Empregos quase congelados no Brasil

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geração de empregos / Crédito: iStockphoto
Crédito: iStockphoto

A economia brasileira não anda lá muito bem. Seja pela falta de infraestrutura, por problemas econômicos mundiais ou ainda pela desconfiança do empresariado em investir no Brasil, o fato é que a desaceleração econômica já respingou no mercado de trabalho nacional. Não estamos mais contratando num ritmo tão acelerado quanto nos anos anteriores.

De acordo com a pesquisa Expectativa de Emprego no Brasil (4º bimestre de 2014) da Manpowergroup, os empregadores brasileiros preveem um ritmo modesto de contratação para o período. Com os dados ajustados, permitindo a variação sazonal, o índice da intenção de contratação é de +7%, o mais baixo desde que a pesquisa iniciou avaliação no Brasil, no 4º trimestre de 2009. O índice está distante dos +26% apontados no primeiro semestre de 2013, porém, longe dos índices de desemprego enfrentados pela nação brasileira na década de 90.

“Economia e mercado de trabalho andam de mãos dadas o tempo todo”, relata Irina Bezzan, CEO da Genter Serviços em RH. Para ela, o cenário atual apresenta claramente um desequilíbrio econômico e político que gera desemprego, e isso afeta diretamente a renda familiar, diminuindo o poder de consumo e aumentando o endividamento junto às instituições financeiras.

“O Brasil vive uma realidade onde o governo se posiciona como ferramenta única para estimular a criação de vagas. Esqueceram-se de fortalecer as pequenas e médias empresas e a iniciativa privada, que estão cada dia mais sufocadas com o aumento de impostos e, com isso, o desequilíbrio econômico se desencadeia”, afirma a executiva.

De fato a desaceleração da economia brasileira tem impacto na geração de empregos, mas o principal fator nesse pé no freio é a provável falta de confiança do empresário brasileiro, como conta o especialista Eduardo Yamashita, Diretor do Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas – GS&MD Gouvêa de Souza. “A nossa avaliação é de que a confiança do empresário é extremamente importante para a geração de empregos. Então, se a economia está crescendo em um ritmo menor, o empresário está confiante de que esse cenário vai melhorar, e com isso ele começará a investir e a gerar mais empregos”, explica.

Yamashita explica que apesar da desaceleração econômica brasileira ter começado já em 2013 o mercado de trabalho apenas agora reflete esse resultado. Para o especialista, um dos fatores para essa demora é o fato de que o empresariado conhece os altos custos de demissão, de recontratação e de desenvolvimento de pessoas no Brasil, isso sem falar na escassez de talentos. “Na indústria, por exemplo, começa-se reduzindo a carga horária de trabalho, depois reduzem a escala de trabalho e por último optam pela demissão”, indica.

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Ao redor do mundo
A desaceleração da economia mundial nos últimos anos também pode ser uma das responsáveis pela baixa criação de postos de trabalho aqui no Brasil. “Hoje está tudo muito conectado. As pessoas têm total facilidade no acesso das informações do ocorre no mundo e em seu próprio país. As decisões que os líderes mundiais implementam em seus governos afetam diretamente os demais países, não existe mais ‘território protegido’”, afirma Irina.

Para a executiva, o desemprego registrado em algumas nações provocou certo êxodo de mão-de-obra para o Brasil. “Visto que a empregabilidade em alguns países caiu na América Latina e Europa, principalmente, isso gera uma migração de mão de obra para cá e nem sempre os estrangeiros conseguem facilmente as melhores vagas, a não ser que sejam expatriados”, explica.

“Quando a economia mundial perde força é claro que temos um impacto muito relevante no Brasil”, enfatiza Yamashita. Mas ele explica que o contrário também é verdadeiro. “Se economia mundial cresce, tem-se uma demanda maior pelas commodities brasileiras e uma maior injeção de recursos no Brasil e isso ativa a economia brasileira”.

Por outro lado, destaca o especialista, não se pode deixar de esquecer que tanto a economia da Europa e principalmente a dos EUA já começam a ter sinais de recuperação. “A própria geração de empregos nos EUA foi muito alta esse mês”, alerta.

Resultado das urnas
Independentemente dos rumos econômicos no mundo, para os entrevistados, algo é certo: assim que o Brasil definir pela manutenção do atual governo ou pela mudança na condução da presidência do país, o empresariado ficará mais aliviado para voltar a investir ou não na economia brasileira.

Para a CEO da Genter Serviços em RH, já é possível termos previsões de como os investimentos ocorrerão, pois os planos econômicos de cada um dos candidatos à presidência são muito claros. “Como empresária tenho certeza de que as empresas já estabeleceram seus planos de investimento de acordo com o cenário que virá. A maioria já tem seu plano A ou B. Dependendo de quem vença as eleições, podemos alavancar de forma expressiva os investimentos no Brasil ou perdê-los”, completa, Irina.

Com certeza, o nível de incerteza está extremamente alto, uma vez que ficar definido o governante do país, o empresariado saberá quais as propostas de mudança na político-econômica brasileira e na área de infraestrutura serão conduzidas”, afirma Yamashita, da GS&MD Gouvêa de Souza.

O especialista ainda indica um fator pouco comentado, mas muito aguardado pelos executivos no Brasil: a política de energia no país. Recentemente, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu que a tarifa de energia elétrica poderá ser afetada pela decisão do governo de repassar R$ 4 bilhões a menos para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) neste ano. “O empresariado não sabe quanto pagará de energia o ano que, algo que dificulta a geração de novos investimentos”, conclui.

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