Emprego pleno?

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    Foi divulgado, recentemente, um estudo cujo objeto é a dinâmica do mercado de trabalho no Brasil. Elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), cuja intenção era verificar se a economia brasileira encontra-se em pleno emprego, o levantamento (intitulado Considerações sobre o Pleno Emprego no Brasil) destaca principalmente pontos específicos de uma economia marcada por uma heterogeneidade produtiva – situação peculiar que difere dos países desenvolvidos, nos quais o mercado de trabalho é mais homogêneo. No Brasil há, por exemplo, elevado contingente de pessoas que alternam inserção com inatividade no mercado de trabalho. Além disso, a pesquisa trouxe considerações sobre as diferenças regionais no mercado de trabalho e, ainda, fatos novos que têm afetado esses movimentos de atividade e inatividade, assim como a participação expressiva do emprego doméstico e o crescimento do número de empregos com salário baixo, principalmente na construção civil.


    Para o coordenador do Grupo de Análise e Previsões (GAP) do Ipea, Roberto Messenberg, para mudar essa situação, é preciso investir. “O pleno emprego é uma construção social. O mercado de trabalho é um resultado do desempenho da macroeconomia. O governo pode cooptar o setor privado a investir e romper pontos de estrangulamento na economia, na infraestrutura, transporte e energia, alavancando a produtividade do sistema e de um desenvolvimento econômico sustentável”, afirma. Já o professor Fernando Mattos, da Universidade Federal Fluminense (UFF), observa que falta uma estatística de abrangência nacional para medir o desemprego no país. “Temos apenas pesquisas nas regiões metropolitanas e sobre emprego formal. Existem diferenças de região, entre setores da economia e um alto grau de informalidade no mercado”, conclui. 


    O pleno emprego é uma situação onde todos teriam uma colocação no mercado de trabalho e com remuneração que o empregado justa. A definição é da técnica de planejamento e pesquisa do Ipea, Maria Andreia Parente. Mas, segundo ela, o que temos hoje no Brasil é bem diferente. “Temos um grande mercado informal, muitas pessoas com subocupação e rendimentos médios baixos que não condizem com uma situação de pleno emprego”.

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