Benefícios

Ferramenta de gestão

Caroline Marino
18 de Fevereiro de 2010


Lobão, da Watson: a previsão é que – num curto espaço de tempo – a capacidade dos PBMs em atuar aumente

O percentual se mantém estável: cerca de 60% das empresas oferecem o benefício-farmácia, de acordo com pesquisas das principais consultorias de saúde. O que vem mudando, nos últimos anos, é a maneira que as companhias enxergam o PBM (Pharmacy Benefit Management), que passa de um simples benefício para uma forte ferramenta de gestão, como explica o consultor sênior da Towers Watson, Ricardo Lobão. “Desde o ano passado, as companhias passaram a utilizar os dados do benefício-farmácia na análise de seus casos de saúde, ou seja, usam o banco de dados desse benefício para identificar possíveis pacientes crônicos (diabéticos, hipertensos etc.) que estão tomando remédios em excesso, mas não efetuam o tratamento necessário para a cuidar da sua saúde”, explica.

 

Trata-se de uma forma
de prevenção e, consequentemente, de redução de custos. Em outras palavras: muitas vezes, os funcionários não têm condições de manter o tratamento correto (pela falta de remédios e informações) e acabam recorrendo a novas consultas, o que infla os índices de sinistralidade e gera aumento no custo da assistência médica.

Na opinião do presidente da E-pharma, Luiz Carlos Silveira Monteiro, é indiscutível a dificuldade que os colaboradores têm para arcar com as despesas em medicamentos prescritos, levando – não raro – à não utilização ou utilização parcial dos remédios ou, ainda, se abstendo da correta terapia a que teve acesso na consulta médica, substituindo-a por terapias domésticas ou por alternativas mais baratas, oferecidas via balcão de farmácia. “Essa prática agrava as condições de saúde do colaborador, resultando diretamente na falta de produtividade e absenteísmo, além de agravar a sinistralidade dos custos da assistência médica, o que reverte em gastos adicionais para a empresa”, completa.

Para se ter uma ideia de quanto uma companhia pode economizar com o benefício, fornecer um medicamento de diabetes para um usuário que precisa apenas de um controle medicamentoso por um ano sai em torno de 450 reais. Uma simples ida dele ao pronto-socorro não sairia por menos de dois mil reais. “Estudos da área mostram que cerca de 60% das pessoas que começam o tratamento não conseguem terminá-lo. E o principal motivo é a dificuldade de acesso ao medicamento, que é caro no Brasil”, acrescenta Lobão.

Segundo o líder da área de benefícios corporativos da Mercer, Alexandre Espinosa, as empresas começaram a se conscientizar de que o benefício-farmácia apenas como uma ação que dá desconto em medicamentos não basta. “Percebo um processo lento, mas contínuo, no qual as empresas começam a usar o benefício com subsídio e como parte da estratégia de gestão da saúde”, afirma Espinosa. Assim, ele explica, as companhias têm uma importante ferramenta para gerir a saúde de seus funcionários, com estatísticas para a administração de pacientes crônicos, por exemplo, que auxiliam na implantação de projetos de qualidade de vida. “Os planos que dão apenas desconto não podem ser considerados como benefícios”, enfatiza.

Por outro lado, a consultora sênior da prática de benefícios da Hewitt, Andréa Campos, conta que ainda não existe uma tendência de as empresas subsidiarem esse benefício em maior proporção do que acontece nos dias atuais, apesar de ser um benefício valorizado pelos colaboradores. “O maior controle e atenção que vem sendo dado em termos de implementação de mecanismos de gestão refere-se à ânsia das empresas em controlar seus custos”, completa.

Futuro próximo
Assim, como reflexo dessa maior conscientização das empresas, um levantamento feito pela Watson apontou um número maior delas que oferece aos colaboradores reembolso de medicamentos, mesmo que parcial. Segundo a pesquisa, das companhias que oferecem o benefício – cerca de 60% – aproximadamente 41% oferecem o subsídio – chegando a um valor equivalente a 70% do valor  do remédio em algumas companhias.

E as informações que um banco de dados pode fornecer são muito ricas. “Você consegue identificar, por exemplo, usuários no começo de suas patologias, o que pode ajudar na implantação de programas de qualidade de vida”, ressalta Lobão. Segundo ele, para economizar dinheiro em saúde, quem souber da informação antes pode agir mais rápido e ter mais resultados. “Se o banco de dados consegue nos dar informações que, às vezes, nem um hospital nem um médico deu, é possível atuar de outra maneira, com um amplo programa de prevenção. E assim evitar grande parte dos riscos e dos custos que a empresa pode ter no futuro”, afirma o consultor da Watson.

Além disso, as empresas começaram a instituir em seus programas as listas referenciadas, que indicam aos colaboradores uma relação de medicamentos com maior desconto e com a mesma eficácia.”Essas listas são feitas a partir das demandas da empresa, de seu grupo de risco e de suas necessidades, com subsídios diferenciados e planos de estatísticas próprias”, explica Lobão.

A previsão é que – num curto espaço de tempo – a capacidade dos PBMs em atuar aumente. Deixam de ser um simples “distribuidor” de medicamento e começam a atuar no mercado de gerenciamento de risco, fornecendo às empresas que
os contratam, além da possibilidade do desconto, acesso a informações sobre a saúde de seus profissionais e tecnologia para que as companhias possam construir seus modelos de gestão. “Os PBMs passam a atuar ainda mais como consultores”, explica Lobão. Além disso, segundo o consultor, será inevitável, daqui a uns 10 anos, a inclusão pela Agência Nacional de Saúde (ANS) de novos medicamentos, o que vai aumentar significativamente a adesão das empresas aos planos de benefício-farmácia, que podem chegar facilmente à casa dos 100%”, adianta Lobão, que faz um comparativo com o mercado de odontologia, que há cinco ou seis atendia a apenas 45% das empresas e, hoje, está presente em cerca de 86% das companhias.

O diretor clínico-epidemiológico da Funcional, Gustavo Loubet Guimarães, também acredita no potencial de mercado de PBM no Brasil. “A principal expectativa para quem trabalha nessa área é ver o benefício medicamento cada vez mais inserido no contexto de saúde como um todo”, acredita. E, segundo ele, há um número cada vez maior de organizações atentas a uma saúde gerida de modo integrado e que enxergam nesse benefício uma sólida ferramenta para conhecer e monitorar o perfil de saúde de sua população. E isso também é vantajoso para os colaboradores, como explica Guimarães. “A partir do momento que a empresa tem em mãos os indicadores de saúde dos profissionais e suas carências, pode aprimorar os programas e projetos em saúde, procedimento importante para manter o colaborador assistido e mais bem orientado pela área médica com uma assistência farmacêutica correta”, completa.

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