Criar a liga certa

Por Lygia Fray Villar*
17 de junho de 2011

O mercado imobiliário vem crescendo a dois dígitos ano a ano, batendo recordes de vendas e de lançamentos. Como o alto déficit habitacional no país, alinhado ao crédito farto, crescimento da renda, do financiamento e do consumo, o setor vem apresentando uma forte expansão. Porém, um dos desdobramentos desse desenvolvimento é a escassez de mão de obra qualificada.

De acordo com pesquisa feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), com 375 empresas do setor, 68,4% dos empresários nesse ramo disseram enfrentar algum tipo de dificuldade em relação Í  mão de obra. Nesse contexto, no qual o desemprego no país tem um dos índices mais baixos da história e a concorrência por profissionais é acirrada, o maior desafio para o RH é criar mecanismos para reter e desenvolver seus colaboradores, pois são diversas as ofertas de emprego. No Brasil, a construção civil atualmente está na melhor fase das últimas duas décadas e, segundo uma pesquisa divulgada recentemente pelo Banco Central, a taxa de rotatividade em 2010, ou seja, a taxa de pessoas que mudaram de emprego neste ano, atingiu a imponente marca de 46,7%, o maior nível desde 2000. Ainda segundo esse estudo, a construção civil foi o setor com o maior índice de troca de postos.

Ações de retenção
Portanto, é preciso estar sempre atento não apenas Í s faixas salariais que vêm sendo praticadas pelas empresas do setor, mas, principalmente, é preciso criar processos constantes que beneficiem os funcionários e possibilitem sua retenção. Em paralelo, outro desafio é atrair os melhores profissionais, mantê-los motivados e com uma visão de carreira em médio prazo.

Claro que recompensar acima do mercado é importante, mas é imprescindível fomentar o aprendizado. Há empresas, como a Brookfield Incorporações, que criam uma universidade corporativa para disseminar o conhecimento do negócio e estimular a capacitação técnica e o desenvolvimento de lideranças. Em um grande portal do conhecimento, os colaboradores têm acesso a escolas que estão alinhadas com a estratégia de negócio da empresa. Existem centros de ensino que surgiram exatamente dessa crescente necessidade de capacitar mão de obra especializada, que forma e desenvolve as equipes de construção. Nesses locais, são oferecidos cursos presenciais específicos para capacitação de mestres de obras, pedreiros, encarregados de pedreiro, administrativo de obra e almoxarifes, além de cursos técnicos para a área de segurança, medicina do trabalho e ISO.

Outro fator essencial para reter profissionais qualificados é criar um conjunto de práticas que ofereçam assistência em diversos campos da vida do profissional. As empresas criam programas que auxiliam os colaboradores nos campos social, psicológico, de planejamento financeiro e no jurídico. Esse é um diferencial que não se limita apenas Í  assistência médica e odontológica.

O programa de reconhecimento de uma empresa é outro fator diferencial de determinada companhia em relação a outra.  Por isso, o profissional de RH precisa ficar atento ao que o mercado oferece em termos de remuneração fixa e variável. Um bom plano de bônus motiva o comprometimento do colaborador com a empresa, que por sua vez, deve deixar claras suas metas organizacionais, departamentais e individuais. Além disso, mapear e gerir talentos são essenciais para o crescimento saudável de uma organização.

Clima organizacional
É essencial também transformar positivamente o clima organizacional. Promover  qualidade de vida, sentimento de pertencimento ao grupo e respeito Í s diferenças são valores que precisam ser transmitidos a todos. Assim, é importante que a empresa crie e desenvolva ações que estimulem a participação e o envolvimento de todos. Por fim, o grande desafio das empresas que sofrem com a falta de mão de obra é sempre valorizar os recursos internos antes de iniciar qualquer contratação externa, pois todo profissional precisa se sentir valorizado e estimulado. Logo, uma incorporadora precisa criar políticas para que serventes virem mestres, estes se tornem engenheiros, e assim por diante.

O principal gargalo para o crescimento acelerado nos próximos anos pode ser a falta de mão de obra especializada, mas isso só acontecerá nas empresas que não se prepararam e não investiram em treinamento e capacitação interna. Um dos obstáculos para o RH é participar nas decisões estratégicas da empresa. Nossa área precisa sempre estar alinhada ao negócio, viabilizando projetos que  impactem e melhorem os processos ou as pessoas que atuam no ciclo do produto.

* Lygia Fray Villar é superintendente de RH da Brookfield Incorporações

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