Empreender para realizar sonhos

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ESPECIAL MULHER | Edição 328

Sofia Esteves / Crédito: Divulgação
Sofia, da DMRH: quando a gente se dedica às pessoas, elas reconhecem e retribuem / Crédito: Divulgação

É um desafio escrever uma reportagem sobre mulheres sem cair no lugar-comum. A discussão sempre acaba enveredando para a disparidade de cargos e salários de gêneros ainda praticada pelo mercado de trabalho. Para comemorar o Dia Internacional da Mulher, a MELHOR desta vez resolveu investir em outro viés: o empreendedorismo feminino.

Elas são executivas, mães, esposas e gestoras de pessoas. Observar como elas decidiram investir em sonhos, virar o jogo do preconceito, em muitos casos, e ultrapassar as barreiras inerentes ao empreendedorismo no Brasil, sem deixar de lado a dupla jornada como mães e esposas, foi uma missão gratificante, porém árdua. Não é fácil selecionar histórias ou então apenas trechos delas, quando os relatos são inspiradores e engajam pessoas em torno de um objetivo comum: o sonho de investir em novos mercados.

Elas são a maioria
E não são poucas as que deixaram seus antigos empregos para se dedicar a esse sonho. O estudo elaborado pelo Sebrae As mulheres empreendedoras no Brasil, divulgado em 2013, confirma isso. Entre 2001 e 2011, o número de mulheres donas do próprio negócio aumentou 21%; mais do que o dobro do crescimento observado entre os homens.

A pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), com dados de 2013, reafirmou essa tendência de crescimento no Brasil. O estudo apontou que 52% dos novos empreendedores (com menos de três anos e meio de atividade) são mulheres. As mulheres são maioria entre os empreendedores em quatro das cinco regiões brasileiras; apenas no Nordeste, elas não são preponderantes — representam 49% dos novos empresários.

E qual é o segredo delas na hora de empreender? Sofia Esteves, idealizadora da consultoria DMRH, oferece a dica: “Quando a gente se dedica às pessoas, elas reconhecem e retribuem”. Esse foi o primeiro grande aprendizado da vida profissional da empreendedora, antes mesmo de se formar em psicologia e pensar em abrir um negócio. Aos 17 anos, ela conseguiu seu primeiro emprego como recepcionista em uma clínica médica. Depois de quatro meses precisou pedir demissão porque teria de viajar com os pais e ficar um tempo fora para resolver questões familiares. Com pesar, foi conversar com o chefe e se surpreendeu quando ele pediu que ela encontrasse alguém para substituí-la e o treinasse, mas que o avisasse que seria uma contratação temporária, só até ela retornar ao trabalho.

E esse aprendizado se reafirmou em sua trajetória diversas vezes. Em uma consultoria de RH, onde ingressou como assistente de consultor, em um ano, se tornou gerente responsável por abrir uma nova unidade de negócios da empresa. Novamente dois anos depois, quando estava desempregada, recebeu o convite de um diretor de RH para abrir o próprio negócio e tocar um projeto de recrutamento e seleção.

Carla Sarni / Crédito: Divulgação
Carla, da Sorridents: pessoas envolvidas e engajadas no mesmo propósito / Crédito: Divulgação

Nascimento da DMRH
Isso foi em janeiro de 1988, quando nasceu, em uma sala de um consultório de psicologia, a Decision Making, hoje DMRH — um grupo com 204 funcionários, escritórios na Argentina e no México e um currículo de projetos desenvolvidos em mais de 44 países no mundo inteiro.
A confiança de Sofia nas pessoas era tamanha que diante da crise criada pelo Plano Collor, em 1992, as três consultoras que trabalhavam com ela fizeram uma proposta ousada. A ideia é que elas ficassem em férias, sem o pagamento do salário, apenas dos encargos sociais, e que regressassem à medida que o mercado reaquecesse. Sofia topou e não se arrependeu.

