Gestão

Cuidar do barco

Felipe Westin
14 de Março de 2012

Ao reler e rever as reportagens sobre o naufrágio do navio Costa Concórdia, na Itália, no início do ano, passei a imaginar toda aquela situação caótica no momento da emergência. Estavam a bordo mais de 4,2 mil pessoas, de 60 nacionalidades. O pânico de ser surpreendido, no meio da noite, pelo choque da embarcação em uma rocha junto à ilha Giglio foi, sem dúvida, agravado pelo aparente despreparo do comandante Francesco Schettino em controlar a situação. Na verdade, o destaque em termos de liderança foi dado pelo chefe da capitania de Livorno, ao gritar a célebre frase “Vada a bordo!”. O final desse episódio não poderia ser mais trágico, com mais de uma dezena de pessoas mortas no desastre. Esse caso traz à tona, se podemos usar esse termo, algumas boas discussões sobre vários temas ligados à gestão de pessoas além de outras analogias com o mundo dos negócios.

Quando a maré está calma, com o navio navegando em mares tranquilos, tudo caminha bem, sem nenhuma preocupação, há apenas enjoy life e vamos deixando o barco correr, literalmente falando. No mundo dos negócios, e principalmente no mundo da gestão pública, as coisas rolam e caminham mais ou menos da mesma forma. Quer ter uma prova? Basta ver os noticiários recentes a respeito da crise no continente europeu. Tudo estava indo tão bem, todos estavam desfrutando do passeio e do “cruzeiro” nos últimos anos sem a menor preocupação com a mudança do tempo, com os ventos fortes que passaram a soprar com a crise de 2008, com os gastos com o navio, ou se a rota estava certa ou não. Enfim, levava-se uma vida de desfrute.

Bastou descuidar um pouco da rota, e lá foi o Costa Concórdia de encontro com as pedras no caminho, e o caos se instalou. Ou melhor, bastou um descuido e lá se vão nações inteiras indo para a bancarrota. O despreparo da liderança do navio e da sua tripulação em cuidar da situação seria algo circunscrito apenas naquele incidente? Podemos aprender alguma coisa? Será que foi somente nesse episódio que isso aconteceu? Será que não é isso que acontece nos países, nas economias do mundo, nas empresas? Fica claro que por mais tecnologia que se tenha disponível, o fator humano é crucial para o sucesso, ou insucesso, de todas as atividades. Ter uma liderança preparada, responsável, bem como uma tripulação treinada, pronta para o que der e vier, faz toda a diferença, seja no mundo corporativo ou fora dele.

O episódio do Costa Concórdia chama muito a atenção da importância desses fatores em nossas vidas. Países estão se afundando na Europa por conta de lideranças e tripulações mal preparadas, especialmente para os momentos difíceis. Igualmente empresas sucumbem por falta de líderes e tripulação adequados. Será que alguém tem alguma dúvida da importância da gestão de pessoas e da liderança para ter sucesso? Essa é uma prova concreta de que não basta ter dinheiro, tecnologia, sem ter o fator humano como centro das atenções. Ou será que preferimos o naufrágio?

Felipe Westin é diretor executivo da Westin Gestão de Pessoas e presidente do Conselho da ABRH-SP

 

Compartilhe nas redes sociais!

Enviar por e-mail