Gestão

Conta amarga

3 de setembro de 2014
André Caldeira / Crédito: Divulgação
Caldeira, da Propósito: panela de pressão corporativa / Crédito: Divulgação 

O fundador e diretor-geral da Proposito, empresa de executive search, consultoria e equilíbrio entre trabalho e estresse e desenvolvimento de talentos estratégicos, André Caldeira alerta para os riscos que o atual mundo corporativo gera em termos de estresse. Autor de Muito trabalho, pouco stress – conheça Joe Labor, e talvez um pouco mais sobre você, que retrata a vida de Joe Labor, um workaholic que vive sempre no limite da exaustão, Caldeira aponta alguns caminhos para vencer esses problemas que podem custar 4% do PIB no Brasil.

Quanto custa o estresse?
Estudos atestam que o custo do estresse profissional nos EUA passa de 200 bilhões de dólares ao ano. No Brasil, estima-se que chegue a quase 4% do PIB, ou mais de 80 bilhões de dólares, segundo a ISMA (International Stress Management Association). Além dos custos médios, ligados a tratamentos, internamentos e consultas, os maiores valores são relacionados à baixa produtividade, ao absenteísmo, ao turnover, ao burnout, aos passivos trabalhistas e aos budgets crescentes de treinamento pela perda de bons profissionais para o estresse, por conta da dificuldade de reter e atrair talentos. Isso dói no bolso e na reputação das empresas.

O que ajuda a aumentar esse estresse?
Com o mercado de trabalho cada vez mais competitivo e a crescente busca por mais eficiência, é natural que empresas se empenhem em atingir metas e entregar bons resultados. E isso só é possível exigindo mais dos colaboradores. Está montado o cenário da panela de pressão corporativa. Somemos a isso a realidade do uso de tecnologias que permitem a mobilidade e o acesso ao trabalho quase 24 horas por dia. Some-se a isso um cenário desafiador, com a economia crescendo muito pouco e as fusões e aquisições. Tudo isso aumenta o estresse. E a competição para os melhores resultados, que podem significar mais reconhecimento e estabilidade para os profissionais. Ou seja, a pressão é de todos os lados.

E o que é possível fazer para evitar esses problemas?
Na perspectiva das empresas, o plano de ação passa pela adoção de políticas e práticas que privilegiem ambientes produtivos e saudáveis, que limitem os abusos de horas e de uso da tecnologia e que estimulem um estilo de vida mais saudável. Para isso, diagnosticar o nível de estresse e (im)produtividade dos profissionais é fundamental. O desafio, a partir de agora, está não só na saúde física, mas principalmente na saúde mental, ligada ao crescimento dos índices de ansiedade e depressão, com consequências muito sérias para as empresas.

Há um futuro tenebroso, é isso?
O mundo corporativo só tende a ficar cada vez mais desafiador: os segmentos de mercado serão cada vez mais competitivos, teremos mais e mais fusões e aquisições, um mercado de capitais mais exigente, que torna os índices de eficiência públicos e estabelece novos benchmarks para as empresas, o uso crescente e exacerbado de tecnologias móveis, funis e competição ferrenha pelos melhores empregos, avaliações e análises comparativas para progressão de carreira e assim por diante. Mas podemos escolher: respeitar nossos limites, administrar bem o tempo do trabalho para ter mais produtividade e menos procrastinação, buscar mais tempo de qualidade na vida pessoal para poder lidar melhor com as pressões crescentes.

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