Desafio é fazer o bolo crescer

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O mercado formal de trabalho tem hoje cerca de 44 milhões de trabalhadores, mas apenas 14 milhões, ou um terço do total, são atendidos pelo Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). E esse é o principal desafio do setor de benefício-convênio: atingir os demais 70% dessa população.

Para Ronaldo Varela, diretor executivo comercial, de marketing e produtos da CBSS, administradora dos cartões Visa Vale, é preciso vencer algumas barreiras para conquistar mais consumidores em um mercado que movimentou mais de 20 bilhões de reais em 2010, segundo dados da Associação das Empresas de Refeição e Alimentação Convênio para o Trabalhador (Assert). Segundo ele, empresas de pequeno porte localizadas distantes dos grandes centros e a informalidade são os principais empecilhos que impedem o crescimento do mercado de refeição-convênio. “Nossos esforços estão voltados à pequena e média empresa como uma nova fronteira de expansão do programa, com canais mais adequados para venda a varejo, desenvolvimento de uma plataforma web para facilitar o acesso de negócios localizados no interior e, hoje, a CBSS opera em um modelo que permite a uma organização que tenha apenas um funcionário ser cliente.  Vemos grandes oportunidades de crescimento dentro dessa massa de trabalhadores que ainda não são atendidos pelo benefício”, ressalta.

Eduardo Guerreiro, presidente da Sapore Benefícios, vai mais longe e acredita que o benefício-convênio deve contribuir muito como ferramenta de atração e retenção de talentos. “Os benefícios serão cada vez mais valorizados e não somente aqueles que são mais procurados, com base na Teoria de Maslow de suprir as necessidades de subsistência, como alimentação em casa, refeição no trabalho e locomoção.” Para ele, estas já são conquistas do trabalhador, tanto que a maioria das empresas que oferecem o benefício tem aumentado o valor facial para suprir demandas.

Segundo Guerreiro, a oferta de benefícios diferenciados como o cartão-viagem para o custeio de despesas de viagens a trabalho ou a passeio, dentro de um programa de incentivos, e o futuro vale-cultura – que deve ir a votação ainda este ano na Câmara Federal (ver quadro) – são experiências únicas que fidelizam a relação do empregado com a empresa. “Esse é um sinal muito forte para o setor de benefícios, no sentido de proporcionar algo a mais para suprir a lacuna existente no mercado relativa ao apagão de talentos”, estima.

Tecnologia e novos produtos
O cartão, definitivamente, é a moeda corrente no segmento de benefício-convênio, apesar de algumas empresas ainda operarem vouchers para atender cidades que não são cobertas pelas operadoras de meios de pagamento, como Cielo e Redecard. O desafio das empresas do setor, agora, é oferecer mais comodidade aos usuários e clientes se valendo da tecnologia.

A CBSS está desenvolvendo dois produtos que devem facilitar a vida dos portadores de seus cartões. Brevemente, os vales-refeição da empresa receberão um chip que permitirá a realização de transações, mesmo off-line. “O ´segredo´ é que a transação ficará armazenada no chip. Se o terminal da Cielo [operadora que processa os cartões Visa Vale] estiver fora do ar, o local consegue aprovar a transação e na próxima utilização é feita a atualização do saldo”, explica.

Outra tecnologia que está em fase de testes é a do cartão por aproximação. “Ele será um verdadeiro ´papa-fila´, em que o estabelecimento terá um terminal que aceitará transações dentro de um limite de valor; o portador encosta o cartão e pode ir embora porque a conta já vai estar paga.” Varela também não descarta a possibilidade da adoção do pagamento da refeição via celular. Ele conta que a CBSS está estudando um modelo híbrido do cartão por aproximação e o telefone móvel. “Quando a compra for dentro do limite o portador faz a autenticação no terminal de contato e, se o valor for maior, ele poderá digitar uma senha no celular para obter a autorização”, revela. O pagamento de benefícios via telefone móvel não é uma novidade no segmento. Desde 2009, a Sodexo Motivation Solutions oferece a possibilidade de pagamento de despesas de táxi pelo celular, com débito do valor direto no centro de custo da área do usuário. Em termos de comodidade, a Ticket, desde 2008, oferece aos novos funcionários de seus clientes um cartão provisório que pode ser usado desde o primeiro dia de trabalho até a emissão de um personalizado.

Mas a principal novidade vem da Sapore Benefícios, que entrou no disputado mercado de crédito consignado, associada à Credicard. Para Guerreiro, o principal diferencial é a forma como o empréstimo é oferecido. “Trata-se de um benefício e não um produto financeiro, pois, antes de contratar o crédito, o funcionário recebe orientação gratuita de nossa equipe”, destaca. Ele ainda ressalta que a associação com a Credicard elimina etapas burocráticas do processo de liberação do crédito. “De sua própria mesa, o funcionário faz uma ligação para um call center da Credicard e em poucos minutos o dinheiro já está na sua conta, sem envolvimento do RH, sem burocracia e sem a necessidade de sair do trabalho para ir ao banco”, relata.

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