Deu um baile

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Cena em salão de Viena, cidade com melhor índice de qualidade de vida, segundo a Mercer. (Foto: Barry Lewis / Corbis (DC)/ Latinstock)

Foi como numa valsa, em que um casal passa outro no salão, de forma elegante e ritmada. Assim parece ter sido a forma como Viena ultrapassou Zurique e assumiu a primeira posição de cidade com melhor qualidade de vida no mundo, de acordo com a pesquisa sobre o tema realizada pela Mercer. Genebra ocupa a terceira posição, seguidas por Vancouver e Auckland. A partir do levantamento, percebe-se que, de modo geral, as cidades europeias continuam dominando as primeiras posições da pesquisa.

No Reino Unido, por exemplo, Londres se classifica em 38º lugar, enquanto Birmingham e Glasgow estão empatadas em 56º. Nos EUA, a cidade mais bem classificada é Honolulu, na 29ª posição. Cingapura (26ª) é a cidade asiática com maior pontuação, seguida por Tóquio na posição de número 35. Bagdá, classificada em 215º lugar, permanece em último na tabela. A classificação é baseada em um índice por pontuação que tem como base Nova York, cidade que conta com 100 pontos. As condições de vida são analisadas em relação a 39 fatores, agrupados em 10 categorias como: ambiente político e social; ambiente econômico e sociocultural; saúde e saneamento; escolas e educação, entre outros.

Slagin Parakatil, pesquisador sênior na Mercer, observa que, como resultado da atual crise financeira, as multinacionais estão procurando rever suas políticas de expatriação com a finalidade de redução de custos. “Muitas empresas planejam reduzir o número de transferências internacionais de médio a longo prazo e localizar seus pacotes de remuneração a expatriados sempre que possível. No entanto, o auxílio de hardship (Hiperlink), baseado em critérios de qualidade de vida, continuará sendo um componente essencial do pacote”, diz.

A classificação deste ano identifica, também, as cidades com a melhor infraestrutura, com base no fornecimento de eletricidade, disponibilidade de água, serviços telefônicos e postais, transporte público, congestionamentos de trânsito e a disponibilidade de voos internacionais partindo dos aeroportos locais. Cingapura é a primeira nesse índice (pontuação 109,1), seguida por Munique em segundo e Copenhague em terceiro. Bagdá, novamente, classifica-se em último lugar na tabela, com uma pontuação de apenas 19,6. “A infraestrutura tem um efeito significativo na qualidade de vida encontrada pelos expatriados. Embora frequentemente seja esperada como algo natural, quando funciona de forma eficiente,
a falta de infraestrutura pode gerar graves privações e dificuldades. As empresas precisam conceder subsídios adequados para remunerar seus funcionários internacionais por essa e outras condições desfavoráveis”, destaca o consultor.

Américas
Ocorreram poucas alterações na classificação das cidades norte-americanas. As cidades canadenses ainda dominam o topo do índice na região. Vancouver (4ª) mantém a posição mais alta. Já nas Américas Central e do Sul, San Juan, em Porto Rico, mantém a melhor classificação (72ª), seguida por Montevidéu (79ª). Port au Prince (206ª), no Haiti, continua com a classificação mais baixa da região, tendo caído quatro colocações na classificação geral em relação ao levantamento do ano passado, em consequência do desabastecimento de alimentos ocorrido em 2008 e dos tumultos que o seguiram. “Vários países dessas regiões [América do Sul e Central] tiveram mudanças positivas. Porém, no geral, questões políticas e de segurança, bem como a incidência de desastres naturais, continuam sendo obstáculos para a melhoria da qualidade de vida na região. A escassez de bens de consumo também contribuiu para o declínio da qualidade de vida”, diz Parakatil.

Europa
Um dos destaques da pesquisa são algumas cidades da Europa Oriental, que presenciaram elevação na qualidade de vida. Vários países que se juntaram à União Europeia em 2004 estão obtendo melhorias consistentes, graças à maior estabilidade, níveis de vida em ascensão e maior disponibilidade de bens de consumo internacionais. Ljubljana, na Eslovênia, por exemplo, subiu quatro posições e alcançou a de número 78. No que se refere à infraestrutura urbana, as cidades alemãs estão particularmente bem, com Munique sendo a mais bem classificada da região, seguida por Dusseldorf e Frankfurt, empatada com Londres na oitava colocação. “A infraestrutura urbana nas cidades alemãs em parte é devida às suas facilidades aeroportuárias de primeira classe e conexões com outros destinos internacionais”, explica Parakatil.

