Gestão

De olho nos jovens talentos

Beth Callia
13 de junho de 2014
Beth Callia
Beth Callia é coordenadora do Projeto Formare, na Fundação Iochpe

O Brasil registrou em dezembro de 2013 uma taxa de desemprego de 4,3%, considerada a mais baixa da história desde que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciou esse tipo de levantamento, em 2002. Se por um lado podemos comemorar, por outro devemos ter mais atenção com o número de desemprego na faixa de quem está querendo entrar ou se firmar no mercado de trabalho: os jovens.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou no ano passado um relatório com dados preocupantes acerca do mercado para os jovens brasileiros. O documento destaca que, em 2012, um quarto das pessoas com idade para trabalhar no Brasil tinha entre 15 e 24 anos. E, entre os desempregados, 46% eram jovens. A principal recomendação para reduzir o quadro é investir mais em educação, além de buscar medidas para estimular a contratação dos mais novos.

Nos países da OCDE, mais de um em cada oito jovens não estão empregados, frequentando escola ou em treinamento. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que há 75 milhões de jovens desempregados no mundo. Paradoxalmente, há uma escassez crítica de habilidades. Entre os nove países consultados pelo McKinsey Global Institute (Alemanha, Arábia Saudita, Brasil, EUA, Índia, Marrocos, México, Reino Unido e Turquia), apenas 43% dos empregadores pesquisados confirmaram ser possível encontrar um número suficiente de trabalhadores iniciantes qualificados. E esse problema provavelmente deverá tornar-se muito pior. O instituto estima que, até 2020, haverá escassez de 85 milhões de trabalhadores de nível médio e alto de qualificação.

Se os jovens que trabalharam duro para se formar no colégio e na universidade não conseguirem obter empregos decentes, a sociedade terá de se preparar para surtos de ira e violência. A prova está nos protestos que ocorreram, recentemente, na África do Sul, Chile, Egito, Espanha, EUA, Grécia, Itália e no Brasil.

#L# Para enfrentar o problema, são necessários o desenvolvimento de competências e a criação de empregos. O jovem precisa estar preparado para entrar no mercado de trabalho e isso não acontece apenas com a conclusão dos estudos no ensino médio. Ele tem de receber cursos de qualificação para entender quais as reais necessidades do mercado. Sem essa formação, ficará cada vez mais difícil garantir a inclusão deste público.

O jovem, hoje, não está de olho apenas em oportunidades, mas busca também reconhecimento, plano de carreira, desenvolvimento, interação com outras áreas, conhecimento e muito diálogo com seus gestores.

A voz dessa população já está presente nas ruas, seja para reivindicar mais qualidade nos serviços públicos ou dar um “rolezinho” em shopping centers. O que falta é mais orientação e qualificação. Se as empresas investirem nos jovens certamente terão um arsenal de talentos preparados para aumentar seus níveis de competitividade e se tornarem mais sustentáveis.

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