Diversidade cultural e ambiente organizacional

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    Eliana Dutra
    Eliana Dutra é Coach e Diretora da Pro-Fit 

    Com a globalização dos mercados, os negócios internacionais e a já conhecida falta de mão de obra qualificada, muitas empresas recorrem à “importação” de profissionais para ocupar cargos executivos nas corporações aqui do Brasil. Nesse cenário, um fator crítico para o sucesso desta estratégia é a capacidade dos gestores e da área de RH de possibilitar que esse ambiente multicultural seja desenvolvido de forma saudável. Precisa ser desenvolvido porque dificilmente será criado “naturalmente”, então precisa haver uma atenção especial.

    O multiculturalismo nas empresas pode ser visto por duas perspectivas: uma é que as organizações estão diante de uma boa oportunidade para articular ações nas quais o corpo empresarial assimile as vantagens que ideias diferentes e novas formas de execução podem gerar. A segunda é que além da barreira do idioma, essas diferenças culturais podem se tornar desafios para os quais o profissional deve estar preparado, já que é da natureza humana a dificuldade em se adaptar a novas culturas e compreendê-las. Isso porque o padrão do nosso cérebro é procurar, primeiramente, os pontos de diferenças que temos com outras pessoas.

    Para se ter ideia, a afetividade e descontração presentes no estilo dos profissionais brasileiros é uma das questões delicadas, pois vai de encontro ao modo diretivo e franco dos estrangeiros se expressarem. Quem já não escutou que os profissionais vindos de fora se posicionam algumas vezes de forma fria, ou até mesmo, agressiva? É necessário ter consciência de que o seu ponto de vista e forma de agir não é a única possível e a melhor solução para se resolver problemas. Mas, como fazer isso, já que há uma limitação para se aceitar e compreender aquilo que é estranho a nossa própria cultura?

    Para resolver esse impasse é necessário que o profissional se esforce na busca de similaridades com seus colaboradores e pares, e não fique apenas ressaltando cada ponto de diferença. Uma forma de aumentar a consciência pode ser o velho e bom colocar-se no lugar do outro, se ele possui crenças e valores diferentes dos seus, ou seja, buscar enxergar a situação com os olhos do próximo para assim observar e analisar o seu próprio comportamento e verificar quais pontos poderiam ser diferentes. Essa atitude que para muitos pode parecer simples, e até mesmo, ingênua, na realidade é uma ferramenta poderosa. Pois, só quando vemos pela perspectiva do outro é que conseguimos compreender as coisas ao nosso redor de maneira mais ampla e começamos a perceber que toda cultura possui algo em comum, até mesmo, hábitos e gostos.

    Isso mesmo! Você que acha que não tem nada a ver com o estilo assertivo de um alemão ou americano, por exemplo? Em uma conversa sem preconceito sobre trivialidades ou coisas rotineiras do dia-a-dia do trabalho, como música, esportes, métodos de realizar as tarefas etc é possível se ter insights dos pontos em comum. Por exemplo, você acha que o alemão é mais pontual que o brasileiro? E que tem menos jogo de cintura? Pois uma coisa pelo menos temos em comum, na hora do futebol ninguém se atrasa! E para fazer gol o alemão também rebola.

    #L# A similaridade de preferências e comportamentos pode ocorrer até mesmo entre as gerações x e y. Como sabemos, a geração y tem a característica de ser inquieta e dar valor a tarefas dinâmicas e divertidas. Já para a geração x, talvez, não seja necessário esses fatores para se trabalhar, mas eles também gostam quando possuem tarefas agradáveis e que fujam da rotina.

    Logo, o ambiente profissional multicultural é possível como também produtivo e agradável. É preciso abrir os olhos para a grande oportunidade de aprendermos com o próximo, que possui uma cultura diferente da nossa bem como transmitirmos nossos valores. Interagir sempre é a palavra-chave para o bom clima organizacional de um ambiente cada dia mais diversificado.

    Eliana Dutra é Coach e Diretora da Pro-Fit.

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