Maternidade
Aos 40 anos, quando engravidou do segundo filho, precisou se afastar do trabalho por quase um ano porque a gravidez era de risco e o bebê nasceu prematuro. Novamente sentiu a retribuição das pessoas por sua dedicação. “Quando voltei a empresa estava melhor do que eu a deixei. A equipe e os clientes foram muito solidários. Me blindavam em relação aos problemas”, conta. Para ela, o fato de sempre ter trabalhado fortemente a cultura da DM ajudou a equipe a tomar decisões com facilidade, sem ter de consultá-la.

Desde que se tornou mãe, aos 35 anos, sua prioridade passou a ser os filhos. Por isso, nunca deixou de cumprir nenhum compromisso ligado a eles. Em uma ocasião desmarcou uma reunião com o presidente de uma grande multinacional, que poderia se tornar um importante cliente, porque a escola marcou uma reunião de última hora. Ela própria ligou e explicou a situação. Ao ouvir a justificativa ele ficou mudo. Mas a parabenizou em seguida. Falou que não se lembrava de nenhuma outra mulher que tivesse tido coragem de dizer que iria deixar de ter uma reunião com ele para ir à escola dos filhos. “Eu disse: olha, a coisa mais importante da minha vida são eles, se um cliente meu não puder entender isso, não é para ser meu cliente”, conta Sofia.

O executivo fez questão de remarcar a reunião e se tornou não apenas cliente mas amigo dela. Depois, ele confessou a ela que sentia falta de ver as mulheres se posicionando em situações como essa. “Isso há anos atrás. E até hoje eu vejo a mesma situação. As mulheres não se posicionam nesses casos.”

+ Licença-paternidade
Se elas estão conquistando espaços que até agora eram dominados apenas pela presença masculina, eles, por outro lado, também adquirem direitos que eram exclusivos das mulheres. Na Noruega, por exemplo, a licença-maternidade é dividida entre o pai e a mãe. O casal tem direito a afastamento por um período de até 46 semanas. Do total, cabe ao homem uma cota de 12 semanas e a família perde o direito a ela caso o pai não usufrua. Há ainda a opção de tirar 56 semanas — juntando as licenças do homem e da mulher —, recebendo o pagamento de 80% do salário. No Brasil, algumas empresas já investiram na ideia.  A Radix, de engenharia e TI, por exemplo, implementou a licença-paternidade estendida desde a sua fundação, em 2010. Por lei, as empresas devem oferecer cinco dias corridos. Entretanto, a empresa vai ao encontro da política de valorização do bem-estar e disponibiliza 15 dias corridos aos pais. Hoje a empresa conta 360 funcionários, sendo 67% homens e 33% mulheres.

Oportunidade de mercado
Assim como na história de Sofia, há muitos pontos em comum que ligam os relatos dessas mulheres. Entre eles está a visão de mercado. De acordo com o GEM 2013, elas não agem por impulso — 66% delas abrem empresa depois de identificarem uma oportunidade de mercado, independentemente, de estar ligada a um mercado predominantemente feminino ou não. Um exemplo disto é a história da empreendedora que criou a empresa“Meu Mecânico”.

Aos 28 anos, Agda Oliver foi pioneira ao abrir uma oficina mecânica voltada para o público feminino em Brasília, em 2010. A história, na verdade, começou dois anos antes. Depois de ter sido enganada e pagado por peças e serviços desnecessários, ela procurou uma oficina especializada no atendimento de mulheres. Não encontrou. Resolveu então investir na proposta e fez um curso de mecânica para se especializar no assunto. “Eu percebi uma carência muito grande entre as mulheres. Elas não levavam o carro à oficina porque se sentiam desconfortáveis, não entendiam o que estava sendo feito”, conta a ex-bancária formada em sistemas de informação.

Hoje ela tem sete funcionários, entre eles uma mecânica e um mecânico. Apesar dos cuidados em explorar um novo nicho, Agda conta que um dos desafios do empreendimento é vencer o preconceito. “Elas acham legal, vêm pela segurança de ter uma mulher no atendimento, mas mostram que preferem que um homem faça o serviço.”

