Gestão

Da realidade que temos para o futuro que queremos

Luiz Augusto Costa Leite
9 de Janeiro de 2009

Mais uma vez o mundo vive um período de transição. Crise é a palavra da época; espera-se que por tempo limitado. É um momento de ruptura no funcionamento de um sistema. Uma vez ultrapassada, os novos comportamentos não se identificam mais com os que a precederam. O que precisamos aprender quando nos referimos às organizações, seus sistemas de gestão e seu universo humano?

O primeiro desafio é admitir que o processo de mudança é quântico. Na era da informação, não adianta procurar soluções em modelos funcionais clássicos. Também não cabe manter estruturas hierárquicas convencionais, visto que o conhecimento flui horizontalmente. Sabemos, portanto, qual é a tendência. Nossa obrigação é discuti-la, construir ferramentas e lutar por soluções que a viabilizem.

Num momento de contenção e rebaixamento de metas, a perspectiva é a sobrevivência e o foco no resultado imediato. A questão é se os resultados são sustentáveis, pactuados dentro de uma ética que considere as necessidades de todas as partes. As mais recentes pesquisas em qualidade de vida são eloqüentes ao demonstrar que as pessoas não agüentam mais o resultado a qualquer custo.

Todos buscam alinhar o trabalho individual às estratégias organizacionais. Para isso, é preciso mobilizar as pessoas individual e coletivamente. Sucede que o nível de consciência sobre os processos e frutos de tal alinhamento amadureceu: o papel da liderança, as demonstrações de reconhecimento, a lógica da recompensa, tudo isso requer estratégias baseadas nos valores que pessoas e grupos levam para a organização como produto de suas experiências de vida. Mobilizar é compartilhar com maturidade a construção de expectativas comuns.

No entanto, nem todos os ativos estão à disposição, em especial os intangíveis, relegados a segundo plano pelos gestores. Dentre eles, a educação em suas diversas expressões, como aprendizagem organizada e incentivo à criatividade, por exemplo. O Brasil não se orgulha de suas conquistas nesse campo. O investimento maciço em educação não pode esperar por um cenário econômico favorável, porque qualquer cenário precisa ser favorável à educação. Esta é uma prioridade para os gestores de RH e gestores de pessoas.

Se fizermos um exercício de transformação do tipo de-para, não teremos dificuldade em constatar que esse “para” pode ser competitividade, produtividade, trabalho colaborativo, flexibilidade, atenção aos stakeholders e mudanças.

As organizações só conseguirão transformar essa sopa de letras em realidade se orquestrarem um novo pacto com todos os envolvidos em suas estratégias, a partir das pessoas que nelas trabalham.?O mundo está mudando muito depressa para esperarmos que os outros façam por nós o que a sociedade exige em modelos de convivência produtiva. É hora de a economia se integrar às demais disciplinas da ciência social. Nada melhor que um momento de ebulição para darmos sentido à nossa missão de profissionais e cidadãos.?Há que respeitar a realidade e aí encontrar oportunidades para superá-la, mas com um sentido de futuro. Faremos isso na preparação e na realização do 35º CONARH 2009. Trata-se de um compromisso.

Luiz Augusto Costa Leite é coordenador do comitê de criação do CONARH 2009

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