Do oriente ao ocidente

5 de junho de 2013
Getty Images
Oriente X Ocidente

Estima-se que nas próximas três décadas a economia chinesa supere a dos EUA, tornando-se a mais importante do mundo. Multinacionais de todos os países têm se instalado na China, e muitas corporações daquele país estão se expandindo para além de suas fronteiras. Nesse cenário de internacionalização, executivos de países ocidentais, inclusive brasileiros, com subordinados chineses – ou respondendo para um gestor chinês –  compõem uma situação que tem se tornado constante.

Uma  pesquisa  realizada em quatro países – China, EUA, Alemanha e Austrália – revelou as diferenças entre gestores chineses e ocidentais. As conclusões do estudo são surpreendentes, segundo afirma Roberto Santos, sócio-diretor da Ateliê RH. “Os dados quebram alguns paradigmas e preconceitos que temos em relação ao estilo de gestão dos orientais em geral, e do chinês, em particular”, afirma. “Ainda que hoje as organizações multinacionais estabeleçam uma estratégia única para funcionários de diferentes nacionalidades, esse é um modelo fadado a falhar no futuro, com a inserção cada vez maior dos países orientais nos negócios ocidentais”, destaca. Veja as principais conclusões:

> Quanto à personalidade
Os líderes chineses são mais participativos em seu processo decisório e dão mais apoio aos esforços de suas equipes do que os gestores ocidentais.

> Quanto a comportamentos em momentos de estresse ou crise
Os chineses tendem a apresentar quatro características mais destacadas em relação a seus pares ocidentais: podem apresentar mais oscilações de humor e entusiasmo com pessoas e projetos; podem se alienar e se isolar dos outros, indiferentes a suas expectativas; podem parecer prepotentes e intimidadores; ou, ainda, podem se mostrar cordatos e bajuladores de seus superiores.

> Quanto às motivações e valores pessoais
Os chineses demonstram ter um alto nível de altruísmo, indicando que se importam com o bem- estar coletivo e que acreditam que o trabalho individual contribui para uma iniciativa maior. Além disso, os testes indicaram que os gestores orientais se preocupam com os aspectos estéticos – aparência pessoal, limpeza e organização do ambiente físico em que trabalham e sua reputação – e isso reflete no seu status dentro da organização.

Quebrando tabus
“A máxima dos profissionais de recrutamento e seleção – colocar a pessoa certa no lugar certo – muitas vezes se prende aos aspectos técnicos ou funcionais de um cargo, esquecendo-se daqueles de natureza psicológica ou cultural. Esse último elemento, em muitos casos, se baseia em intuições, preconceitos, avaliações superficiais ou ´achismos´ que não traduzem as diferenças reais entre as pessoas e sua compatibilidade à equipe ou à cultura organizacional na qual o candidato será inserido”, avalia Santos.

Ele conta que um estudo mais aprofundado e com bases científicas permite uma adaptação mais fácil e rápida da pessoa certa no lugar certo. Quando se trata do nível de gestão, esses cuidados são ainda mais críticos pelo efeito multiplicador – positivo ou negativo – que os gerentes podem ter em suas equipes. 

 

Compartilhe nas redes sociais!

Enviar por e-mail