Gestão

Diversidade de ideias

Leyla Nascimento
9 de Março de 2015
Leyla Nascimento / Crédito: Divulgação
Leyla Nascimento é presidente da ABRH-Brasil / Crédito: Divulgação

À frente de seu tempo, a escritora inglesa Virginia Woof, que viveu no período entre guerras, questionava a visão tradicional da mulher como “anjo do lar”. Por meio das letras, Virginia expôs as dificuldades da inserção feminina no mundo profissional e intelectual da época. “Uma mulher deve ter dinheiro e um teto todo seu se ela quiser escrever ficção”, dizia.

Outra pérola da autora, que naquela época chamava atenção para a submissão feminina, dizia que “as mulheres serviram todos estes séculos como espelhos, possuindo o poder de refletir a figura do homem duas vezes maior que seu tamanho natural”, e, certamente, as mulheres contribuíram por anos para ratificar essa desigualdade.

O salto de quase um século na história desde as últimas palavras de Virginia pouco refrescou a luta das mulheres pela igualdade de gênero. Direitos foram garantidos, algumas chegaram ao posto mais alto da hierarquia política, mas a balança ainda pende a favor dos homens – e muito. No Brasil, por exemplo, eles são a maioria no Congresso Nacional, nos Tribunais e em cargos executivos no governo, ou fora dele. A remuneração ainda é um tema árduo para o público feminino. Apesar de equiparadas as competências, as pesquisas apontam que a mulher ainda recebe menos do que o homem. Essa diferença é denominada penalização não explicada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A mulher ainda compõe os índices de exclusão. Mas ela não é a única. Representantes GLBTs e de pessoas com deficiência (PCD) lutam para serem reconhecidos devidamente. O mundo corporativo ainda não mergulhou como deveria na prioridade do tema da diversidade. É verdade que esse movimento acontece mais pelo desconhecimento do que pelo preconceito. Nesse contexto, é fundamental o nosso trabalho como profissionais de recursos humanos. Cabe ao gestor de pessoas pavimentar a inclusão, disseminando informação, e compartilhar conhecimento entre os diversos públicos internos. Sim, digo compartilhar porque exige diálogo, troca e compartilhamento de experiências. Os colaboradores precisam internalizar a importância da diversidade.

A área de RH tem o desafio de coordenar atividades que engajem a minoria ao contexto da empresa. E aqui não devemos ser paternalistas. Esses colaboradores podem ser especiais, ou diferentes do que a sociedade considera como comum, porém são ávidos por mostrar sua competência e qualificação para o trabalho.

Ter uma política estratégica de diversidade na empresa assegura oportunidades ricas de seres humanos, independentemente de suas condições física, de etnia e de gênero, promoverem um amplo desenvolvimento do negócio por se sentirem pertencidos e respeitados não por sua condição e sim pela sua competência profissional. E essa cultura da mudança pela diversidade nas organizações é o legado que os líderes mobilizados pelas áreas de recursos humanos podem deixar para este século.

RH, esse desafio e protagonismo são seus!

Compartilhe nas redes sociais!

Enviar por e-mail