Gestão

Desempenho, motivação e bem-estar

Daniel Castello
6 de dezembro de 2013

Muitos anos atrás, o Gallup provou, no estudo The Gallup Path, que havia uma relação direta, provada cientificamente, entre a qualidade da liderança de uma organização e seu resultado econômico. Embora o resultado do estudo possa parecer meio que senso comum para nós, especialistas em gestão de pessoas, vale a pena ir fundo nas relações implícitas em cada passo do caminho. Pois o que o estudo prova é que existe uma relação entre liderança e produtividade. E produtividade é a chave para crescer de forma sustentável e gerar resultados econômicos extraordinários, mesmo nos cenários mais turbulentos. Como o que estamos vivendo agora. Isso também é provado cientificamente. 

Mas, exatamente, o que é um líder bom o suficiente para, ao mesmo tempo, gerar colaboradores engajados a ponto de aumentar a produtividade continuamente, e sustentar o crescimento da organização? Aqui, as respostas já não são do senso comum e têm suas causas raízes em pelo menos três dimensões.

Primeira dimensão:
do desempenho e do aprendizado
Naturalmente, uma parte importante do aprendizado organizacional acontece fora das fronteiras da empresa, no mercado, na escola. Mas isso não gera alto desempenho. Gera, no máximo, acúmulo de potencial. Alto desempenho é gerado por meio de quatro ferramentas:

> Contratos. Tudo em uma empresa é baseado em contratos, em diferentes dimensões. Missão, visão, valores, metas coletivas e individuais, projetos, processos… Todos são diferentes formas de contratos. Quanto mais específicos e mais sincronizados entre si os contratos forem, mais rápido as pessoas se desenvolverão. E mais focadas trabalharão.

> Feedback. Quando aspectos relevantes do contratado não estão sendo entregues, é hora de reorientação. Esta tem como principal objetivo gerar aprendizagem. E resgatar o foco.

> Reconhecimento. Quando o desempenho está dentro ou acima do contratado, isso deve ser afirmado de forma explícita. Para aumentar a vontade de aprender. E reforçar o esforço.

> Desafios. Quando existe espaço óbvio para desempenho acima do inicialmente contratado, o contrato pode e deve ser expandido. Isso acelera a aprendizagem. E surpreende
o mercado.

Essas quatro ferramentas, quando bem calibradas, norteiam o desempenho das pessoas. E, o que é mais importante, tornam as pessoas proprietárias e protagonistas do seu próprio resultado, uma vez que elas sabem especificamente onde têm de agir para se desenvolver. 

Um bom líder domina as quatro ferramentas e ensina seus colaboradores a usá-las, garantindo a consistência do processo por toda sua estrutura.

Segunda dimensão:
da motivação intrínseca
Em seu best-seller Motivação 3.0, Daniel Pink sintetiza as descobertas recentes da psicologia que provam que as pessoas se sentem motivadas ao máximo a partir da combinação positiva de três vetores:

> Autonomia. Quando percebem que têm espaço para contribuir ao máximo e se arriscar pela empresa. O que traz como retorno responsabilidade e “cabeça de dono”.

> Maestria. Quando percebem que têm espaço para desenvolver suas competências sem limites, até o ponto em que um músico ou um atleta profissional o fariam. E que traz como retorno níveis inéditos de produtividade e inovação.

> Propósito. Quando percebem que existe sinergia em alinhar seus interesses aos da empresa. E que gera como retorno satisfação, lealdade e garra.

Um bom líder entende as limitações da motivação extrínseca (embora as use de forma inteligente) e estabelece relações um a um com seus liderados, de modo a entender o que move cada um deles. E qual a melhor forma de trazer seu potencial máximo de energia para fora.

Terceira dimensão:
do bem-estar, do equilíbrio
Pessoas que sentem suas vidas equilibradas em todas as suas dimensões se permitem estar presentes no aqui e agora. Entram em estado de fluxo mais facilmente. Mantêm seu desempenho alto por mais tempo. Cansam-se menos. São mais resilientes. Faltam menos. Ficam menos doentes. Têm turnover menor. Entregam de forma mais consistente.

Bem-estar também é uma dimensão multifacetada:

> Bem-estar no trabalho. Quando se sentem bem trabalhando. Quando seu trabalho e seu ambiente de trabalho lhes trazem prazer e satisfação pelo que produzem.

> Bem-estar social. Quando possuem relações amorosas e sociais fortes em suas vidas.

> Bem-estar econômico. Quando conseguem gerenciar suas finanças de modo a reduzir o estresse e aumentar a segurança.

> Bem-estar físico. Quando possuem energia vital para trabalhar e participar dos outros aspectos de sua vida de forma sustentável.

> Bem-estar espiritual. Quando se sentem conectados com a comunidade ao seu redor, e com algo maior.

Um bom líder cria condições e briga para que as pessoas que lidera tenham bem-estar. Ele não estimula o conflito, o desequilíbrio. Aos primeiros sintomas de doença mental ou física, fica alerta e cria espaço para diálogos francos, mesmo que difíceis, sobre que ações devem ser tomadas. É capaz de lidar com a confidencialidade e a delicadeza que algumas situações exigem.

Um líder eficaz em lidar com essas três dimensões é capaz de liderar sua equipe por processos difíceis de mudança, incorporando novas tecnologias e novos processos de trabalho com muito mais velocidade. Ao provar ser capaz de fazer isso, receberá prioridade de investimento e atingirá patamares cada vez maiores de produtividade, criando os benchmarkings necessários para a organização e o mercado. Será recompensado por isso e poderá compartilhar esses prêmios com sua equipe.

Um líder assim vai subir. Vai ganhar novas posições de maior destaque e poderá trazer junto consigo as pessoas que desenvolveu. Que nesse momento estarão também prontas para subir, a partir do exemplo e da incorporação das práticas e dos valores que o líder incutiu nelas. E que agora serão usadas para desenvolver a próxima geração.

 

Compartilhe nas redes sociais!

Enviar por e-mail