Carreira e Educação

Do mesmo lado

Thaís Gebrim
13 de julho de 2012

O Brasil precisa que empresas e instituições de ensino se tornem parceiras de forma que os jovens sejam preparados para atender às necessidades do mundo dos negócios. O discurso não é novo, mas o gap criado entre o perfil dos alunos formados pelas universidades e o dos profissionais procurados pelo mundo corporativo ainda é expressivo. Uma deficiência que se agrava num país que busca ser mais competitivo para atender à demanda do crescimento econômico. Felizmente, existem algumas práticas interessantes nessa área, ainda que em número insuficiente. É para incentivar sua multiplicação e promover o debate sobre o papel de RH na interação entre empresas e instituições de ensino que a programação do CONARH 2012, segundo maior evento de gestão de pessoas do mundo, vai abrigar, em agosto, o inédito Fórum de Universidade. “Vamos mostrar que essa parceria é possível e importantíssima, e, também, que o gestor de RH tem papel essencial nesse trabalho”, avisa Raimundo Ramos, gerente executivo de desenvolvimento de recursos humanos da Volkswagen do Brasil e coordenador do fórum.

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Martins, da Home Agent: conteúdo prático, recente e privilegiado

Para tanto, será apresentada a experiência de sucesso vivenciada pela Embraco e Whirlpool Latin America com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que estabeleceram uma parceria de pesquisa. “Na universidade, foi montado um laboratório para estudos com o objetivo de buscar inovação e competitividade para a companhia. Quem desenvolve esse trabalho são os alunos de graduação e de pós-graduação, que, por intermédio da criação dos projetos, aprimoram o seu conhecimento e têm a oportunidade de aplicá-lo na prática”, ressalta Ramos. O case será detalhado por Victor Juliano de Negri, coordenador do Laboratório de Sistemas Hidráulicos e Pneumáticos da UFSC (Laship), e Guilherme Marco de Lima, gestor corporativo de relações institucionais em pesquisa e desenvolvimento da Embraco e Whirlpool Latin America. Outros exemplos de que essa aproximação pode se transformar em uma grata realidade serão apresentados por Luiz Rubião, sócio-fundador da Radix Engenharia e Tecnologia, empresa jovem – foi criada em 2010 -, que tem forte ligação com as principais universidades do país, e Ricardo Salomão, que atuou por mais de 35 anos na Petrobras e, de 2009 até este ano, ocupou a gerência geral da universidade corporativa da companhia – atualmente, ele é diretor do Grupo Cronus Consultoria.

Sentar à mesa
Temos grandes centros de excelência em educação, mas ainda existe defasagem na grade curricular das universidades em relação à realidade das empresas, daí a necessidade de que ambas se sentem à mesa e, juntas, busquem uma grade que efetivamente agregue valor aos negócios. E isso é muito favorecido quando se estabelece um projeto de compartilhamento”, avalia Ramos. As empresas, ressalva ele, têm sim o papel de dar continuidade à formação de seus profissionais, o que pode ser feito por meio de cursos, treinamentos e outras atividades, no Brasil ou no exterior. Mas, anterior a isso, é preciso suprir esse gap. As soluções existem, são viáveis e demandam a participação efetiva do RH.

Mix docente
Se as parcerias com universidades podem contribuir para o avanço em inovação e na competitividade das empresas brasileiras, o que esperar das escolas de negócios? Para Celeste Boucinhas, diretora da consultoria Boucinhas&Campos, essas instituições têm condições de tornar nossas organizações mais competitivas, uma vez que disponibilizam aos executivos a possibilidade de atualização com temas relacionados com as suas áreas. Hoje, segundo ela, há uma grande variedade de cursos especializados, permitindo que as companhias escolham aqueles que estejam mais de acordo com os seus produtos ou serviços. “Essa diferenciação possibilita que os profissionais aprendam mais sobre a sua área de negócios e apliquem a teoria na prática simultaneamente ao aprendizado. Esse investimento transforma-se em resultado em um curto prazo e, dessa forma, as empresas destacam-se perante seus concorrentes”, diz, acrescentando que outro fator muito importante é o relacionamento construído entre os participantes, que pode significar potenciais negócios futuros entre as empresas patrocinadoras do desenvolvimento profissional dos seus executivos.

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Celeste, da Boucinhas&Campos: aplicar a teoria na prática

Fazer um mix no corpo docente, colocando à disposição dos alunos professores acadêmicos e profissionais de mercado, é uma boa alternativa lembrada por Tiago Vianna Martins, gerente geral da Home Agent, no que se refere à contribuição dessas escolas à competitividade brasileira. Desta forma, diz ele, os executivos poderão ter acesso a business cases que são elaborados por já consagradas escolas de negócios internacionais (como, por exemplo, a Harvard Business School) e que fornecem um conteúdo prático, recente e privilegiado. “Essa metodologia permite que os alunos estudem determinada matéria com base em casos corporativos de sucesso ou fracasso, sugerindo uma reflexão prática por parte dos alunos sobre o que pode dar certo ou errado em suas próprias empresas. Claro que as teorias ainda hoje são válidas e insubstituíveis, afinal, dão embasamento teórico fundamental para exercermos com propriedade nossas atividades. Porém, os executivos também precisam ter acesso a conteúdos mais realistas para tornarem suas empresas ainda mais competitivas frente à acirrada briga por mercado em qualquer segmento. O que na maioria das vezes não se encontra num livro teórico”, observa.


Novo RH
Criar uma liderança de RH capaz de atender às novas demandas, ampliando a compreensão sobre competitividade. Com essa preocupação, será lançado, em setembro, um programa de pós-graduação, reunindo docentes profissionais de renome, convidados pela ABRH-Nacional e pelo Great Place to Work Institute (GPTW). Segundo Luiz Edmundo Rosa, diretor de educação da ABRH-Nacional, enfrentamos desafios únicos com as novas gerações, tecnologias, inovações e competências. “Temos consumidores mais exigentes e um novo ambiente de negócios que demanda produtividade e competitividade. Tudo convida para mudar e criar o novo RH”, diz.

“O programa Desenvolvendo líderes de RH – gerando valores e resultados pode lembrar os mestrados executivos internacionais, porém será inovador. Vai colocar o RH no centro das transformações, pois mudanças são conduzidas por pessoas. Somente seus talentos e engajamento podem gerar valor e resultados, com qualidade e sustentabilidade.”Mais informações: www.abrhnacional.org.br

 

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