E se o caldo entornar?

27 de novembro de 2013

Ele foi, há não muito tempo, um dos símbolos do fantasma da inflação. O tomate chegou a ser boicotado por donas de casa em supermercados numa tentativa de pressionar a queda do preço do produto nas gôndolas. Assim como ele, muitos alimentos são particularmente sensíveis a uma alta inflacionária, o que acaba gerando um impacto no benefício refeição dos trabalhadores. A conta é simples: se o almoço fica mais caro, o benefício tende a acabar antes do fim do mês. Some à inflação outro componente: o desempenho da economia brasileira. Até que ponto essa receita, com esses dois ingredientes de peso, afeta os prestadores de serviços do Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT)? “Nosso mercado é diretamente afetado pelo desempenho do Produto Interno Bruto [PIB], uma vez que as empresas se baseiam nesse índice para nortear a geração de novos postos de trabalho”, diz Ronaldo Varela, diretor-executivo comercial, marketing, novos negócios e produtos da Alelo.

Ele conta que, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, em janeiro de 2013 foi constatado o pior índice de geração de empregos em relação ao mesmo período dos últimos quatro anos. “No entanto, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) aponta um aumento no primeiro trimestre e, por isso, estamos enxergando o mercado com cautela, mas nos mantemos otimistas em relação ao desempenho da empresa”, afirma.

Reação em cadeia
Alaor Aguirre, diretor-geral adjunto da Edenred Brasil, concorda. “Se tudo vai bem na economia, há aumento de empregos formais que, por sua vez, está diretamente ligado a dois dos nossos principais produtos, o benefício refeição e o alimentação”, reforça. Mas acrescenta que não só a questão do emprego impacta o negócio. “A inflação é um assunto que está constantemente em nosso radar e acredito que de todas as empresas, uma vez que isso é uma reação em cadeia. Algo que começa em um setor e se alastra por todos os outros.”

Para manter as expectativas em dia, essas empresas apostam no relacionamento mais estreito com as pequenas e médias empresas (PMEs). “O Brasil está cada vez mais empreendedor e queremos atuar em parceria para que os funcionários e colaboradores dessas empresas sejam valorizados”, conta Varela. No caso da Edenred, uma inciativa adotada foi a criação do Ticket Center, uma área destinada a esse público. “Além disso, temos pela frente um novo cenário com a recente aprovação do vale cultura”, lembra Aguirre. A questão é ver se o caldo da economia não vai desandar até o fim do ano.

 

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