Educação em distintas gestões

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    Empresário e gestor público, Marco Bertaiolli mostra a importância da educação no ambiente corporativo e político

    “Educação não é obra acabada”. Essa é a frase que Marco Aurélio Bertaiolli, ex-prefeito de Mogi das Cruzes (SP), utiliza para encerrar seu livro recém-lançado Cidade do Saber – um jeito diferente de pensar e fazer educação (Editora Gente/416 páginas). A obra relata os projetos realizados, resultados obtidos e como a questão da educação foi abordada ao longo dos oito anos que ele ocupou o cargo público na cidade da região do Alto Tietê.

    educaçao-destaqueMas se a frase de encerramento de sua obra metaforiza a educação em um município, como imaginá-la no mundo corporativo? “A importância da educação nas empresas é total. Um funcionário capacitado, qualificado, antenado com o que acontece no mercado de trabalho e no mundo só traz benefícios para a organização”, garante Bertaiolli que, antes de entrar no mundo político atuava como empresário na área de educação, função que exerce até hoje.

    E mesmo quando atuava apenas como empresário já ressaltava que a educação era um dos principais conceitos entre seus colaboradores, pois assim todos saem valorizados no âmbito empresarial. O desenvolvimento da empresa em busca da eficiência nos serviços prestados, aliado aos profissionais mais capacitados e engajados; e o crescimento do próprio empresário por meio do conhecimento adquirido ao investir em uma equipe mais comprometida com o serviço resulta em resultados positivos para a corporação.

    Ele acredita que para as empresas alcançarem o sucesso, o diferencial está no investimento na educação, no incentivo ao estudo e na promoção do acesso ao conhecimento em todos os níveis de capacitação por meio de estímulos que visem à boa formação do colaborador. Desta forma, a equipe passa a ser composta por profissionais mais capacitados e mais engajados com a filosofia de trabalho e a cultura da empresa.

    Bertaiolli ainda afirma que não há muita distinção entre empreender e gerir uma cidade, afinal, em ambas as funções há a busca pela excelência, em fornecer o melhor aos participantes da sociedade. Proporcionando o acesso à educação dentro de uma empresa, o lado cidadão do empregado também cresce e os aspectos positivos de tais atos tornam-se impactantes em toda a sociedade, por meio de ações benéficas em prol da cidadania. Ou seja, tendo o conhecimento e a educação como base, sejam em uma empresa ou na gestão política, os resultados serão sempre satisfatórios, pois, como ele mesmo define, “a educação é universal”.

    – Investir na área da educação é fundamental para se alcançar o sucesso? Como fazer isso de maneira correta?
    Eu acredito que esta base deve vir desde a infância, quando a criança começa a ser alfabetizada. As crianças precisam ter todas as mesmas condições, a mesma base, para que quando chegarem na idade adulta tenham discernimento para fazer suas escolhas.

    – O senhor é empresário no ramo educacional. Além de fornecer serviços dessa natureza aos seus clientes, como trabalha essa questão internamente?
    Na verdade, vivo e convivi a minha vida inteira ligado à área da Educação. Minha avó, minha mãe e minha esposa Mara são professoras. Então, cresci dentro dessa atmosfera e por isso acredito tanto na educação como a única forma de promover a justiça social e a igualdade econômica que tanto o Brasil necessita.

    – O senhor foi eleito presidente da Associação Comercial de Mogi das Cruzes quatro vezes, sendo a primeira em 1992. Sobre o projeto de educação dentro das empresas, o que mudou nesse processo de lá pra cá?
    Acredito que as empresas, hoje, valorizam mais o funcionário, oferecem cursos de capacitação, treinamentos e, em algumas unidades, é possível até mesmo completar o ensino. Durante o período em que fui prefeito de Mogi das Cruzes, entre 2009 e 2016, criei a Escola de Governo Municipal justamente para que o servidor público pudesse voltar a estudar, se capacitar. Funcionários de diversos escalões tiveram a oportunidade de fazer cursos de capacitação e até pós-graduação. Acredito que a educação abre todos os horizontes e é preciso entender que esse investimento não é um gasto com o funcionário. É, na verdade, um benefício para o próprio empregador.

    – Entre 2013 e 2015, o senhor foi vice-presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp). Dentro de seus projetos, havia algum que visava a educação nas empresas?
    Fui um dos responsáveis pela implantação do Projeto Degrau que forma os jovens para o seu primeiro emprego. Voltado para adolescentes de 14 a 18 anos, esse projeto ajudou milhares de jovens a conseguir uma profissão através da qualificação. É preciso dar oportunidade para que os adolescentes trabalhem, aprendam, se desenvolvam. Se for feito dentro da lei, obedecendo todas as regras trabalhistas, é o que há de melhor na vida de um jovem. Isso é formação profissional com qualificação e educação.

    – Atualmente, o senhor também realiza palestras sobre motivação empresarial. A educação é um dos temas? Como é abordada?
    Acabei de lançar o livro Cidade do Saber – um jeito diferente de pensar e fazer educação, que traz uma série de informações sobre como projetos inovadores e investimentos sérios podem transformar a educação. Não temos a pretensão de inventar a roda e nem de ensinar os gestores públicos, mas sim de apresentar ideias e propostas que possam auxiliar as Prefeituras Municipais a superar obstáculos e desafios. A área da educação em Mogi das Cruzes é referência, inclusive para outras cidades do Estado de São Paulo. Para se ter uma ideia, ganhamos o prêmio da Melhor Merenda do Estado de São Paulo concedido pela ONG Fome Zero. São 22 capítulos em que buscamos mostrar que é possível priorizar a Educação e obter resultados positivos.

    – Por onde começa o processo de educação da empresa?
    É preciso incentivar sempre os funcionários a buscar uma nova formação ou se qualificar dentro do que faz. Como disse, no final das contas, quem sai ganhando é a empresa que passa a contar com um quadro de empregados muito mais preparados para enfrentar o mercado. Houve um tempo em que o ensino superior era o único que interessava. Hoje já sabemos que a educação passa por todas as instâncias e cursos profissionalizantes são tão valiosos quanto um diploma universitário. O que se precisa é investir na educação em todos os níveis. Esse sim é o caminho.

    – Durante o processo de educação dos funcionários, o que isso agrega para o seu crescimento?
    Agrega tudo. O conhecimento é fruto de uma boa formação educacional.

    – Oferecer cursos pode gerar engajamento?
    Claro que sim. Os funcionários se sentem valorizados, envolvidos, engajados. Hoje, já se sabe que o funcionário engajado com as questões da empresa, com a filosofia de trabalho, produz muito mais, porque trabalha mais feliz, com mais disposição.

    – Saber as necessidades dos colaboradores e, então, atendê-las, proporciona benefícios que vão além da educação?
    Não tenho dúvidas disso. A educação é a grande aliada dos profissionais, técnicos, empregadores, do mercado de trabalho e de um País que verdadeiramente almeje o desenvolvimento econômico e social. Não se promove a justiça de classe sem educação. Profissionais com boa formação educacional representam um ganho para a empresa.

    – Como prefeito, em algum momento a experiência como empresário o ajudou? Em qual sentido?
    Como disse, vivo e convivo com educação desde pequeno. Sempre soube das dificuldades e, principalmente, acompanhei todas as mudanças dos últimos anos. Ser um gestor público não é muito diferente de ser um empresário. É preciso buscar os resultados com eficiência e qualidade.

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