Gestão

Desenvolvimento – De mãos dadas

13 de dezembro de 2012
Melhor - Gestão de pessoas
Figueiredo, da LHH/DBM: conceito ligado à formação acadêmica

Um dos principais dilemas que uma pessoa enfrenta ao longo de sua vida é qual foco deve dar para crescer profissionalmente. Porém, no mundo do trabalho atual não é possível pensar em investir na carreira em detrimento da profissão, e vice-versa. Os “mais antigos” diziam para quem “deseja ser alguém na vida” que o importante era estudar. Os especialistas em orientação de carreira dizem que os estudos ainda são importantes, mas não adianta o profissional fazer dezenas de cursos e não ter oportunidade de colocar esses conhecimentos na prática. Mara Turolla, diretora da consultoria Career Center, afirma que o conceito de profissão está ligado diretamente à formação acadêmica e também ao desenvolvimento de habilidades práticas, enquanto que a definição de carreira está relacionada às posições ou cargos que a pessoa vai ocupando no exercício da profissão. Sobre este conceito, aliás, José Augusto Figueiredo, vice-presidente de operações da LHH/DBM para Brasil e América Latina, dá uma definição mais estendida: “A profissão como ofício ou conjunto de conhecimentos e habilidades específicas já não existe mais porque a vida tem exigido certa disponibilidade e prontidão para várias profissões”.

Competências emocionais
Job rotation, ter um mentor para ajudá-lo em seu desenvolvimento, verificar se a empresa tem programas de desenvolvimento de que possa participar, programas de coaching, quais recursos a organização oferece para ajudar no desenvolvimento de suas competências são algumas das possibilidades que o profissional pode buscar para colocar os conhecimentos em prática enumeradas por Mara. “Se a empresa não disponibilizar esses recursos, ele deve buscar fora. Por exemplo: o trabalho voluntário pode fazer com que ele desenvolva algumas competências que o seu dia a dia, às vezes, não proporciona”, recomenda. Figueiredo vai mais além e afirma que o mundo do trabalho vive hoje outra fronteira que é a das competências emocionais e sociais que permeiam todas as profissões. “Não existe curso que ensine essas competências, pois elas são desenvolvidas de outra forma, não no banco da escola”, ressalta.

De acordo com o consultor, a profissão não é mais a escolha para uma vida, pois uma porta pode ser aberta hoje e, posteriormente, a pessoa precisa continuar estudando e necessita desenvolver muitas outras habilidades. “O teste vocacional, antigamente, era um martírio para o jovem que estava escolhendo uma profissão porque, mais adiante, ele descobria que havia escolhido errado e culminava em um sofrimento enorme. Isso acabou”, analisa Figueiredo.

Melhor - Gestão de pessoasCom as próprias pernas
Apesar dos crescentes investimentos em treinamento apontados em várias pesquisas do setor, as empresas tendem a focar menos na carreira dos funcionários. As organizações têm sido obrigadas a reduzir custos e vão alocar os recursos nas pessoas diferenciadas e não nas acomodadas. “Se a organização não oferece desenvolvimento, é a pessoa quem deve ir atrás porque a carreira não é feita dentro de uma única empresa, a estada numa organização é por tempo determinado e cada vez menor. Se o profissional não investe porque a companhia não incentivou, ele pode ficar desempregado e perdendo valor no mercado”, adverte Mara.

A consultora afirma que os casos de pessoas que permanecem muitos anos em uma organização nos dias de hoje são de profissionais que não admitem a acomodação, buscam desafios, têm uma boa rede de relacionamentos e estão sempre buscando aprender. Ela também comenta que muitas vezes para a pessoa se desenvolver na carreira, precisa fazer movimentos laterais, subindo em “zigue-zague”, indo para uma posição que não chega a ser uma promoção, mas amplia as competências e depois muda para outra um pouco melhor. “Também há casos de profissionais mais impacientes que para serem promovidos acabam mudando de empresa porque percebem que vai demorar tempo demais ou a posição que eles desejam na estrutura da organização não existe”, analisa Mara. A diretora da Career Center ainda aponta duas novas possibilidades de carreira que até 15 anos atrás não eram tão valorizadas: o empreendedorismo e o setor público. O primeiro cresceu em função das características da geração Y e também dos casos de pós-carreira do crescente número de baby boomers que estão se aposentando e com o desejo de ter alternativa de trabalho remunerado não proporcionado pelo regime CLT.

Estabilidade
Já o serviço público se aproximou muito do mundo corporativo em termos de salários e investimento em desenvolvimento, sem contar a estabilidade, apesar de algumas carreiras não oferecerem a mesma condição do passado, além de a remuneração na aposentadoria ser muito próxima da ativa, situação que os aposentados da iniciativa privada não têm. Antigamente, para uma pessoa ser demitida de uma empresa era preciso ter um problema comportamental muito sério ou obter um resultado pífio por dois ou três anos seguidos. Hoje, no mundo corporativo, mesmo que a pessoa entregue bons resultados, com os processos de fusões e aquisições, mudança na estrutura ou reengenharia, ela pode perder o emprego de uma hora para outra. “Diante dessa instabilidade, o serviço público e o empreendedorismo se abrem como alternativas e com pesos iguais”, avalia Mara.

 

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