Gestão

Escritório compartilhado

Núbia Matos
21 de junho de 2013

Sem os custos de locação de grandes espaços, incubadoras de ideias e pequenas empresas têm disposição espaços de trabalho com toda infraestrutura necessária. São os espaços de coworking, cada vez mais utilizados por startups e empreendedores para alavancar seus negócios. Elaboramos um guia rápido sobre o que é o coworking e como funciona. Além disso, criamos uma galeria de fotos e conversamos com quem está utilizando o serviço para que você fique por dentro dessa tendência mundial de estrutura e espaço de trabalho. 

O conceito foi idealizado por Brad Neuberg, em 2005, nos EUA, e consiste num modelo de espaço de trabalho baseado no compartilhamento de todos os recursos de escritório. Os usuários do serviço, em geral, são independentes, autônomos e jovens empreendedores. Os dados disponíveis sobre os espaços de coworking ainda são poucos, mas apresentam um crescimento considerável no Brasil e no mundo. Uma pesquisa apresentada em fevereiro deste ano pela Deskwanted, uma plataforma on-line internacional de mapeamento e busca de espaços de coworking, aponta que no mundo todo são quase 2.500 escritórios com esse perfil. Em relação ao ano de 2010, a quantidade de espaços cresceu 300%. O ranking dos países segue da seguinte maneira: EUA (781); Alemanha (com 230); Espanha (199); Reino Unido (154); e Japão (129). O Brasil aparece em sétima posição, com 95 espaços.

O sistema de locação desses espaços é variado (há planos do tipo mensal, semanal, diário ou somente para reuniões e eventos) e os custos são reduzidos. (Veja mais sobre valores) Em São Paulo, estão geralmente próximos a estações de metrô, trens e corredores de ônibus e, em alguns casos, dispõem de bicicletário e serviço de valet. Localizado na região da Vila Mariana, o Espaço Envolve, de Martha Kater, está a todo o vapor há oito meses, com todos os seus pontos de trabalho locados, uma ampla fila de espera e com o projeto de uma segunda unidade em andamento. A casa assobradada de 350m² possui um jardim ao fundo com espaço para leitura e integração. “Investir no Espaço Envolve veio de uma vontade de empreender e na oportunidade de transformar essa casa num local cheio de gente com boas ideias, querendo um espaço bacana e não muito caro para trabalhar”, explica Martha, que foi uma “home officer” durante muito tempo e sentiu na pele as dores e as alegrias de ficar em casa sem contato com outras pessoas, profissionais de sua área ou não.

A estrutura oferecida aos coworkers é ampla e de acordo com a necessidade e possibilidade de cada um. O básico de um escritório: mobiliário, linhas de telefone para receber ligações, ar condicionado, internet rápida, limpeza, copa e segurança. Os adicionais são bem variados, como: fazer ligações, impressão de documentos, serviços de motoboy e possibilidade de uso de endereço fiscal. Na Co_Labore, outro espaço de coworking localizado na Vila Olímpia, em São Paulo, também é possível a locação de espaços coletivos e salas para reuniões e eventos. “Temos ambientes externos, como o Co_Labore Café, que conta com um menu saudável e está localizado junto a um jardim vertical. Estamos investindo também em estações de trabalho para portadores de necessidades especiais, já que temos uma grande preocupação com a questão da acessibilidade”, conta Antonin Bartos Filho, fundador da Co_Labore.

Os coworkers

Os altos custos de locação de salas comerciais com seus longos contratos e burocracias estão impulsionando a chegada de profissionais autônomos e novos empreendedores aos espaços de coworking. Além disso, os profissionais, outrora adeptos (ou não) ao home office, estão enxergando nas áreas colaborativas um meio de trocar ideias com diferentes tipos de profissionais e até mesmo realizar parcerias. “O ponto em comum entre os coworkers é a idade. Eles estão na faixa dos 25 a 35 anos e estão começando o próprio negócio, em muitos casos nunca trabalharam em uma empresa como CLT”, analisa Martha. As áreas de atuação são diversas, entre eles advogados, representantes de empresas, analistas financeiros, publicitários, designers, consultorias de recursos humanos, empresas de assessoria de imprensa, engenheiros e programadores.

Ainda segundo o estudo da Deskwanted, essa miscelânea de perfis nos espaços de coworking é uma das características que os profissionais procuram no momento em que escolhem trabalhar em área colaborativa. Os profissionais ouvidos pela pesquisa dizem que os espaços de trabalho compartilhados aumentam a produtividade, estimulam a sua criatividade e os ajudam a fazer contatos de negócios de valor inestimável. É o caso da jovem Sem Barreiras. Uma consultoria com dois anos de vida, especialista em inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Inicialmente instalada em um prédio comercial padrão na região do Itaim Bibi, em São Paulo, a empresa sentiu a necessidade de estar em uma região com melhor acesso ao transporte para seu público: profissionais com deficiência física. Já na localização, o Espaço Envolve conquistou a preferência de João Lopes Alves, sócio fundador da Sem Barreiras. “Além disso, a Envolve tem uma visão de inclusão. Toda a estrutura física do espaço  está acessível com rampas, banheiros adaptados e, agora, estão colocando toda a sinalização visual de segurança do trabalho necessária”, conta João.

Outra vantagem apresentada pelos coworkers é o baixo custo e a possibilidade de aumentar ou diminuir sua estrutura conforme a necessidade. “Muitas vezes trabalhos com projetos pontuais que necessitam de mais estações de trabalho. No coworking temos essa flexibilidade: quando precisamos, locamos; quando não, ficamos com os espaços que já temos”, explica Alves. Na Co_Labore, conversamos com Yuzo Thiago Tamaru, jovem designer e dono da produtora digital Studio Koi. Ele diz que, no espaço, sente-se mais produtivo e focado em suas atividades e que está, aos poucos, deixando o home office. “Ainda não consegui me desligar totalmente do escritório que tenho em casa. Mas estou me organizando para trabalhar 100% do tempo aqui”, planeja Tamaru. 

Uma das vantagens da estrutura dos coworking é a possibilidade de receber clientes e parceiros para reuniões. É o que afirma André de Aquino Lozon, gerente administrativo da Central de Cuidadores, uma empresa especializada em dar assistência no cuidado de pessoas em recuperação médica. “Posso receber clientes e fazer minhas reuniões em um espaço mais corporativo”, afirma Lozon, que conheceu e contratou o criador do site da Central de Cuidadores na Co_Labore.

Veja a nossa GALERIA de imagens.

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