Eu, robô?

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A aplicação cada vez mais intensa de tecnologias tem transformado o ambiente de trabalho muito além do que se poderia imaginar. O exercício de prever o futuro laboral hoje passa obrigatoriamente pela convivência com androides, humanoides e outros “oides” que saíram da ficção para se tornar uma realidade no século 21. Esse é um dos efeitos da transformação digital, assunto que não poderia ficar de fora do CONARH deste ano. Nesta quarta-feira (16), Gil Giardelli, estudioso da cultura digital,fala sobre esse tema. Confira na entrevista, a seguir, um pouco do que ele vai apresentar. Transformação digital é uma expressão hoje presente em todas as áreas das empresas.

Na gestão de pessoas, quais são os impactos?
São tempos de mudanças disruptivas, tempos dinâmicos, explosivos e de novas estratégias em complexidade, velocidade, convergência e conectividade. Trocam-se empregos chatos de apertar parafusos por empregos em rede de alto coeficiente emocional, espiritual e intelectual. No universo da gestão de pessoas, teremos de capacitá-las para que possam equilibrar a gestão do presente, a inovação e o futuro. Os gestores de pessoas criarão caminhos para que os profissionais saibam utilizar a sociedade em rede a fim de ganhar produtividade e tempo e possam aprender, ensinar e cocriar coletivamente.

O RH tem acompanhado e sabido utilizar as novas tecnologias em seus processos e demandas?
A maioria das ferramentas, teorias e estratégias usadas no século 20 não tem mais efeitos, e não apenas o RH, qualquer profissional vai ter de criar novos mapas para navegar em novas terras. Para recursos humanos, é preciso pensar o futuro do talento, a liderança do século 21 e formas de despertar a criatividade e a inovação. Precisamos entender como data age, M2M (machine to machine), inteligência artificial, realidade virtual, humanoides, computação cognitiva, revolução das plataformas, apps e internet das coisas potencializam novas formas de ver e agir no mundo do trabalho.

Nesse sentido, quais são as prioridades do RH?
O RH deve colocar na pauta discussões sobre a Era dos Valores, na qual o propósito vem antes do lucro como estratégia de negócios, e incentivar o poder das ideias, a economia do conhecimento, a diversidade cultural, a responsabilidade social e a ética. Que seja o líder que inspira e engaja as pessoas para explorarem o novo, inventarem possibilidades e arriscarem-se. Também deve ter foco na educação de alto impacto, preparar pessoas na resolução de problemas complexos e incentivar o poder do conhecimento coletivo. E, por fim, perceber que a transformação digital e a inovação são uma gigantesca vantagem competitiva.

Num futuro não muito distante, homens e robôs trabalharão lado a lado. Como isso vai mudar a vida das pessoas no trabalho?
Bem-vindos à Era dos Robôs, da automação e da onda do desemprego tecnológico. Vivemos a transição entre decisões e ações rotineiras – automatizadas – e atitudes excepcionais – humanas. As máquinas inteligentes, que tomam decisões baseadas em dados, serão as parceiras ideais do profissional do conhecimento. Quando unirmos as interações homem-máquina e a inteligência mecânica com o melhor da inteligência coletiva chegaremos a uma nova Era do Trabalho. Saem os ferramenteiros e entram os estrategistas, sai o líder “mão na massa” e entra o líder inovador. Quando homens e robôs trabalham juntos, o que prevalece são ideias, não objetos; mente, não matéria; bits, não átomos; e interações, não transações.

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