Gestão

Energia nas contratações

12 de agosto de 2010

Nem sempre é preciso expatriar um funcionário para sentir na pele as dificuldades e os custos desse processo. Basta imaginar os obstáculos que algumas empresas encontram para recrutar mão de obra especializada para o conjunto de obras ligadas ao setor hidrelétrico em Rondônia – transferir esses profissionais, quando são da região Sudeste, por exemplo, para aquele estado.

Com uma população aproximada de 1,4 milhão de habitantes, Rondônia, o terceiro estado mais populoso da região norte, tem registrado significativo crescimento do número de vagas em empregos formais. Em 2009, foram criados mais de 23 mil postos de trabalho, uma expansão de 14,88% em relação ao ano de 2008. O resultado atinge o melhor índice de empregos na região Norte e também da série histórica do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Motivadas por medidas do governo do estado, como o incentivo tributário de 85%, muitas indústrias se instalaram na região, que também foi contemplada pela obra do Plano de Aceleração de Crescimento (PAC) do governo federal, como o Complexo Hidrelétrico do rio Madeira, composto pelas usinas de Jirau e Santo Antônio, que devem gerar cerca de 6.494 megawatts (MW).

O grupo Votorantim, que em 2009 teve receita líquida de 7,4 bilhões de reais, gerou mais de mil empregos com a construção de uma fábrica na região. A companhia concessionária do Complexo Hidrelétrico do rio Madeira injetou no empreendimento 115 milhões de reais e deve impulsionar, ainda, a criação 200 empregos diretos e indiretos. A Odebrecht, que também integra a concessionária do Complexo Hidrelétrico, afirma ter contratado 10 mil profissionais entre engenheiros civis e elétricos. “Cerca de 5% dos técnicos contratados são de outras regiões do país. O plano oferecido pela empresa para atrair esses profissionais inclui pagamento de aluguel de moradia, faixa salarial condizente com padrões do Sudeste do Brasil e assistência médica”, afirma José Bonifácio Junior, diretor de contrato da companhia.

Desafios
A Indústria Metalúrgica e Mecânica da Amazônia (Imma, uma joint venture entre a Bardela e a Alstom) ressalta que operar na região é um desafio atraente, pois o profissional terá a oportunidade de propor e implantar métodos inovadores que contribuam com o desenvolvimento da região.

“O profissional tem de estar preparado para solucionar problemas em meio à escassez de recursos, de infraestrutura. Precisa ser muito criativo e tudo isso só vai agregar conhecimentos”, salienta o paulista Gustavo Almeida, diretor de relacionamentos que atua naquele estado.

Segundo o executivo, a empresa responsável pela produção de equipamentos para a usina Santo Antônio tem 400 funcionários em Rondônia e deve contratar outros 450 profissionais como engenheiros mecânicos, elétricos, supervisores e analistas administrativos. A companhia oferece benefícios como aluguel de residência, automóvel, assistência médica, além de infraestrutura para a família, como pagamento de mensalidade de escolas para os filhos dos empregados. A joint venture com a Alstom Brasil, que atua no segmento de geração de energia e transporte ferroviário, gerou mais de 400 empregos diretos com a instalação da fábrica, que tem 33 mil metros e capacidade de produção anual de 12 mil toneladas de equipamentos como turbinas e geradores que são fornecidos para usinas térmicas.

O investimento no empreendimento foi de 90 milhões de reais e as vagas oferecidas pela companhia abrangem desde os setores operacionais até os cargos executivos. A Alstom contratou cerca de 30 engenheiros de diversas especialidades, profissionais da área administrativa como gerentes, supervisores, analistas financeiros, analistas em recursos humanos e trabalhadores para o setor operacional, como caldeireiros, soldadores, operadores de máquinas de usinagem e inspetores de qualidade. “Buscamos profissionais com a carreira em ascendência e oferecemos a possibilidade de atuar em posições de chefia e liderança”, comenta Juliana de Souza, diretora de comunicação corporativa.

Segundo ela, o principal critério para a seleção de pessoas de outra região é o conhecimento anterior nos produtos e processos da companhia. “Para o desenvolvimento dos projetos em Porto Velho, o profissional tem de saber viabilizar e promover a transferência de tecnologia e processos de produção para a fábrica na região”, salienta Juliana. Ela diz que a empresa oferece, além da possibilidade de desenvolvimento profissional, benefícios como moradia, assistência médica nacional, seguro de vida e passagens aéreas para retornos à cidade de origem. Segundo o governo do estado, a meta de geração de empregos nas hidrelétricas até 2020 é de 30 mil vagas.

Desde a implantação da Lei estadual 1.558/2005, que determina incentivos tributários, Rondônia registrou um fortalecimento na economia e, hoje, é responsável pelo terceiro maior Produto Interno Bruto (PIB) da região Norte, 12 bilhões de reais, segundo última pesquisa realizada em 2007, pelo Instituto Brasileiro Geografia e Estatística (IBGE). No primeiro semestre de 2010, o estado apresentou aumento considerável na geração de emprego entre os estados da região Norte. Dos 9.814 empregos gerados no mês de abril, 3.405 foram em Rondônia. (Alessandra Mota)

Outros produtos

Nem só de hidrelétricas a economia de Rondônia é feita. O estado também lidera na produção de carne: em 2009, 365 mil toneladas de carne foram produzidas e exportadas para 23 países como Rússia, China, Alemanha e Itália.

O faturamento no setor foi de 307 milhões de reais, que representa crescimento de 55% de produto exportado em relação ao ano de 2008.

Além da pecuária, commodities também trazem transformações ao estado, que não era conhecido como polo desenvolvimentista. Em 2009, Rondônia produziu mais de 74 mil toneladas de café e 737 mil toneladas de feijão, cacau, milho e arroz. Com isso, o PIB é predominantemente formado por: administração e serviços (48,5%); indústria (29,3%); agropecuária (15,3%); e comércio (6,9%).

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