CONARH

Felicidade feminina

Gumae Carvalho
16 de agosto de 2017

Como é ser mulher no mundo de hoje? O que é ser feliz pra elas? Será que é possível alcançar a verdadeira felicidade tendo que ser tantas mulheres em uma só? Essas são algumas perguntas que a autora Renata Abreu, com larga experiência em desenvolvimento humano e coaching, tenta responder em seu livro “Felicidade feminina: uma escolha possível com práticas da Psicologia Positiva”. Nesta quinta-feira (17), Renata a especialista em desenvolvimento humano e coaching Renata Abreu lança o livro durante o CONARH.

Uma das conferencistas deste ano, Renata atua há 20 anos com desenvolvimento humano e coaching de Psicologia Positiva (PP) nas organizações e para o público em geral, sendo 18 anos em empresa de consultoria multinacional, onde trabalhou como diretora na liderança de projetos de transformações organizacionais, gestão da mudança e capital humano para empresas de diferentes segmentos de mercado.

Baseado na Psicologia Positiva (PP), ciência nascida no fim da década de 90 que ganhou força nos últimos anos, o livro busca trazer uma série de reflexões sobre o aumento da infelicidade feminina e utiliza os estudos científicos da PP para sugerir a possibilidade de escolha por uma vida com propósito, pautada em atitudes conscientes, resultados significativos e, consequentemente, maior bem-estar.

Segundo pesquisas, nos últimos 40 anos, as mulheres se tornaram mais infelizes, ansiosas e estressadas se comparadas aos anos 70. Se, por um lado, a luta pela igualdade de direitos trouxe mais oportunidades, influência e renda, por outro, o que observamos é um grande acúmulo de tarefas, que não necessariamente trouxe bem-estar para o sexo feminino. Pelo contrário. O grande dilema da mulher contemporânea é a multiplicidade de papéis, não necessariamente pelo fato de tê-los, mas como exercê-los. Somado a isso, o preconceito inerente da sociedade patriarcal e, principalmente, a ruminação (comparação com os outros) e a busca pela perfeição são alguns fatores que vem contribuindo para a infelicidade feminina. De acordo com a pesquisa The Women of Tomorrow, realizada em 21 países, hoje, duas em cada três brasileiras se consideram sob o efeito de estresse.

Renata fazia parte desta estatística. Mãe de três filhos, bem-sucedida na carreira e no casamento, ela aparentemente tinha tudo o que uma mulher desejava para ser feliz. No entanto, assim como muitas que se multiplicam para cumprir seus inúmeros papéis, Renata estava, no fundo, cansada e estressada. “Era como se estivesse vivendo no piloto automático, com pequenas brechas de lucidez que me faziam questionar se esse era a forma mais adequada de viver. Mas, na correria, voltava a seguir a rotina sem conseguir fazer muitas mudanças”, diz. Até o dia em que decidiu repensar sua vida e a colocar em prática os ensinamentos da Psicologia Positiva para seu próprio usufruto.

O resultado foi tão positivo que Renata resolveu escrever o livro para compartilhar com outras mulheres informações que pudessem contribuir na melhora de seu bem-estar. “Busquei fazer um livro mais reflexivo porque não existe uma fórmula exata na vida que sirva para todos. Meu objetivo foi trazer reflexões que possam facilitar essa busca do que é ideal para cada pessoa”, revela. “Existem muitas mulheres, por exemplo, que não querem ser mães, que não querem casar e são felizes assim. A felicidade está ligada à escolhas autenticas coerentes com nossos valores e não ao que os outros esperam de nós”, completa.

Com o intuito de atingir o maior número de leitores, a autora optou por não se restringir à linguagem acadêmica e dividiu a obra em três partes, que podem ser lidas independentemente, de acordo com o interesse de cada um. Na primeira parte, Renata apresenta um contexto sobre a atualidade feminina, com o objetivo da leitora se autoconhecer e refletir sobre suas escolhas diante deste papel multifacetário da mulher contemporânea. A segunda parte é uma grande visão geral da PP, trazendo temas e aspectos que compõe o arcabouço desta nova ciência. A terceira parte é composta por um programa de exercícios embasados pela PP para serem aplicados no dia a dia.

Focar o lado positivo da curva
Mas, afinal, o que é a Psicologia Positiva? Iniciada por Martin Seligman, em 1998, a PP tem como foco o lado positivo da curva. Isto é, em vez de focar a doença, ela foca o lado bom e como potencializar as qualidades das pessoas de forma que elas descubram o que faz a vida valer a pena e como produzir condições para isso. Alinhada à neurociência, a PP prova que escolhas conscientes combinadas com a prática de atividades intencionais, tais como, mindfulness (meditação), savoring (apreciação), perdão, gratidão e generosidade melhoram a saúde física e mental, elevam as emoções positivas e nos levam a maiores níveis de bem-estar.

Dentro deste conceito, segundo uma das teorias da PP, existem três fatores determinantes para a felicidade: 50% genética, 10% circunstâncias de vida e 40% relacionados à capacidade da pessoa de alterar seu nível de felicidade realizando ações que estão sob seu controle. Apesar de a genética ter uma porcentagem significativa nessa equação, a neuroplasticidade pressupõe que o cérebro é maleável e, portanto, pode mudar ao longo das nossas vidas. “Pessimistas podem ser treinados para se tornarem mais otimistas e cérebros estressados e negativos podem ser treinados para enxergar mais possibilidades”.

A positividade é outro elemento importante dentro do arcabouço da PP, o que não significa aceitar as coisas como são, muito menos adotar o estilo “don’t worry be happy”. A positividade inclui intenções positivas e atitudes otimistas que deflagram as emoções positivas, trazendo benefícios reais para nossas vidas, tais como aumento da cognição, aumento da criatividade, ampliação da visão de conjunto, facilitação para tomada de decisão, melhoria nas capacidades interpessoais e maior capacidade em lidar com adversidade de forma racional, entre muitos outros.

Baseado nessas teorias, por fim, Renata elenca uma série de exercícios que podem ser facilmente aplicados dentro da rotina da mulher e de sua família. “A vantagem da Psicologia Positiva é que ela pode ser aplicada a uma variedade de áreas pela própria pessoa, seja na criação dos filhos, na escola ou nos processos de gestão de empresas”, explica. Segundo a autora, os exercícios podem ajudar na escolha de uma vida com maior significado, na potencialização das qualidades humanas, na ressignificação de crenças limitantes e na ampliação das emoções positivas/positividade diariamente. “Mudar não é fácil. Como todo processo precisa de esforço e dedicação. Mas, a felicidade está no seu dia a dia. Quando enxergamos isso e buscamos uma rotina melhor, mais fácil fica alcançá-la”, completa.

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