Ponte Estaiada, em São Paulo: cidade subiu uma posição no ranking

Oriente Médio e África
Dubai, nos Emirados Árabes Unidos (77ª), e Port Louis, em Mauritius (82ª), são as cidades com a melhor qualidade de vida da região. As facilidades de transporte em Dubai têm demonstrado melhorias, com o desenvolvimento de sua infraestrutura viária e a expansão do aeroporto internacional, tendo a cidade subido seis posições. Caminho inverso percorreu a Cidade do Cabo, na África do Sul: anteriormente eleita como a cidade com melhor qualidade de vida da região, ela passou do 80º para o 87º lugar, devido aos violentos tumultos ocorridos nas principais cidades sul-africanas em 2008.

Bagdá (215ª) mantém o último lugar da lista, embora sua pontuação no índice tenha crescido (de 13,5 para 14,4 em 2009) graças a algumas melhorias em sua infraestrutura e a medidas tomadas para encorajar investimentos. Não obstante, a falta de segurança e estabilidade continuam a causar grande impacto na qualidade de vida e a pontuação da cidade permanece muito atrás de Bangui, na República Centro- Africana (29,3), a penúltima colocada.

Ásia-Pacífico
Auckland mantém sua posição de cidade mais bem classificada em qualidade de vida da região. Seguem-se Sydney em 10º e Wellington, na Nova Zelândia, em 12º. Embora a maioria das cidades tenha mantido classificação idêntica à do ano passado, Cingapura (26ª) foi a que mais subiu na região: seis posições acima em relação a 2008. A cidade ganhou importância como centro financeiro e oferece uma ampla variedade de escolas internacionais e privadas para atender à sua comunidade de expatriados. Beijing também subiu três posições na classificação, de 116ª para 113ª, principalmente em consequência das facilidades de transporte público herdadas dos Jogos Olímpicos de agosto passado.

Caindo na classificação, principalmente em função de declínios na estabilidade e segurança, estão Bancoc (de 109ª, em 2008, para 120ª) e Mumbai (de 142ª para 148ª). Os distúrbios políticos na Tailândia prosseguiram durante 2008 e 2009, ocorrendo manifestações e comícios frequentes e violentos em Bancoc. Ataques terroristas em Mumbai levaram a um declínio na qualidade de vida dos expatriados na cidade. Dhaka, em Bangladesh, tem a classificação mais baixa da região, 205ª.

Auxílio específico

A provisão de incentivos para remunerar e reconhecer os esforços que funcionários e suas famílias fazem ao aceitar transferências internacionais permanece sendo uma prática típica, particularmente para localizações difíceis. Os incentivos comuns incluem auxílios de qualidade de vida e prêmios de mobilidade. As empresas devem ser capazes de estabelecer seus pacotes de remuneração de forma racional, consistente e sistemática.

Os auxílios de qualidade de vida ou hardship são desenhados para remunerar os expatriados por diferenças na qualidade de vida entre os locais de origem e de destino. O objetivo dos prêmios de mobilidade está mais relacionado a compensar as inconveniências de ser deslocado para trabalhar em outro país. Os primeiros são tipicamente relacionados com as localidades, enquanto o prêmio de mobilidade em geral independe do local de destino. Algumas das grandes empresas internacionais combinam esses prêmios, porém a grande maioria delas os concede separadamente. A segunda abordagem tem a vantagem de ser mais clara e transparente.

 

Por aqui…

Brasília fica na mesma posição do ano passado (105ª).

Rio de Janeiro desce para 117ª (estava em 114º lugar na relação do ano passado).

São Paulo sobe uma posição e passa a ocupar a de número 118.

Manaus desce uma e fica em 130º lugar.

 

As 10 mais

Confira as melhores cidades no ranking da Mercer

1. Viena (Áustria)
2. Zurique (Suíça)
3. Genebra (Suíça)
4. Vancouver (Canadá)
5. Auckland (Nova Zelândia)
6. Dusseldorf (Alemanha)
7. Munique (Alemanha)
8. Frankfurt (Alemanha)
9. Berna (Suíça)
10. Sidney (Austrália)
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