando presente em diferentes canais, como internet, mídias sociais e tudo o que pode ampliar a forma com que a marca se comunica no mercado utilizando novas tecnologias.


O que podemos entender por “empreendedorismo juvenil”? Qual o papel das empresas nesse processo?

O empreendedorismo juvenil é um dos grandes desafios da América Latina e principalmente do mercado brasileiro. Isso porque, se observarmos os dados da população ativa na América Latina como um todo, nos próximos 20 ou 30 anos podemos identificar uma das forças mais importantes na economia global, que são os jovens. Em outros pontos do mundo, como Europa e China, a tendência dos próximos 30 anos é a redução dessa população ativa. No Brasil, devemos estimular nossos jovens a serem empreendedores de si mesmos. Empreendedorismo não significa necessariamente criar seu próprio negócio, deve ser um hábito e significa pró-atividade no mercado de trabalho, uma mudança de cultura. Hoje em dia, o jovem não vai procurar um lugar de trabalho, mas sim a melhor oportunidade para ele no mercado. A mudança é do lugar de trabalho para o mercado de trabalho. Essa é a tão falada geração Y, que tem esse novo poder de escolha, de poder olhar as empresas, as marcas, os valores da companhia e tomar uma decisão em função de características que nunca antes fizeram parte do mercado brasileiro, como identificação pessoal com a marca, identificação de valores pessoais com a empresa, profissionalismo e mais chance de empregabilidade para os próximos lugares onde desejarem trabalhar.


Como a área de recursos humanos pode auxiliar na capacitação desses jovens para que eles tenham sucesso na empresa?

Há um grande desafio neste momento de escassez de talentos e as estratégias de RH devem mudar. A primeira mudança é o pensamento “contrato quando preciso”. Pela primeira vez no Brasil, esta fórmula não funciona mais. Os RHs deveriam começar a planejar a própria estratégia de recrutamento e seleção e conectá-la muito mais Í  estratégia do negócio. Devem lidar com uma nova forma de gerenciar os jovens e podem fazer isso, por exemplo, por meio da cultura do feedback. O jovem gosta de ter feedback e precisa dessa orientação, e o primeiro ponto que a empresa deve saber é que esse não é apenas um sistema de avaliação numérico. O feedback deve existir constantemente, de forma estruturada, transparente e direta. Ele não deve ser feito baseado somente em uma avaliação quantitativa, mas na performance como um todo. Isso porque o talento não é somente competência em números, é também comportamento, estilo de trabalho, capacidade de trabalhar em equipe e de resolver problemas, de trabalhar sob pressão, entre outros aspectos. Estes últimos são pontos que os jovens devem aprender a lidar e, para que a empresa auxilie nessa capacitação, tudo isso deve fazer parte da estratégia de RH e da conversa que a empresa tem com seus novos empregados.


Como o gestor de pessoas deve organizar as áreas para que o jovem profissional cresça e seja produtivo?

Há um novo conceito onde a empresa atua como um mentor para o grupo de jovens que ingressam na companhia. Assim, a estratégia do RH deve saber colocar os jovens num contexto que reflete uma economia global, ou seja, a empresa deve ter objetivos de curto prazo, em um mercado imprevisível e que muda rapidamente. Tudo isso tem um impacto na capacidade de gerenciar diferentes projetos ao mesmo tempo e deve ser uma forma de organizar a motivação dos jovens para mantê-los engajados. Uma segunda maneira é colocá-los para trabalhar em diferentes equipes, onde há pessoas com diferentes culturas, experiências e departamentos, isso para ajudar os jovens a lidar com a complexidade do mercado. Quando um jovem adentra esta realidade, a área de RH tem a missão de colocá-lo em uma situação mais confortável, de aprendizado. É a novidade das novas empresas do futuro, que serão destaque com os jovens e irão criar um ambiente de aprendizado contínuo, uma cultura empresarial na qual a comunicação interna é a forma de trabalho.


Utilizar o mentoring na gestão dos jovens pode ser um bom auxílio?  Como potencializar essa ferramenta?

O mentoring, ou seja, a capacidade de transferir competência e experiência a um jovem, é o que está mudando o paradigma do que é um chefe. O chefe no passado era uma pessoa que sabia mais que seu subordinado e ditava regras, hoje, o chefe não é necessariamente o que sabe mais, mas quem sabe liderar um equipe, inspirar um comportamento e obter o engajamento. Essa mudança da liderança por meio do engajamento e não do poder é o novo desafio do RH, e o mentoring pode ser uma grande ferramenta para ajudar a empresa nessa mudança de estilo de gerenciamento dos jovens.

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