Carreira e Educação

É falando que a gente se entende

Reinaldo Passadori
11 de junho de 2015

Não são apenas os estudiosos que alertam para a posição de destaque assumida pela comunicação nos últimos anos. Cada vez mais tenho essa percepção no próprio cidadão comum, o indivíduo que já sentiu a necessidade de se comunicar e de se familiarizar às pressas com as novas e velozes ferramentas da informação. Seja na hora de disputar uma vaga no mercado do trabalho ou quando a comunicação é indispensável para cultivar relacionamentos, perceba o quanto usamos a comunicação na hora de realizar a manutenção da nossa vida social.

Comunicar-se

Sem a comunicação, jamais poderíamos ser melhores hoje do que fomos ontem, tampouco avançar amanhã com relação a onde estamos hoje. É importante entendermos essa profundidade da comunicação, percebermos que ela necessita de amor e afeto para ser inteira, completa, integral.

Quem acha complicado lidar com o desenvolvimento da capacidade de se comunicar, muitas vezes, aponta o crescente volume de informação corrente no mundo como o maior obstáculo. Mas não adianta reclamar, esse volume não vai diminuir.

A questão é outra: se a nossa forma de compreender o mundo e os meios de nos relacionar com os outros está mudando na medida em que a comunicação se torna mais importante e mutante, precisamos buscar algo na essência. Precisamos perceber e desenvolver nossas capacidades de acordo com as novas ferramentas (afinal, ninguém quer correr o risco de ficar parado no tempo) e ir além. Isso significa se envolver com as dimensões da comunicação. Para entender melhor, apresento a metodologia das 7 dimensões da comunicação verbal.

Confira:

1. A primeira é a intrapessoal, que tem a ver com a “ponte” que uma pessoa estabelece consigo mesma e até onde ela é capaz de trabalhar o seu comportamento e transformar a timidez em força para se expressar com confiança e entusiasmo.

2. A segunda dimensão é a interpessoal, que não é exatamente o oposto da primeira, mas engloba o diálogo, a empatia, a importância do feedback, o elo com nosso interlocutor e a força da alteridade (a capacidade de se colocar no lugar do outro).

3. Outra dimensão é a vocal, que lida com o “como” dizer.

4. A quarta dimensão trata da comunicação corporal: até que ponto os nossos gestos, expressões faciais, estilos, aparências e sinais são importantes para as mensagens sem palavras?

5. A dimensão técnica, por sua vez, tem a ver com os recursos para uma comunicação adequada aos ambientes e circunstâncias, isto é, o ambiente ou ferramentas como aplicativos, audiovisuais etc.

6. Na dimensão intelectual, em que a produção dessa comunicação assume destaque quando somos capazes de planejar e preparar com propriedade as nossas apresentações.

7. Por último, e não menos importante, a dimensão espiritual se refere ao cultivo dos nossos valores para a busca de uma liderança pessoal e exclusiva neste estágio de “animal especial” alcançado pelo Homem, onde é concedida a cada um de nós a magnífica oportunidade de deixarmos a nossa marca no mundo.

Como você pode perceber, a comunicação nem é um bicho de sete cabeças, nem é a coisa mais simples desse mundo. Por isso, ela tem de ser levada a sério, na sua profundidade. Hoje, somente com esse mergulho que percorre as dimensões da comunicação poderemos aplicá-la à vida e ao trabalho. A comunicação desenvolvida tem poder suficiente para provocar mudanças positivas em nossas vidas. Mudanças movidas pela ética, pela dignidade e pelo amor.

Reinaldo Passadori é especialista em comunicação verbal e presidente do Instituto Passadori — Educação Corporativa

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