Gestão

Empowerment e consciência

Ane Araújo*
12 de Janeiro de 2011

Vivemos em um mundo desafiador, com grandes mudanças e que opera em uma velocidade extraordinária. Esse mundo exige de nós um nível cada vez mais alto de desempenho, que só pode ser atingido e mantido se assumirmos uma postura de protagonistas diante da vida. O processo de empowerment é a melhor resposta aos desafios que enfrentamos hoje, uma vez que tem como meta desenvolver protagonistas nas empresas. As estruturas estão mais enxutas, os problemas mais complexos e as rotas de solução ainda mais ambíguas.As pessoas precisam funcionar de forma mais autônoma, independente. Empowerment está associado à capacidade de empreender, de realizar. Requer motivação, disposição para correr riscos, resiliência, superação. Tenho escutado as pessoas compartilharem que se sentiram vivas e poderosas quando puderam atuar com autonomia. Diante de desafios, elas superaram seus medos, tomaram a iniciativa e enfrentaram dificuldades sem desistir. 

Todos nós podemos nos lembrar, ao longo da vida, de episódios nos quais fomos protagonistas. Porém, existe uma enorme diferença entre ter momentos de protagonismo e ser o protagonista da vida. Somos mais fortes do que pensamos. Mas, frequentemente, não nos damos conta do quanto somos fortes e criativos. O que possibilita despertar de todo esse potencial? Considero a autoestima como o fator essencial para o processo de empowerment. Trata-se de um processo contínuo de construção da própria imagem e implica uma escolha pessoal e intransferível de sermos tudo o que podemos ser. Uma pessoa pode escolher ter alta ou baixa autoestima, pode escolher entre ser protagonista ou viver como vítima das circunstâncias. Pessoas com baixa autoestima reagem de duas formas. A primeira, e a mais conhecida, é a submissão. Pessoas submissas rendem-se facilmente ao poder do outro, aceitando tudo o que lhe é imposto sem oferecer grande resistência. Aceitam condições de trabalho inadequadas, tratamento injusto, remuneração insuficiente, e assim por diante. 

A segunda forma de expressar baixa autoestima é a arrogância. Pessoas arrogantes colocam uma máscara de poder ou de superioridade para disfarçar a sua fragilidade, sua falta de autoconfiança. É como se elas precisassem reduzir o poder do outro para se sentirem fortes. Desenvolver uma autoestima consistente (e cultivá-la diariamente) é o maior desafio que cada um de nós pode enfrentar. Construir um senso de integridade, de valor pessoal, que me permita relacionar-me comigo mesmo e com os outros com respeito e dignidade. É a partir da autoestima que cada pessoa constrói sua participação no mundo. A tarefa mais nobre dos líderes e dos profissionais de RH é a de estimular as pessoas a ampliarem sua autoconsciência até o ponto em que elas honrem todo o potencial criativo presente dentro delas.

*Ane Araújo é sócia-diretora da Marcondes Consultoria

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