Gestão

De volta para o futuro

Marcos Nascimento
12 de dezembro de 2011

Em meados de 2010, o cientista organizacional Jon Ingham conduziu uma pesquisa para verificar, junto aos líderes de RH de alguns países da Europa, os possíveis desafios para a área em 2011. Duas dimensões foram exploradas: a dos negócios e a dos específicos em RH. Das respostas, o que surgiu como possíveis desafios acabou acontecendo, como entender as necessidades dos clientes eternamente insatisfeitos; lidar com a incerteza econômica; gerenciar as influências políticas/governamentais; assegurar o crescimento da receita; assegurar performance, entre outros.

Quando a questão foi mais focada em RH, os resultados também foram lógicos e a maioria do que parecia ser um exercício de futurologia, ainda que com bom-senso, acabou se materializando. Alguns deles foram: recrutar de forma estratégica; reter talentos; implementar processos para geração de capacidades e engajamento; desenvolvimento de capacidades dentro da área de RH; reconhecimento por performance; medição e KPIs em RH; desenvolvimento de liderança; gerenciar mudanças; ser criativo, entre outros.

Ao analisar esses resultados cabe a pergunta: são desafios e perspectivas para o próximo ano ou é algo constante ao qual temos de nos adaptar e estar preparados sempre? Na minha percepção, não temos novidade em nada disso – ao menos no que diz respeito aos “quês” que serão demandados. Nos “comos”, estou seguro que sim, teremos algo novo, pois como há muitos anos escreveu o filósofo grego Heráclito: “nenhum homem pode atravessar o mesmo rio duas vezes porque nem o homem nem o rio são os mesmos”. Sinto a mesma coisa quando analiso os desafios para a área de RH ano após ano.

Ou seja, lidaremos com desafios cuja fundamentação é a mesma do passado (ainda são rios, ainda são homens), mas o contexto no qual estarão não será o mesmo. Faço toda essa contextualização para exprimir minha inquietude e, ao mesmo tempo, esperança de que as perspectivas para a área, para o próximo ano, serão iguais as dos últimos anos, porém diferentes. A afirmação pode parecer antagônica, mas comporta o grande desafio de RH e dos gestores de pessoas: lidar com a ambiguidade, o antagonismo e a complexidade. O RH terá de lidar, nos próximos anos, com todos os temas descritos na pesquisa de Ingham, mas de forma paradoxal. Ou seja, ele terá de gerenciar os paradoxos, trabalhar a possibilidade do “e” e não mais do “ou”.

Estejam preparados para lidar com os mesmos desafios de 2011, mas de forma mais ampla, profunda e “nervosa”. A boa notícia é que nós já vimos isso antes. Temos a experiência para não cair na tentação de comoditizar as soluções e sim trabalhar em novas opções para atravessar aquele mesmo rio para o qual Heráclito nos chama a atenção. Mas se você não gostar dos filósofos pré-socráticos pode olhar para um cientista meio louco, mas muito sábio, o Dr. Emmett Brown, pois ele nos ensinou muito bem as possibilidades que teremos quando viajamos de volta para o futuro.

 
Marcos Nascimento é partner at Manstrategy Consulting, expert em desenvolvimento e alinhamento de top teams

 

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