Da queda à ascensão
Em outro ramo tradicionalmente dominado por homens, o da metalurgia, a gaúcha Nadir Daroit começou sua trajetória empreendedora em 1999, aos 38 anos, quando a empresa onde trabalhava desde 1991 como auxiliar de escritório, no Distrito Industrial de Cachoeirinha (RS), entrou em falência. Um grupo de trabalhadores do qual ela fazia parte decidiu organizar uma cooperativa para assumir a fábrica. Desde o início, por ser a pessoa mais preparada, ela assumiu a liderança da Coosidra e hoje está em seu quarto mandato como diretora-presidente.

Apenas dois meses depois de assumir a liderança da cooperativa, a morte do marido em um acidente a obrigou a assumir também, e sozinha, a empresa dele – uma distribuidora de alimentos – e a casa, com um filho de apenas 3 anos.

“No dia seguinte ao enterro do meu marido, eu tive de assumir o serviço dele, passando aos clientes e fornecedores o que aconteceu e informando que a partir dali eu estava assumindo o papel dele.” Nadir foi forte e superou essa fase. Contudo, até hoje ela lembra que, muitas vezes, as pessoas se dirigiam ao motorista dela para as negociações, a deixando de lado. “Aos poucos fui conquistando a confiança e o respeito destas pessoas”, conta.

Três anos depois, quando a cooperativa foi legalmente reconhecida, ela vendeu a empresa do marido e ficou apenas à frente da Coosidra. “Na função de presidente de uma cooperativa no campo de produção metalúrgica, tenho participado de diversas reuniões onde a minha presença é a única feminina. Por diversos momentos esta situação me causou constrangimento, o que hoje não ocorre mais, pois aprendi a me orgulhar da minha trajetória de conquistas como mulher”, conclui.

Ana Fontes / Crédito: Divulgação
Ana, da Rede Mulher empreendedora: flexibilidade de horários / Crédito: Dilvulgação

Gestão de tempo
Provavelmente, se Nadir não fosse diretora-presidente da cooperativa, mas ainda empregada da metalúrgica, teria de ter pedido demissão para conseguir lidar com todos os compromissos. Mas como empreendedora, apesar de trabalhar muito, ela podia administrar o próprio tempo. E é essa flexibilidade que tem levado muitas mulheres a empreender. De acordo com o presidente do Sebrae, Luiz Barretto, o fator determinante para o aumento do número de mulheres que empreendem é a flexibilidade para administrar o tempo que dispõem. “Gerenciar a própria empresa permite que elas consigam dividir o trabalho com outras atividades da vida familiar.”

No final de 2007, ter mais tempo para a família foi o que motivou Ana Fontes, à época com 41 anos, a deixar o cargo de gerente de marketing e relacionamento com o cliente em uma multinacional do setor automotivo, depois de 17 anos na companhia. “Eu não tenho mais de estar às 8h30 da manhã no escritório sem hora para sair. Consigo buscar minhas filhas na escola, prepar o jantar, as coloco para dormir e depois eu volto a trabalhar. Trabalho mais, mas no horário em que eu posso”, afirma.
Contudo, até chegar a esse ponto, Ana percorreu um caminho de tentativa e erro. Voltou a trabalhar como executiva, percebeu que realmente não era o que queria e abriu o primeiro negócio sem ter sucesso. Foi em 2010, quando ingressou no programa 10,000 Woman, do Goldman Sachs para capacitação em gestão para mulheres, que começou a ficar mais claro para Ana que passos precisava dar.

Nesse mesmo ano, ela deu início a dois negócios bem-sucedidos: o espaço de coworking Natheia e a Rede Mulher Empreendedora que, a princípio, era um site de networking entre as participantes do programa e hoje tem mais de 36.500 cadastradas. Na plataforma, as empreendedoras divulgam o perfil do seu negócio, acessam dicas e notícias e participam de fóruns de discussão (ver mais no quadro Networking: o desafio das empreendedoras). Também promove encontros mensais com empreendedoras, a Virada Empreendedora e o Prêmio Mulheres Tec em Sampa, em parcerias com instituições, empresas e poder público.

A Rede é gerida por Ana como um negócio social, com o objetivo de auxiliar outras mulheres a empreender e ter sucesso. Já o Natheia, um espaço de coworking criado por ela e pelo marido, é o negócio que garante a renda da família.

