Gestão

Estereótipos corporativos

Eugenio Mussak
16 de Janeiro de 2014

Como deve ser um executivo? Compenetrado, sóbrio, sério? Com MBA no exterior e alguma especialização cruzada? Deve falar três línguas? Tem de jogar tênis e entender de vinhos? Usar ternos azuis e gravatas vermelhas? Claro, todos sabemos que os grandes executivos são assim.

Como também sabemos que as louras são burras, os gaúchos são machistas, os baianos são preguiçosos, os cabeleireiros são gays, as mulheres são ciumentas, os homens são infiéis, os favelados são perigosos e os políticos são corruptos. Nada disso é uma verdade absoluta, mas vá convencer as pessoas de que os estereótipos só existem para dificultar a comunicação e azedar as relações…

Mas, repare, sem querer, estamos esbarrando com situações definidas por estereótipos o tempo todo. Meu amigo Claudio, por exemplo, um argentino gente finíssima, me explicou que só parece arrogante quando vem ao Brasil, porque as pessoas simplesmente esperam que ele seja assim. Penso também no Mário, meu amigo de Lisboa, engenheiro, professor, empresário, intelectual, uma das pessoas mais antenadas que conheço. Impossível aplicar uma “piada de português” a esse gentleman lisboeta. Mas nós adoramos generalizar…

O psicanalista francês Jacques Lacan disse coisas que podem nos ajudar a entender um pouco o mistério dos estereótipos. Por exemplo: “Eu sou o que vejo refletido sobre mim nos olhos dos outros”. Ou ainda: “Com frequência, os símbolos são mais reais do que aquilo que simbolizam”.

Pois é, parece que nós, humanos, fazemos a representação da realidade por meio da identidade com o grupo a que pertencemos. Realmente, não há como negar que o ser humano é um animal social, que depende do grupo para sobreviver física e emocionalmente. Quanto a isso, não resta dúvida. Mas daí a colocar carimbos na testa das pessoas e julgá-las a priori por sua aparência, origem, sexo ou idade, há uma imensa distância.

Nesse mundo conturbado em que vivemos, as empresas acabaram assumindo vários papéis. Além de produzir, prestar serviços, dar empregos e pagar impostos, espera-se das organizações que elas sejam provedoras de valores humanos, papel que antes cabia só à família, à escola e à igreja.

Pois bem, entre os valores mais caros, como a ética, a sustentabilidade e a responsabilidade social, agora encontramos mais um: o respeito à diversidade. E como se faz isso? Dizendo sim à tolerância e não aos estereótipos e aos preconceitos.

Quando vamos a uma reunião em uma empresa, elaboramos mentalmente as características das pessoas com quem vamos falar, só que às vezes nos surpreendemos. Eu conheço um presidente de empresa que parece surfista, um diretor de escola que parece um aluno e uma responsável pela TI de uma multinacional que me lembrou minha avó. Todos maravilhosos. Mas vá explicar isso para o diabinho do preconceito que mora dentro da cabeça de certas pessoas intolerantes. Ôps, cuidado com o preconceito aí!

Eugenio Mussak é professor da FIA, consultor e autor

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