A família nos negócios
Com formação em fonoaudiologia, Lênia Luz atuou de maneira empreendedora desde que se formou, em 2001. Mas assumiu esse título apenas em 2007, quando conheceu seu segundo marido e os dois abriram, em Curitiba, uma consultoria voltada ao desenvolvimento de franquias, a Aurelio Luz Franchising & Varejo.

Ele já tinha 20 anos de experiência na área, mas precisou buscar especialização em franquias. Alguns anos depois, ainda sentia falta de uma formação mais específica em gestão de negócios e também buscou capacitação no programa 10,000 Woman, do Goldman Sachs. De maneira semelhante à Rede Mulher Empreendedora, o blog Empreendedorismo Rosa, nasceu em 2012 como fruto da necessidade de troca de informação e experiências entre as participantes do programa. Hoje também promove eventos de networking, palestras e cursos para mães que empreendem ou pretendem empreender.

Conciliar maternidade e trabalho é algo que Lênia faz desde o início de sua carreira. Engravidou do primeiro filho assim que saiu da faculdade e teve mais dois durante o primeiro casamento. Aos 40 anos, ao mesmo tempo que abria a consultoria, engravidou sem planejar do seu quarto filho.
A parceria para dar conta de tudo não é apenas com o marido, mas também com os filhos. “Quando me separei, os três eram muito pequenos”, conta. “Acredito no espírito de equipe e eles cresceram fazendo parte da ‘equipe Luz’. Éramos um pelo outro, tínhamos de nos ajudar”, diz.

Nadir Daroit / Crédito: Divulgação
Nadir, da Coosidra: orgulho da trajetória de conquistas / Crédito: Divulgação

Enfrentar os percalços
Já a cirurgiã-dentista Carla Sarni, hoje dona da maior rede de clínicas odontológicas da América Latina, a Sorridents, começou o seu negócio próprio ainda solteira, mas tratou de levar o marido para a empresa. Aos 20 anos, Carla já era dentista e veio do interior de São Paulo para a capital paulista, morando de favor na casa de um tio. Conseguiu dois empregos nos quais ficou por pouco tempo porque não se identificou com o sistema de trabalho. No terceiro, em três meses, conseguiu conquistar uma clientela que fazia fila na porta do consultório pela atenção que dava aos pacientes.

Como Carla tinha ganhado uma cadeira odontológica que sua avó e uma tia pagaram durante sua faculdade, achou que já estava pronta para ter o seu próprio consultório. Em vez de dar a demissão, o dono propôs que ela comprasse o consultório, pagando em suaves prestações. Em 1995, foi o que ela fez. Em vez de trocar a cadeira que usava, colocou a nova na sala que alugou ao lado e chamou uma amiga para trabalhar com ela.

Quando começou o relacionamento com o marido, cinco anos depois, ela já tinha montado sua segunda clínica e o negócio não parava de crescer. “Ele tinha carreira no exército, estava no último ano de analises de sistema e o convenci a prestar vestibular para odontologia”, lembra. Logo ele começou a acompanhar Carla no consultório aos sábados e percebeu que ela precisava de ajuda na administração. Como tinha facilidade para lidar com essa parte acabou ficando e, até hoje, continua à frente da gestão da Sorridents.

Dois anos depois, chegou o primeiro filho e, para surpresa do casal, ela engravidou apenas três meses depois do parto. Mas a maternidade não a afastou do trabalho. “Meus filhos não vieram para substituir nem minha profissão nem meu marido, vieram para somar”, comenta.

Apenas alguns dias depois do nascimento dos dois ela já estava de volta ao trabalho. Optou por levar sempre os filhos junto com ela e o marido onde estivessem. Só depois de grandes deixaram de acompanhá-los nas viagens por escolha própria. Isso tudo porque Carla é incansável na realização de seu sonho. “Me formei com um propósito. Acredito que morar bem, comer bem e ter saúde é direito de todos. Por isso, procuro oferecer conforto, conveniência – todas as especialidades na mesma clínica – preço justo, com material de qualidade para o maior número de pessoas possível”, afirma.

Delegar para crescer
Mas nem ter o Superman como marido garantiria a essas empreendedoras suporte suficiente para fazer suas empresas decolarem. Para isso, é claro, elas precisaram formar uma equipe de fiéis escudeiros e delegar muitas funções a eles.

“Delegar é muito importante. Fazendo isso, a gente desperta a iniciativa e a inovação das pessoas, mostra para o seu funcionário que você acredita nele”, diz Agda Oliver, idealizadora da “Meu Mecânico”. Além disso, ganha-se tempo. “Tenho um horário para cada coisa, coloco até despertador para alertar. Assim eu consigo cuidar da casa, do marido, do filho, ainda estudo, faço academia e sou bem vaidosa”, complementa.

Ana Fontes, da Rede Mulher Empreendedora, concorda. “Se você quiser ser supermulher, não funciona. Tem de delegar. Deixar o outro assumir a tarefa e não ficar preocupada com aquela tarefa”, afirma.
“Cada um tem sua tarefa. Dou liberdade, mas monitoro e converso muito. É o que eu chamo de delegar sem largar”, afirma Lênia Luz, do Empreendedorismo Rosa e da Aurelio Luz Franchising & Varejo.

O desafio da seleção de pessoas
Mas, para chegar a delegar, enfrentam o desafio de encontrar as pessoas certas. Ana e Lênia, que têm bastante contato com empreendedoras desde o início de suas jornadas, contam que o impulso de dedicar pouco tempo à seleção de funcionários e selecionar com base em relacionamento pessoal é o calcanhar de aquiles de boa parte delas no início do negócio.

Com a experiência, elas aprendem que vale a pena demorar mais para contratar e encontrar a pessoa certa para cada função. E ao encontrá-las o desafio passa a ser fazer com que permaneçam na empresa, principalmente quando ela ainda está engatinhando. O segredo, como mencionado no início da reportagem, é estimular esses colaboradores (as), é confiar nas pessoas, assim elas batalharão pelos mesmos objetivos das empreendedoras, sonharão o mesmo sonho. “Quando as pessoas estão envolvidas e engajadas no mesmo propósito que o seu não tem quem segure”, garante Carla Sarni, da Sorridents.

Networking: o desafio das empreendedoras
O networking promovido por iniciativas como a Rede Mulher Empreendedora e o Empreendedorismo Rosa é muito importante para as mulheres empreendedoras. Isso porque, ao contrário dos homens, elas têm mais dificuldade para fazer relacionamento com foco nos negócios.

“As pessoas fazem negócio com quem elas gostam. Em um ambiente em que todos os competidores têm de entregar com excelência, o que faz a diferença são as pessoas que estão à frente desses negócios”, afirma Ricardo Natale, que há mais de nove anos promove eventos de networking para executivos, dentre eles o Experience Club. Ele observa que, apesar de as mulheres terem ganhado muita participação no mercado de trabalho e à frente das próprias empresas, ainda têm mais dificuldade do que os homens para desenvolver redes de relacionamento de trabalho.

“Acho que é uma questão de atitude. Os homens são mais proativos e destemidos nesse sentido. Raramente uma mulher vem me perguntar como eu faço para criar redes de relacionamento. Mas os homens me abordam sempre com essa questão”, comenta. “É difícil fazer relacionamento no Brasil, principalmente em São Paulo. Tem de, necessariamente, estar na rua. As mulheres precisam quebrar essa barreira e trabalhar o networking de uma forma mais agressiva”, recomenda Natale.

“Escuto delas que não têm tempo, dizem que se saírem vão deixar de atender a clientes, cuidar dos filhos. Dez mil desculpas para não fazer networking”, conta Lênia Luz, do blog Empreendedorismo Rosa. Como resposta para escusas, Lena diz que elas podem fazer relacionamento até na porta da escola dos filhos. “Eu ando com meu cartão na bolsa e quando me apresento sempre digo que tenho um blog sobre empreendedorismo feminino e uma consultoria de franquias. Também lembro a elas que os homens fazem negócios em todos os lugares, até fazendo xixi no banheiro do boteco”, conclui.

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